Sinopse: A Princesa Eadlyn cresceu a ouvir histórias intermináveis de como a sua mãe e o seu pai se conheceram. Vinte anos antes, America Singer entrou na Seleção e conquistou o coração do Príncipe Maxon - e viveram felizes para sempre. Eadlyn sempre achou romântica esta história de encantar, mas não tem qualquer interesse em tentar repeti-la. Por si, adiaria o casamento tanto quanto possível. 
Mas a vida de uma princesa não é inteiramente sua e Eadlyn não pode escapar à sua própria Seleção - por mas fervorosamente que proteste. 
Eadlyn não espera que a sua história acabe em romance Mas com o início da competição, um candidato poderá acabar por conquistar o coração da princesa, mostrando-lhe todas as possibilidades que se encontram à sua frente... e provando-lhe que viver feliz para sempre não é tão impossível como ela sempre pensou

OpiniãoAo ler A Herdeira tive alguns dos mesmos sentimentos que a leitura de A Elite ou de A Escolha me despertou. Em primeiro lugar, tal deve-se ao facto de apesar da escrita simplista, Kiera Cass consegue despertar em mim emoções muito fortes, nem sempre as mais civilizadas, na verdade, quase sempre de frustração, o que não quer dizer que não seja um livro fantástico. Como já disse em múltiplas opiniões, o facto de uma protagonista despertar emoções é, por si só, um tremendo sucesso.
Pelo menos sei que, ao ler algo escrito por Kiera Cass aborrecimento não é uma palavra que vá, com certeza, utilizar.

(Continua) 

Eadlyn é, por sete minutos, a primogénita de America e Maxon, protagonistas de A Selecção, A Elite e de A Escolha. Eadlyn é uma jovem de dezoito anos com zero de capacidades sociais, manipuladora, egoísta, mimada e extremamente egocêntrica. Eadlyn é, em igual medida, feminista, inteligente, dedicada e possuidora de uma personalidade forte. Eadlyn é o oposto dos pais, por vezes maldosa na sua inocência porque, pura e simplesmente, nunca conheceu mais; porque cresceu a acreditar que o peso do mundo um dia recairia sobre os seus ombros, não se dando a conhecer a mais ninguém a não ser à sua família. E, meu deus, como os seus constrangimentos sociais me divertiram e como a sua relação com os irmãos me encantaram.
Kiera Cass é exímia na arte de criar um conflito que me interesse, no entanto, quando mudamos o tópico para a construção do mundo, o caso muda drasticamente de figura. O mundo para lá do palácio, do centro da acção, raramente e explorado e, em A Herdeira, tal nunca acontece e, mais uma vez, como na trilogia anterior, os problemas que a população enfrentam não são mais do que um eco de fundo que é, completamente sugado pela presença de Eadlyn e pela ânsia da sua decisão. Mais uma vez, uma escolha é o que vai permitir entreter o povo enquanto não se decide o que fazer, o que, como premissa inicial do livro, não me pareceu forte o suficiente, infelizmente.
Posso dizer que, estando familiarizada com o processo de seleção, prefiro ler do ponto de vista de alguém que está, efectivamente na iminência de ser ou não selecionado. Desta vez, os sucessivos encontros cansaram-me pelo seu número e pela qualidade dos mesmos. É uma perspectiva diferente que não me agradou. Eadlyn não é romântica e, apesar de um ou dois candidatos favoritos, os outros, pareceram arrastar-se tal era o meu desprendimento às personagens. No entanto, um ponto positivo, é o facto de que Kiera Cass, desta vez, não nos deu apenas dois candidatos possíveis ao coração da protagonista, em A Herdeira há mais do que dois, possivelmente quatro candidatos a esse lugar, o que nos deixa com um pé no escuro, apesar de haver ligeiras nuances de quem poderá ser - o meu palpite, Erik.
Algo que A Herdeira adicionou e que faltou em A Escolha, foi um final conclusivo, passo a redundância. Em, A Escolha, o futuro daqueles que sobreviveram aos três primeiros volumes ficou um pouco em aberto e, neste quarto, Kiera Cass dá-nos, ainda que breve, vislumbres do que aconteceu com Aspen e Lucy, com May, e ainda dá-nos pequenos pedaços de recordações da selecção em si. No entanto, a autora surpreendeu-me, em grande, com o final que me deixou com o coração despedaçado. Para aqueles que, como eu, se deixaram encantar pela escrita de Kiera Cass, A Herdeira é leitura obrigatória.

I only have one heart, and I'm saving it.


Deixe um comentário

Tens uma opinião? 3,2,1 GO