Sinopse: O mundo de Mare, uma rapariga de dezassete anos, divide-se pelo sangue: os plebeus de sangue vermelho e a elite de sangue prateado, dotados de capacidades sobrenaturais. Mare faz parte da plebe, os Vermelhos, sobrevivendo como ladra numa aldeia pobre, até que o destino a atraiçoa na própria corte Prateada. Perante o rei, os príncipes e nobres, Mare descobre que tem um poder impensável, somente acessível aos Prateados. 
Para não avivar os ânimos e desencadear revoltas, o rei força-a a desempenhar o papel de princesa Prateada perdida pelo destino, prometendo-a a um dos seus filhos. À medida que Mare vai mergulhando no mundo inacessível dos Prateados, arrisca tudo e usa a sua nova posição para auxiliar a Guarda Escarlate - uma rebelião de Vermelhos - mesmo que o seu coração dite um rumo diferente. 

OpiniãoRainha Vermelha foi diferente do que estava à espera. Esperava um livro a que não tivesse dúvidas de que poderia concorrer, com facilidade, ao meu livro preferido de 2015. Foram tantas as coisas boas que ouvi e li sobre Red Queen, que não tive sequer em pensamento a ideia de não adorar a história, mas a verdade é que foi exactamente isso que aconteceu. 
Não adorei. Mas também não desgostei de todo. É um livro de poder, como a belíssima capa o indica mas, em comparação com outros do mesmo género, talvez não agrade a todos. O conceito de Vermelhos e Prateados lembrou-me um pouco a linguagem e a própria hierarquia utilizada em Alvorada Vermelha de Pierce Brown.

(Continua)

Confesso que tive alguns problemas em ambientar-me ao mundo e aos diferentes tipos de poder prateados, e penso que a autora esforçou-se demasiado para passar uma imagem "errada" da protagonista: uma Mare invejosa e, confesso, não fui fã. Eu queria uma protagonista única, alguém que sobressaísse no mar de personagens femininas que povoam os livros nos dias de hoje, no entanto, não obtive mais de que uma Katniss forçada. A forma apressada como Mare decide fugir com o seu amigo de infância Kilorn sem nenhum tipo de medo, insegurança ou saudade pela sua família torna a personagem fraca, a meu ver. Há um apressar da história que é desnecessário uma vez que, o enredo é de qualidade. Não era preciso.
Mas, Rainha Vermelha é um livro apressado. As conclusões dão-se no espaço de uma página, as soluções no espaço de um parágrafo. Há livros como Quando Éramos Mentirosos, que têm a capacidade de condensar uma história em poucas páginas, no entanto, infelizmente Victoria Aveyard, para mim, não soube expandir o leque de possibilidades e criar o suspense necessário para me prender à sua leitura.
Apesar da ideia ser boa, há demasiados clichês que torna Rainha Vermelha demasiado previsível. Sabemos o que vem a seguir porque já lemos antes. É quase como, o condensar de todas as histórias, desde A Seleção, Os Jogos da Fome, Alvorada Vermelha, num único livro e, para aqueles que não estão familiarizados com o género, percebo o porquê de adorarem: é uma novidade. Mas Mare, Kiliorn, a Rainha Elara Cal e Maven, são personagens que já vimos antes e, apesar das repetições, normais num género tão grande, nunca um livro me pareceu tão condensado de ideias de outras pessoas. Incluindo frases promocionais do filme homónimo. Uma revolução começa com uma faísca.
No entanto, o livro melhora, a história torna-se mais interessante, o final, ainda que previsível, é atraente, mas não corresponde de todo, às expectativas. É uma combinação dos livros mencionados em cima com o X-men e a sua protagonista, egoísta na sua essência, não me cativou, e atenção, eu adoro personagens dúbias, cujas acções são questionáveis, mas Mare ficou aquém. E, apesar de a autora referir uma verdade incontestável: que não pode colocar a revolução em causa devido a uma romance adolescente, é exactamente isso que faz e, de todas as coisas, isso foi o que mais me irritou.
A escrita é simples, por vezes poética, no entanto, desde o primeiro capítulo que somos bombardeados com conceitos de poderes prateados que não percebemos, não há espaço para a compreensão, o leitor é colocado directamente na frente de batalha. Os capítulos, alguns, tornaram-se aborrecidos pela imensa quantidade de tarefas quotidianas, o arranjar, o danças, os jantares, as aulas, blá, blá e peca, uma vez que não há apenas uma repetição da acção como de palavras. Penso que nunca li tantas vezes a palavra "logro".
Contudo, apesar das críticas, não é um mau livro, pelo contrário, penso que Rainha Vermelha é daqueles livros que são difíceis de opinar. Houve momentos de revirar os olhos. Houve momentos de sorrir. Houve definitivamente, momentos de atirar com o livro à parede. Rainha Vermelha é um primeiro livro numa série, e penso que está ainda a adquirir a sua própria personalidade.

The truth is what I make it. I could set this world on fire and call it rain.


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