Sinopse: Lena Duchannes é diferente de qualquer pessoa que a pequena cidade sulista de Gatlin alguma vez conheceu. Ela luta para esconder o seu poder e uma maldição que assombra a família há várias gerações. 
Mas, mesmo entre os jardins demasiados crescidos, os pântanos lodosos e os cemitérios decrépitos do Sul esquecido, há um segredo que não pode ficar escondido para sempre. Ethan Wate, que conta os meses para poder fugir de Gatlin, é assombrado por sonhos de uma bela rapariga que ele nunca conheceu. Quando Lena se muda para a mais ínfame plantação da cidade, Ethan é inexplicavelmente atraído por ela e sente-se determinado a descobrir a misteriosa ligação que existe entre eles. 


OpiniãoCriaturas Maravilhosas não é exactamente um livro recente. Está há venda, traduzido para português desde 2010, penso eu. Mas, considerando que o último da coleção Redenção Maravilhosa saiu este mês, decidi reler a história de Lena e Ethan para me entranhar novamente no mundo, antes de concluir a série.
Mais uma vez, ao não ser um livro recente, não me lembro de quantas vezes já o li. O meu exemplar tem a capa gasta, as páginas remexidas, cheias de notas e de post-it, e de riscos de lápis e caneta, como se eu própria fosse uma qualquer Lena incapaz de deixar o livro intocado. A verdade é que Criaturas Maravilhosas foi um dos livros que me tomou de surpresa, que me deixou incrivelmente maravilhada e que não me importo de rever.
Inclui tudo o que mais adoro, personagens cativantes, um background forte e estável, recheado de histórias e da própria história, propriamente dita, uma vez que se intersecta com a Guerra Civil Americana e, como uma boa amante da história, não podia deixar de lado.
A verdade é que acaba por ser uma história de amor, ou várias formas e histórias de amor. É um conceito confuso porque inclui Lena e Ethan, mas não só. Há plots fantasmas, entre as linhas. Há um passado bem marcado entre as páginas que acaba por colidir com os protagonistas de frente. Há mortos que ganham vida nos pensamentos dos personagens, como a mãe de Ethan, Lila, e há personagens vivas que estão mortos nos pensamentos dos personagens. É um livro de antónimos, recheados de conceitos como: Luz/Trevas, Bem/Mal, Amor/Ódio, Morte/Vida. E, qualquer que seja a opinião, má ou boa das outras pessoas, eu adoro Criaturas Maravilhosas por aquilo que representa. Uma história, dentro de outra história, rodeada de dezenas de outras histórias.
A ação decorre na fictícia Gatlin, provavelmente não tão fictícia para aqueles que, como Ethan viveram na mesma casa a vida toda, numa vila pequena, onde cada pessoa conhece o vizinho desde o nascimento e cujos filhos conviveram uns com os outros desde o jardim-de-infância. Se há coisa que Criaturas Maravilhosas explora bem, é o conceito das cidades/vilas pequenas e do facto de toda a população ter sempre alguma coisa a dizer como se nós, enquanto indivíduos, pertencêssemos àquelas pessoas e vice-versa. «Era isso que eu mais detestava em Gatlin. O facto de toda a gente ter algo a dizer sobre tudo o que dizíamos ou fazíamos ou, neste caso, vestíamos».
E, a verdade é que Ethan Lawson Wate, apesar de pensar que é diferente de todos os outros, acaba por ser igual. Esconde o seu gosto pela leitura. Classifica as raparigas de acordo com Graus de Queimadura. Respode à chamada de manhã, com a equipa. Não distoa daquilo que é esperado dele, porque Gatlin não permite que ninguém seja diferente, ou pelo menos, as pessoas que governam Gatlin.
E aqui, tal como explora muito bem o conceito das cidades pequenas, explora de forma maravilhosa a pressão dos pares e o conceito de bullying. «A sobrinha de Macon Ravenwood? Mas o que é que se passava comigo?» Mas Ethan apercebe-se disso. «É que ela fazia-me perceber o quanto eu era igual a todos os outros, mesmo que quisesse fingir que não era».
A verdade é que Criaturas Maravilhosas tem, não vou negar, muitos clichês - o romance ainda antes da vista com os sonhos inexplicáveis, a atração quase à primeira vista, as meninas de claque, os desportistas, a eletricidade que os percorre sempre que se tocam, o Celtismo, entre outros. MAS, na minha opinião, são clichês que são essenciais à magia do livro e que pecam por serem no início, o que leva a que muitas pessoas desistam da leitura, ou mais comumente, vão de pé atrás o que não permite que se deixem emergir na história de alma e coração, porque, se há coisa que Criaturas Maravilhosas tem, é a originalidade do conceito.
Encantadores das Trevas e da Luz. Uma forma mais elegante de dizer Bruxas, mas não exatamente. Eles têm poderes, mas não são exatamente magos ou feiticeiras. Têm poderes muito próprios. Desde Sibilas, a outros com nomes complicados, Cataclistas ou Naturais, como Lena, que consegue, de forma simplista, controlar os elementos.
Confesso que começo, realmente a entrar na história a partir do momento em que Lena admite a realidade da sua natureza a Ethan, porque até lá, é muito irreal. Ethan não se apercebe, ou apercebe mas não diz, da diferença de Lena e aqui destaco o facto de ela brincar com as nuvens, a mão esticada para não embater no carro, no primeiro encontro deles no meio da chuva. E mesmo as revelações são quase previsíveis, ou pelo menos, quando nos são expostas, perguntamos como é que eles não perceberam, ou não se questionaram: O facto de Ethan ter-se referido ao encontro com Amma e Macon e ouvi-los a dizer Sara... e depois calarem-se, o facto de haver a menção a Sarafine e de Lena não perceber que podia ser a sua mãe, embora seja perceptível o porquê: ela achava que eles estavam mortos.
Muita da magia ronda o medalhão e a história de Genevieve e de outro Ethan e a Guerra Civil Americana, e a origem da maldição da família Duchannes e a própria história dos Encantadores. Mas, para mim, a magia está para além da história, nos personagens, Ethan é o Mortal, e é o narrador da história e não é, de todo, difícil entrar na cabeça dele e pensar com ele. Foi uma das primeiras histórias em que o protagonista é masculino e não é ele quem tem os poderes mas sim a namorada/interesse amoroso, Lena: «quando ela me encarava, eu só conseguia pensar em como ela parecia ser inquebrável». E a verdade é que, durante as 472 página, dá-se uma grande importância às personagens femininas, às mulheres.
Para além de Lena que é, sem dúvida, uma das melhores personagens, com o seu feitio teimoso e até birrento, um perfil defeituoso que se traduz naquilo que é ser-se adolescente e estar-se assustado, temos a Amma, a governanta que basicamente criou Ethan, o poder das palavras dela e a forma como o seu humor era representado na comida e na quantidade da comida, a forma protetora com que lida com Ethan, «o meu rapaz», e a força com que ela tem só com um Olhar. Para além delas há uma menção às Senhoras das FRA ou Filhas da Revolução Americana que, basicamente, lideradas pela Sr. Lincoln que se impõe a qualquer homem, seja ele reitor da escola ou até governador, a Sarafine, a mãe de Lena, que parece liderar uma hoste não muito simpática de Encantadores Negros, e até Ridley, a prima de Lena que age com sexualidade, que sabe o poder que tem sobre os homens - o sexo fraco, como é mencionado. As Manas, tias-avós de Ethan e elas próprias são, uma força da natureza, mais idosas que sabe-se lá o quê, mas cheias de histórias e opiniões e de lutas. Mas para mim, a força feminina que se destaca, para além de Lena é a de Lila Evers, a mãe de Ethan que morreu num acidente de viação.
Lila Evers que, sendo uma presença indireta, tem especial influência nas ações de Ethan. «Eu não podia deixá-la a deambular sozinha debaixo daquela chuvada. A minha mãe tinha-me educado melhor do que isso». A forma como ele a recorda e como Lila de algum modo está presente não só no mundo dos Mortais como dos Encantadores. E percebe-se a solidão, o buraco negro que ela deixou, não só em Ethan e Amma, mas no pai de Ethan, Mitchell que se tornou num eremita.
Mas de forma equitativa com a força feminina que há em Criaturas Maravilhosas, surge Macon Ravenwood, o tio de Lena e uma das minhas personagens mais adoradas. É, um Íncubo que se alimenta de sonhos ao invés de sangue, e é uma personagem misteriosa e forte, ao mesmo nível de Amma. São forças opostas mas quando se trata da proteção de Lena e de Ethan, completam-se. Macon é igualmente uma daquelas personagens cujo passado é um mistério e, não percebo completamente a sua natureza, ele é um Encantador das Trevas? Mas conseguiu-se controlar? Então porque Lena não pode fazer o mesmo? Mas depois há referência de que não é um Encantador, então porque é que a sua irmã é? Há todo este conjunto de questões em termos de genealogia. Em relação ao passado de Macon há também menção a um amor por um Mortal «Em última análise serás tu a arcar com o fardo. É sempre o Mortal que arcar com ele. Vai por mim, eu sei».
O final é um tanto ou quanto dramático e com mil caminhos diferentes que se pode escolher. Mas sendo Trevas Maravilhosas o segundo livro, espera-se, tal como outros do mesmo género: Lua Nova, Lua Azul, Tormento, Crescendo, Sonhos Esquecidos, Insurgente, (...) dificuldades para o casal ou uma possível ruptura com a chegada de novos personagens (?) é geralmente esse o caminho tomado - o conflito. E sendo o nome Trevas Maravilhosas e, tendo em conta a morte, será um livro mais dourado, se é que me entendem.
Apesar da previsibilidade do amor entre os protagonistas que, basicamente está em exposição na capa para quem quiser ler, há um emaranhado intenso de outras questões e, mesmo com os clichês pelo meio, a leitura é amorosa e apaixonante para aqueles que se deixam levar pelo dramatismo, pelo medo e pela paixão que Kami Garcia e Margareth Stohl criaram. É um mundo que parece não ter regras ou ter regras pouco estabelecidas, mas que é BOM. É uma das minhas leituras favoritas, seja o que for que isso diga de mim.
Outros títulos da colecção Crónicas Encantadoras
*Criaturas Maravilhosas - adaptação cinematográfica aqui.
*Trevas Maravilhosas
*Caos Maravilhoso
*Redenção Maravilhosa
*Beautiful Creatures: The Untold Stories #1 #2 #3 #4

*Dangerous Creatures
*Dangerous Deception

*Dangerous Dream
*Dream Dark


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