OpiniãoA primeira coisa que deve ser dita para qualquer alma que leia as minhas palavras é: Outlander é uma experiência maravilhosa. Fui acompanhando os primeiros episódios da série à medida que ia avançando na leituras das 772 páginas que é o tesouro que Diana Gabaldon nos proporcionou. Ao fazê-lo, tive um imensa facilidade a entrar numa história onde nomes da mesma família se misturam, onde há todo um clã numeroso de figuras, cada uma mais especial do que a outra. As personagens ficam-nos presas na mente e as suas expressões tornam-se familiares para nós o que facilitou imenso a imersão na Escócia do século XVIII - conseguia distinguir rostos, familiarizar-me com a localização e com nomes que me eram completamente desconhecidos.

(Continua) 

Mais uma vez, repetindo as palavras da minha opinião em relação ao livro, não sou a maior entusiasta de viagens temporais, pelo contrário, visto que acredito que abrem um leque de questões que preciso de ver explicadas - não sou alguém que lida de forma saudável com pontas soltas mas, citando as minhas próprias palavras, em Outlander a diferença entre o passado, presente e futuro basicamente junta-se num só e algo que Diana Gabaldon faz muito bem é diferenciar cada um deles, dar-lhes uma espécie de "contentor" a cada uma das vidas e depois junta-as, mantendo, ainda assim, a individualidade de cada uma.
Mais do que uma vez escrevi que, uma adaptação, seja ela cinematográfica ou televisiva deve ter em consideração o coração da história, deve servir como uma extensão do mundo, mostrar coisas que de outra forma não teríamos conhecimento e, em Outlander - Nas Asas do Tempo, ao seguir única exclusivamente a linha de Claire, perdemos muito do que se passa nos tempos actuais (1945). Contudo, a sua adaptação ganha pontos ao explorar a procura de Frank, o seu desespero em encontrar a mulher, as informações que ele próprio recebe, as suas decisões que certamente vão afectar o futuro. Outlander dá-nos mais do que aquilo que pensávamos que queríamos, dá-nos um passado e um futuro; dá-nos uma sensação de emoção, amor e horror ao mesmo tempo; faz-nos querer agarrar numa almofada e chorar, como rir desalmadamente. Ao contrário de outros do mesmo género, senti que pertencia à Escócia do século XVIII que, como Claire era capaz de atravessar aquelas paisagens deslumbrantes; durante quase uma hora - a duração de cada episódio - senti que estava com Claire. É uma sensação que tive de fazer perdurar, parando um pouco depois do décimo segundo episódio. Foi, a primeira vez, que tive de forçar a minha vontade. Não queria ver mais. Queria guardar para mais tarde quando o tempo ficasse chuvoso e as tardes mais curtas. Outlander é fiel ao seu coração e, como Diana Gabaldon consegue transmitir no livro, a série não falha ao demonstrar com bastante realismo as cenas, não só de amor, como de horror e, pela primeira vez - também, - vi-me a fechar os olhos e a deixar de ouvir, principalmente nos últimos dois episódios onde a minha memória, infelizmente, não me falhou porque queria esquecer que aquilo acontecia. Tal como no livro, vi-me incapaz de continuar sem fazer uma pausa.
Tive e a fazer.
Não conseguia ver mais nada para além da água que se formava nos meus olhos.
Não conseguia ouvir mais nada para além dos guinchos de horror que me saiam da garganta.
Durante dezasseis episódios, que devem rondar mais ou menos dezasseis horas - pelo que se não tiverem nada para fazer podem sempre apoiar-se numa maratona de Outlander, - vi-me forçada a apaixonar, a rir, a chorar e a gritar de medo. Algo me dizia que, assim que colocasse um olho no mundo de Diana Gabaldon não iria ser capaz de sair. Estava certa. Claro que a interpretação de Catriona Balfe, Sam Heaughan e Tobias Menzies ajudaram - e muito. Três actores f-a-n-t-a-s-t-i-c-o-s, com especial destaque para a protagonista que me fez sentir cada uma das suas emoções. Podia continuar o dia todo a escrever sobre o quanto adorei cada segundo mas é daquelas coisas, - é preciso ver para querer.
For where all love is, the speaking is unnecessary.


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