Sinopse: Faltavam ainda algumas semanas para o fim de mais umas horrendas férias de Verão com os Dursleys, quando Harry ouve a triste notícia da vinda da detestável tia Marge! Quebrando as leias de Hogwarts, Harry não resiste a usar os seus poderes de feiticeiro e acaba por abandonar a casa dos tios, deixando a perplexa tia Marge, mais inchada do que um balão, a flutuar junto ao tecto da cozinha dos Dursleys... Mas este terceiro ano de Harry Potter na Escola de Magia e Feitiçaria esconde perigos insuspeitados. De Azkaban, a prisão-forte par feiticeiros, evade-se o prisioneiro mais temido, Sirius Black, que muitos dizem ser o fiel servidor de Voldemort, o Senhor das Trevas. E porque repetiria ele, durante o sono, a frase: «Ele está em Hogwarts...Ele está em Hogwarts?» Estaria a referir-se a Harry Potter? Tudo indica que sim. O nosso herói não está a salvo nem mesmo dentro das paredes da Escola agora que o lado negro está a reunir as suas forças. A atmosfera em Hogwarts torna-se cada vez mais tensa. Quem é afinal Sirius Black? Porque é que os Dementors, os guardas de Azkaban têm um efeito tão devastador sobre Harry? Haverá realmente um traidor entre os seus amigos de Hogwarts? A cada nova aventura, Harry enfrenta forças mais poderosas, a cada nova aventura, levanta-se um pouco mais o véu que esconde os mistérios da sua família... 

OpiniãoHarry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é o ponto de viragem. É o primeiro livro onde Voldemort não é a ameaça - directa - e onde um véu começa a ser levantado em relação ao passado e começa a haver, pela primeira vez, uma maior menção às personalidade de James e de Lily e não apenas ao seu aspecto físico - «és tão parecido com o teu pai, mas tens os olhos da tua mãe». James e Lily começam a tornar-se pessoais e é a primeira história secundária a existir e há a compreensão de que acontecimentos passados na adolescência dos pais do nosso herói, levaram a muitos dos acontecimentos presentes.

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E, mais uma vez, e esta é apenas a minha opinião que vale o que vale, realço a beleza que é a escrita de J.K.Rowling e a forma como consegue escrever nas entrelinhas. Dou vários exemplos: Scabbers que aparece desde Harry Potter e a Pedra Filosofal, é um Animagus. E, mesmo no momento em que sabemos que Peter Pettigrew perdeu um dedo e que Scabbers não tem um dedo, o nosso cérebro continua a não aceitar porque Scabbers está presente desde o dia um - sentimos-nos enganos e ultrajados.
Este é um exemplo relativo aos dois primeiros volumes mas, se, como eu, já leram a série inteira mais do que uma vez, conseguem perceber um maior número de detalhes e de "pistas" ao lerem com um olhar mais crítico. Dou novamente exemplos: «um dos espiões informou-o» (a Dumbledore) de que havia um traidor entre o grupo íntimo dos Potter. Todos sabemos quem é o espião. Peter Pettigrew fica em dívida para com o Harry, uma «magia da mais profunda, da mais impenetrável», o que se assemelha muito à criada por Lily para proteger o Harry e que vai ter frutus no futuro. Há o aparecimento das carruagens "invisíveis". Harry, antes do jogo de Quidditch tem um sonho peculiar, sobre seguir um patronus que cavalga numa floresta - parece familiar?
Em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban há um conjunto de novidades que tornam o livro ainda mais interessante. Há uma primeira amostra do contacto entre o Ministério da Magia e o Governo dos Muggles, para não falar de uma maior presença de Cornelius Fudge e da menção de Azkaban, - já referida anteriormente em Harry Potter e a Câmara dos Segredos - e aos Dementors, uma personificação da depressão, sendo uma metáfora para as próprias vivências da autora e que cujo tratamento pós-ataque , eu achei um facto curioso, é o chocolate - o chocolate melhora tudo! E, mesmo em Hogwarts, há novas disciplinas: Cuidados com as Criaturas Mágicas, Adivinhação, Runas Antigas, Artimância, Estudo dos Muggles, há tópicos mais interessantes como Animagus, Lobisomens, Hipogrifos e Crookshanks, que nunca ficamos realmente a saber o que ele é, no entanto, segundo o Pottermore: He is half-Kneazle, as evidenced by his lion-like appearance, ability to solve problems on his own without aid or teaching, and clear dislike of and ability at recognising untrustworthy persons (even if they are transfigures).
Há igualmente o aparecimento de personagens novas e mais interessantes nomeadamente, a Professora Trelawney - uma das suas frases às quais procurei um significado foi dirigida a Parvati Patil - «cuidado com um homem de cabelos ruivos», e penso que isso pode ter um qualquer significado num momento específico do quarto livro, mas não tenho a certeza - Cho Chang, Cedric Diggory, Remus Lupin, Sirius Black e Peter Pettigrew. E, uma das coisas de que mais gostei foi da carga emocional que começa a solidificar ou o desenvolvimento de uma personalidade e aqui, destaco Neville Longbottom que, apesar de muitos questionarem o porquê de estar nos Gryffindor, mostra uma extrema coragem em admitir um erro, numa situação em que podia passar despercebido.
Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban é, no entanto, um dos livros mais criticados devido ao tópico das viagens no tempo e à utilização do Vira-Tempo: porque é que não voltamos atrás e matamos Tom Riddle em criança? Porque é que não voltamos atrás para mudar certas e determinadas mortes? É normal as pessoas questionarem-se sobre isso e mesmo J.K.Rowling admitiu, penso eu, que li algures, que gostava de ter explorado melhor a ideia do Vira-Tempo. Mas, ao criticar a não utilização do Vira-Tempo noutras ocasiões, estão a colocar em causa toda a história. Hermione explica que coisas horríveis aconteceram a feiticeiros que mexeram com o tempo. Isso devia ser explicação suficiente.
Há uma passagem que me chamou particularmente a atenção e que se passa durante o banquete de boas-vindas, e na qual Snape olha para Lupin exactamente do mesmo modo como olha para Harry, evidenciando o laço que há ou havia, entre Lupin e James e o quão Harry se parece com o pai. E o próprio ódio de Snape torna-se algo digno de interesse devido às suas motivações, nomeadamente no que toca a Neville porque, para além de Harry vemos, especificamente que a autora menciona Neville como o segundo a sofrer mais com as implicações do professor durante as aulas e, mais à frente, no decorrer da série, percebemos que houve uma escolha dupla que podia ter mudado o rapaz que sobrevivia e, consequentemente, os pais desse rapaz, nomeadamente a mãe de um dos rapazes, que podia continuar viva. MindBlow
No entanto, tal como em Harry Potter e a Pedra Filosofal e em Harry Potter e a Câmara dos Segredos, tenho algumas questões. A primeira e mais óbvia: como é que Sirius Black conseguiu oferecer a Flecha de Fogo a Harry? Ele explica que deu qualquer coisa ao gato de Hermione para ele ir levantar o dinheiro a Gringotts. Mas qual é a distância? A Hermione não reparou na ausência do seu gato? Como é que um gato compra uma vassoura? Como é que paga? Um cheque que foi levantado, talvez? Inclino-me mais para a última hipótese mas, é algo que me fez confusão. Outra questão, desta vez relativa ao Mapa dos Salteadores: como é que o Fred e o George sabiam o que dizer à folha de pergaminho, considerando que quando Snape procurou lê-lo, o papel limitou-se a insultá-lo? Ele reconhece os transgressores? Para além disso, há apenas duas menções à doença de Lupin, uma na qual Snape o substitui durante uma aula e outra no Natal, pelo que, para o leitor seria difícil adivinhar a natureza do professor. Como é que o Harry prepara-se para matar alguém usando a varinha se o feitiço da morte é apenas mencionado no quarto livro? Para além destas, há outras com uma conotação mais turística, ou seja, vão abordar os próximos livros mas que vão de encontro ao que se diz, e aqui, refiro-me sobretudo ao Ministro da Magia, Cornelius Fugde, que aceita o facto de em Harry Potter e a Câmara dos Segredos Harry ter recebido um aviso oficial porque um elfo doméstico destruiu um pudim na casa dos Dursleys, porque é que questiona a veracidade das suas afirmações, depois?
Pessoalmente, acho a história de Moony, Padfoot, Wormtail e Prongs extremamente tocante e é, sem dúvida, uma das melhores histórias secundárias de Harry Potter que, devo dizer, foi tão mal explorada nos filmes. A história de amizade entre os quatro, no qual se inclui Peter Pettigrew e a forma como Remus Lupin durante doze anos, acreditou que era o único que restava do grupo de amigos que outrora significou tanto para ele é de partir o coração. Para mim, Remus Lupin foi a personagem que mais se destacou em Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban, representando o preconceito que reina na nossa sociedade. Remus Lupin é uma das minorias. Algo que J.K.Rowling quis que apreendêssemos: que não podemos julgar alguém pelas características com as quais nascem ou que, infelizmente, adquirem ao longo da vida, mas sim pelos seus actos. O meu capítulo favorito foi Moony, Wormtail, Padfoot e Prongs, pelas razões acima citadas e, mais uma vez, uma das frases que me marcou pertence a Albus Dumbledore: «pensas que os mortos que nós amamos nos deixam verdadeiramente alguma vez?» A very powerfull sentence.

You think the dead we loved truly ever leave us? You think that we don't recall them more clearly in times of great trouble?





4 Comentários

  1. ADOREI a opinião :D
    Eu acabei de reler o último há duas semanas. E ainda bem que o fiz porque fiquei a gostar mais do que tinha gostado. Ler todos seguidos sem anos de espera muda tudo. Até porque os filmes estão muito, muito aquém dos livros, perdendo-se informação muito importante.

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    1. Obrigado pelo comentário :) e sim, já não relia a série inteira à muito tempo, muitas das vezes tentava, mas ficava apenas pelo terceiro livro, mas agora estou determinada a acabar, especialmente porque é super interessante ler com "olhos de ver" e perceber as pistas que mesmo nas mil leituras anteriores passaram despercebidas de tal modo que estava embrenhada na história.
      E sim, os filmes para mim, pelo menos o terceiro e o quinto foram uma decepção - o quinto nem se fala - e no último o que mais me irritou foi mesmo a crueldade que fizeram com as memórias de Snape :/ as crianças nem falaram...

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  2. Ontem revi o 6º filme e... desilusão! Quanto mais gosto dos livros menos gosto dos filmes. Perde-se tanto! Agora faltam-me rever os últimos filmes.

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  3. O filme que menos gostei foi a Ordem da Fénix, aquele início tirou-me do sério, mas o Príncipe Misterioso não ficou atrás, aquela Ginny não é a Ginny que eu imagino quando estou a ler os livros, demasiado "sem sal". Em relação aos últimos dois filmes, para mim, a parte das memórias está pessimamente desenvolvida e quando estava no cinema já não sabia se estava a chorar pela fraca qualidade ou pelas imagens em si. xD

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