Sinopse: Este tem sido um Verão ainda mais insuportável que o costume, para Harry Potter. Sozinho com os Dursleys, não consegue perceber por que razão Ron e Hermione lhe enviam respostas tão vagas às suas cartas... Isolado do mundo mágico a que pertence, Harry segue atentamente os noticiários, convencido de que até os Muggles se aperceberão de alguma coisa, se Lord Voldemort voltar a atacar... E é então que os acontecimentos se precipitam. Parece impossível, mas, no bairro mais muggle do mundo muggle, Harry é emboscado por Dementors! Para salvar a sua vida e a do primo Dudley, Harry não tem outra hipótese senão usar magia - mesmo sabendo que isso significará a sua expulsão mais que certa de Hogwarts. Enquanto o Ministério da Magia continua a não acreditar que o terrível Senhor das Trevas está de volta, Voldemort e os seus fiéis Devoradores da Morte já começaram a preparar o seu regresso ao poder. Porém, há uma nova esperança: uma antiga Ordem secreta, da qual os pais de Herry fizeram parte, voltou a organizar-se - e Dumbledore está atento. 

OpiniãoEm Harry Potter e a Ordem da Fénix, o Ministério da Magia não quer aceitar que Lord Voldemort regressou. É possível fazer comparações com o mundo "real", já que muitas das vezes, os ditos políticos insistem em mentir ao povo até serem forçados a admitir a verdade perante a natureza óbvia dos factos, como aconteceu com Cornelius Fudge, Ministro da Magia sem que antes, no entanto, forçasse uma expulsão, seguida de uma suspensão e audiência disciplinar, face à execução de um Patronus, necessário para que Harry defendesse não só a sua vida como a de Dudley, o seu primo e aqui começam a aparecer algumas das minhas questões: Cornelius Fudge ouvira em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, Harry referir o feitiço de suspensão por parte de Dobby após ter insuflado a tia, então porquê a reacção exagerada? Eu compreendo que não queira dar parte de fraco ou admitir que o sabia, querendo sim dar a entender que Harry é um tresloucado, mas ele devia, pelo menos, mostrar algum reconhecimento, a não ser que o tivesse completamente ignorado no terceiro volume.

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Para além disso, regressando às questões mais lógicas em relação à magia, quando a Guarda Avançada vai resgatar Harry de Privet Drive, eles realizam um conjunto de feitiços, desde o de iluminação, até ao de mobilidade, no entanto, não era suposto não haver qualquer tipo de magia na casa dos Dursleys, uma vez que Harry fora "condenado" por utilização incorrecta da magia e, como penso que irá ser explicado nos volumes posteriores, uma vez que Harry é o único feiticeiro residente em Privet Drive, o uso da magia apenas é implicado à sua pessoa? Nunca sabemos muito bem se o Ministério está ou não a par da saída de Harry de casa dos tios devido também à relação turbulenta entre Dumbledore e Fulge.
Em relação ao Patronus em si, fiquei tocada por ser a imagem de Ron e de Hermione que fez com que Harry fosse capaz de produzir o feitiço, e igualmente curiosa, - tal como o Harry - sobre o que Dudley, com a sua vida facilitada e feliz, pudesse ouvir com a aproximação dos Dementors que, como sabemos, mostram as piores recordações de uma pessoa sugando a felicidade, mas encontrei rapidamente a resposta, segundo J.K.Rowling: "My feeling is that he saw himself, exactly for what he was, and for a boy that spoiled, it would be terrifying. So he was jolted out of it. Dementor attacks aren't ussually good for people, but this one was".
Mas a presença dos Dementors não é a única surpresa, uma vez que descobrimos que Arabella Figg, a vizinha doida por gatos de Harry em Privet Drive é uma cepatorta, à semelhança de Argus Filch, incapaz de fazer magia, esteve encarregada de olhar por Harry durante os últimos anos, embora tal tenha sido brevemente referido em Harry Potter e o Cálice de Fogo. Mas, não é a única, uma vez que, tal como Mrs. Figg há muitas - dado o tamanho do livro, - caras novas e que incluem Mundugus Fletcher - igualmente referido no volume anterior - Nymphadora Tonks, uma metamorga, ou seja, uma feiticeira capaz de mudar a sua aparência como bem lhe apetecer, Kingsley Shacklebolt, Dedalus Diggle - que fez a sua aparição em Harry Potter e a Pedra Filosofal - Elphias Doge, Emmeline Vance, Sturgis Podmore, Hestia Jones, Kreacher, o elfo doméstico da casa dos Black, Luna Lovegood e Dolores Jane Umbridge, entre outros alunos e Devoradores da Morte referidos brevemente nos quatro livros anteriores.
O meu destaque vai, obviamente, para as duas personagens novas: Luna Lovegood e Dolores Umbridge. Luna tem algo de fantástico. Ela pura e simplesmente, não quer saber o que as pessoas pensam dela, bem ou mal, para além de acreditar nas coisas mais excêntricas. Não conheço nenhum leitor que não se tenha apaixonado imediatamente por Luna. Além de que, ela representa, pela primeira vez, a amizade de Harry com alguém pertencente a outras casas para além dos Gryffindor. Luna "cresce" em Harry, do mesmo modo que o faz em nós, meros leitores, de tal modo que, após a luta no Departamento dos Mistérios, é a única que consegue "amainar" a dor de Harry - além de que as suas interacções com Hermione, uma mente brilhante mas presa aos factos, são um doce de leitura. Por sua vez, Dolores Umbridge representa um mal que, todos os que algumas vez foram estudantes, podem relacionar-se, dando-lhe uma caracterização tal que a odiámos, ainda mais que a Lord Voldemort. Ela é real. E, citando Stephen King: Dolores Umbridge é "the greatest make-believe villain to come along since Hannibal Lecter". Todas as suas acções são pelo prazer de mal-tratar, ao menos Lord Voldemort tem um objectivo.
Em Harry Potter e a Ordem da Fénix, sabemos mais - também era melhor, dado as 750 páginas. Conhecemos pela primeira vez o Ministério da Magia e como se divide ou se organiza, para além de que temos uma melhor noção sobre as possibilidades de carreiras, visto que Harry, Ron e Hermione estão no seu ano dos Níveis Puxados de Feitiçaria, ou NPF's, que, à semelhança dos exames Muggles, podem decidir a sua carreira.
Ao nível do Ministério da Magia, destaco o Departamento dos Mistérios que, para mim, foi um dos locais mais interessantes até agora apresentado. Gostei particularmente da Câmara da Morte e a questão do véu que sempre me intrigou, mas a que nunca procurei resposta. Mas, na verdade, J.K.Rowling já mencionou esta questão e refere-se ao véu como "the divide between life and death. I tried to do a nod to that in The Tale of Three Brothers - she was separate from them as though through a veil. You can't go back if you pass through that veil, you cannot come back. Or you can't come back in any form that will make either person happu anyway". Portanto, podemos assumir que as vozes pertencem aos mortos, mas, apenas Harry e Luna parecem conseguir ouvi-las e fui imediatamente arrastada para a conclusão de que isso pode estar relacionado com as perdas directas que sofreram: Luna a mãe, Harry os pais, Hermione, Ron e Ginny não perderam familiares ou pessoas queridas e os pais de Neville encontram-se vivos. Mas, mais uma vez, fui arrastada para uma mentira. Todos as ouvem.
Luna, acredita em tudo, como já foi referido, tem uma mente muito aberta e acredita firmemente na vida depois da morte como vemos no último capítulo. Harry, ouve as vozes e é atraído por elas, porque tem uma característica peculiar para um rapaz de quinze anos: ele é atraído para a morte, ou está rodeado pela morte, pelo que a sua curiosidade em relação a ela é maior. Hermione, racional, ouve-as, daí a sua reacção exagerada de querer afastar-se do véu. Ron está assustado, não refere se ouve ou não as vozes. No entanto, Neville e Ginny, foram forçados a afastar-se e, segundo J.K.Rowling "Ginny and Harry really are soulmates. I think she's like Harry". (aqui)
Mas, para além da Câmara da Morte, intrigou-me a porta trancada que, segundo Dumbledore, é onde se estuda o amor. É algo que não consigo logicamente conceber mas que, segundo o site Pottermore é onde se estuda e se tenta duplicar a protecção que o sacrifício por amor cria, a única magia suficientemente forte para combater a maldição da morte. Para além dessas, à outras salas onde se estuda o espaço, o tempo - na qual se destruiu todos os Vira-Tempo, não há cá mais regressar ao passado - o pensamento, e a sala das profecias.
A profecia. Não fiquei - na minha primeira leitura - chocada com o que a profecia mencionava. Harry e Voldemort são antíteses e, para mim, sempre foi óbvio que um ia acabar por ter de matar o outro, no entanto, gostei da escolha de palavras: "nenhum pode viver enquanto o outro sobreviver" e, na minha opinião, isto quer dizer que o Harry não pode viver enquanto o Voldemort viver, sob que forma for, incluindo uma mera sombra, como em Harry Potter e a Pedra Filosofal. O que me chocou verdadeiramente foi o facto de ter podido ser Neville o escolhido, isto porque não reparei que, na legenda do globo: "SPT para APWBD, Senhor das Trevas (?) Harry Potter", o ponto de interrogação servia para definir a indecisão de Lord Voldemort, sendo posteriormente o nome de Harry acrescentado. Aqui, penso que o facto de Harry e Neville serem os únicos em combate no Departamento dos Mistérios, não foi coincidência.
Mas, para além do Departamento dos Mistérios, somos apresentados a Grimmauld Place, nº12 e à "harmoniosa" família de Sirius, na qual se inclui Kreacher, e onde descobrimos a existência da Ordem da Fénix e um pouco dos planos de Voldemort, assim como ainda que em código, a existência da profecia, além de que, é mencionado pela primeira vez Regulus Black, o irmão mais novo de Sirius que tem um papel fundamental nos livros seguintes e que, confesso, não sabia que tinha apenas 15 anos de idade aquando a sua morte. O Hospital de São Mungo foi, tal como o Ministério da Magia, um local extremamente interessante, quer pela organização quer pela existência dos Curandeiros em oposição aos Médicos e onde ficamos, não só a saber o paradeiro de Gilderoy Lockhart, como da situação, já anteriormente mencionada em Harry Potter e o Cálice de Fogo, dos pais de Neville, Frank e Alice Longbottom, numa cena de partir o coração.
Um dos meus capítulos favoritos - não consegui escolher apenas um - é A Profecia Perdida pela proximidade de Dumbledore e pela dor quase palpável de Harry. É também um dos meus capítulos mais queridos porque foi a primeira vez - na minha primeira leitura - que chorei e deitei cá para fora quase os pulmões com a morte de um personagem, para além da vulnerabilidade que Dumbledore mostrou e o amor e carinho com que se referia a Harry: «preocupava-me mais com a tua felicidade que com o facto de ficares a conhecer a verdade, mais com a tua paz de espírito que com o meu plano, mais com a tua vida que com as vidas que se poderiam perder, se o plano viesse a fracassar. (...) Que me importava a mim, se algumas pessoas sem nome nem rosto fossem mortas num futuro vago, se no aqui e agora eu soubesse que tu estavas vivo, de saúde e feliz?». É também neste capítulo que conhecemos, finalmente, a razão porque Harry tem de regressar todos os verões a Privet Drive e, ao ler as passagens de Dumbledore, Petúnia redimiu-se um pouco aos meus olhos porque, ainda que contrariada, ela protegeu Harry, o filho da sua irmã e, como vemos no início, é a única da família que compreende, quase tanto como ele, o significado do regresso de Lord Voldemort. A minha frase predilecta pertence a este capítulo e pertence a Dumbledore:"É frequente a indiferença e a desatenção causarem muito mais estragos que a antipatia pura".
Harry Potter e a Ordem da Fénix é um livro significativamente diferente dos quatro anteriores. Harry e Dumbledore são alvos de escárnio, mesmo por pessoas próximas como, no caso de Harry, Seamus Finningan e, Harry tem a sua primeira experiência amorosa com Cho Chang que, não me convenceu de todo. Li, há uns tempos atrás, provavelmente em algum artigo perdido ou ouvi em alguma entrevista que J.K.Rowling afirmava que Harry precisava de uma mulher forte a seu lado, dado o seu passado, alguém que fosse capaz de ser a mulher do «rapaz que sobreviveu» e, obviamente, Cho, apesar de, certamente, ser uma personagem forte, não considero que seja alguém com uma grande personalidade. E aqui, realço Ginny Weasley que tem, a meu ver, um salto enorme de desenvolvimento. Ela diverte-se, sai com outras pessoas, ela conforta Harry quando ele pensa que foi possuído por Lord Voldemort, além de que, ela luta ao lado de Harry.
Sirius Black é uma personagem que também sobressai e, embora consiga sentir alguma compaixão pela sua situação, não posso deixar de dar razão a Mrs. Weasley quando afirma que Sirius começa a não distinguir Harry do pai, actuando mais como melhor amigo do que como protector ou guardião. Mas o amor está lá e é inegável, tanto que em A Profecia Perdida, o laço entre os dois, referido por Dumbledore, foi o que levou Lord Voldemort a usar Sirius como suposto isco e é a emoção de que, se morrer, irá ver Sirius outra vez, não a mãe ou o pai, mas Sirius que obriga Lord Voldemort a afastar-se.
"Sirius apenas quis cinco coisas durante o curso da sua vida: afastar Regulus Black dos Devoradores da Morte, nunca mais regressar a Grimmauld Place, convencer o mundo de que não era como a sua família, proteger James, Lily e Harry. O que aconteceu: perdeu o irmão, foi obrigado a regressar a Grimmauld Place, foi parar a Azkaban acusado de ser um Devorador da Morte, e as suas acções levaram à morte de Lily e James, morrendo ao tentar proteger Harry."
Para além de Sirius, a atitude de Harry muda drasticamente em Harry Potter e a Ordem da Fénix. É claro que todos já ouvimos falar da chamada "idade parva" e Harry, não podia ser excepção: parece prestes a explodir a qualquer comentário mais depreciativo e a sua arrogância atinge picos nunca antes vistos, achando-se, por breves momentos, o melhor, no que toca a Ron e, até mesmo, Hermione.
Como já referi, A Profecia Perdida foi um dos meus capítulos favoritos, mas não o único. A pior recordação de Snape, iguala-a. A cada volume, descobrimos mais sobre Lily, James, Snape, Sirius, Lupin e Peter e, percebemos, mais ou menos, de onde vem o feitio de Harry, uma vez que James é-nos apresentado como extremamente arrogante e convencido. Porém, há, indubitavelmente, uma atenção maravilhosa aos detalhes. J.K.Rowling afirma que é a "pior recordação de snape" mas não pela questão do bulling por parte de James ou de Sirius que, descobrimos, ser frequente entre os três, mas por ser o momento que leva à ruptura da amizade com Lily, contudo não vemos isso. O que vemos? Snape a ver maldoso para Lily, uma situação em que não pode haver amor, afinal ele chamou-lhe Sangue de Lama. Trocas e Baldrocas. Para além dos capítulos já mencionados, diverti-me imenso a ver as "lutas" entre a professora McGonagall e Umbridge, e emocionei-me com a dedicação da primeira aos alunos, à forma como é tão dedicada à sua profissão, além de que faz parte de um dos melhores plot twist que alguma vez li - "come um biscoito".
No entanto, como nas opiniões dos quatro livros anteriores, não pude deixar de fazer algumas questões. Em Harry Potter o Cálice de Fogo, como mencionei na respectiva opinião, as carruagens continuam invisíveis mas, no início do quinto ano lectivo, são claras como a água. O que mudou durante as férias de verão? Aliás, Harry já não tinha assistido a duas mortes? Pelo menos à da mãe que morreu a tentar protegê-lo. Ou é necessário ter consciência e lembrança da morte para ver os cavalos alados? Outra das questões refere-se à protecção da escola, uma vez que é referido várias vezes no decorrer da série que não é possível sair do castelo, há muitas protecções, etc, no entanto, Fred e George não tiveram quaisquer problemas. 
Mais uma vez, refiro que é extremamente divertido reler uma série que significou tanto para mim durante o decorrer da minha infância e que agora, completa, consigo perceber determinados detalhes que não reparei durante as primeiras leituras, por exemplo, não tinha reparado que o duende e o elfo da Fonte Mágica é que ficaram responsáveis de ir chamar Fudge, de tal modo estava embrenhada na luta entre Lord Voldemort e Dumbledore. Não reparei igualmente que Moody foi directo a Tonks, após a luta, ou que Kingsley enfeitiçou Marietta, no gabinete do professor Dumbledore, ou como o assassino de Bode esteve mesmo à frente de Harry na fila para a recepção no Hospital de São Mungo, ou no facto de no Cabeça de Javali o proprietário lhe parecer vagamente familiar (Abeforth), de que o LE, é uma sigla para Lily Evans, que o instrumento de Dumbledore mostra uma serpente a dividir-se em duas, uma alma fragmentada, talvez? E, uma que, nunca tinha reparado antes, foi o facto de que, durante as aulas de Oclumância, Snape aparece mais pálido e colérico depois de ver, nas memórias de Harry, o reflexo de Lily e James no espelho dos invisíveis ou que o Pensatório servia para ele "esconder" o que não queria que Harry visse. 
Há, igualmente, algumas partes que captaram a minha atenção, uma das principais, pensada por Harry "dissesse Dumbledore o que dissesse, nunca iria perdoar Snape...nunca" - irónico. Nunca, e eu li com atenção, foi referido o medalhão entre as coisas que tentaram deitar fora ou que estavam no "quarto" de Kreacher, embora saibamos que ele estava efectivamente lá. Outra que, ao reler, fiquei a sentir-me uma idiota, é o discurso de Petúnica: "ouvi...aquele rapaz horroroso...contar-lhe a ela...há muitos anos". Como Harry conclui que a tia se refere ao pai, concluímos que Petúnica refere-se a James e não a Snape, como descobrimos no último volume. Para além disso, Fabian e Gideon Prewett, referidos pelo menos duas vezes, são irmãos de Molly, tios maternos de Ron, facto que desconhecia por completo. Típico de J.K.Rowling...

Indifference and neglect often do much more damage than outright dislike.





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