Sinopse: No início éramos um grupo de nove. 
Três desapareceram, estão mortos. 
Agora sobramos seis. 
Eles estão a perseguir-nos e não vão parar até nos terem matado a todos. 
Eu sou o Número Quatro. 
Sei que sou o próximo. "
Numa pequena cidade do estado do Ohio, John Smith, de quinze anos, encontra pela primeira vez um verdadeiro amigo e uma rapariga por quem sente algo especial. Mas aquilo que é fonte de satisfação para qualquer adolescente típico pode revelar-se um desastre neste caso. É que John é um dos nove jovens que conseguiram abandonar o planeta Lorien antes de este ter sido destruído pelos Mogadorianos e, por esta razão,tem andado escondido toda a sua vida, mudando de identidade e de localização ao menor sinal de perigo. Agora John quer parar de fugir e enfrentar o seu destino. Os seu Legados - poderes extraordinários que lhe permitirão lutar contra os adversários - começam a manifestar-se e John tem todos os motivos do mundo parar querer ficar e ter enfim uma vida normal. Mas estará ele à altura do desafio que se avizinha? E não será o preço a pagar demasiado alto?

Book Trailer

OpiniãoPosso dizer que não sou grande fã de livros que, de algum modo, envolvam o espaço e criaturas alienígenas, no entanto, fui surpreendida. Sou o Número Quatro é o primeiro dos Legados de Lorien e, sem dúvida, que superou as minhas expectativas. O protagonista é John, ou Quatro, um adolescente de quinze anos que, aos cinco anos de idade foi obrigado a deixar o seu planeta de origem Lorien, com mais oito crianças.
Lorien era um planeta próspero, harmonioso e autossustentável e, com o passar dos anos, alguns dos seus habitantes começaram a desenvolver poderes com o objectivo de proteger o planeta. No entanto, Lorien foi atacado pelos Mogadorianos, uma raça pútrida que, perante a morte do seu próprio planeta, Mogadore, procurou o planeta habitável mais próximo, neste caso Lorien, para consumir os seus recursos. A população de Lorien foi extinta, para além daqueles que conseguiram escapar numa nave, as 9 crianças e os respectivos guardiões. Eles escaparam para o planeta habitável mais perto, a Terra e vivem entre nós, escondidos, procurando desenvolver os seus poderes, ou Legados, preparando-se para a grande batalha com os Mogadorianos que planeiam conquistar a Terra.
Mas para isso os Mogadorianos precisam de "despachar" os restantes Lorianos que são uma ameaça à sua existência. Mas, ao fugirem do seu planeta, as nove crianças, dotadas de poderes extraordinários ( as crianças são chamados de Garde) foram separados e numerados (1 a 9), graças a um encantamento. Esse encantamento proporciona-lhes um certo nível de segurança, pois só podem ser mortos pela ordem do seu número. A cada nova morte, os Garde ganham uma cicatriz no tornozelo, uma marca que serve para eles saberem quantos estão mortos.
Para mim, não há nada melhor do que começar um livro e sentir que estou realmente a compreender a complexidade da história. Sou o Número Quatro envolve muitas remanescências a um passado que não conhecemos e que nem sabemos existir e, aqui, as primeiras páginas, referentes também ao Número Três, mostram-se fundamentais. A forma como os autores, (Pittacus Lore é um pseudónimo para Jobie Hughes e James Frey) relatam a existência do Quatro é grande parte do encantamento do livro e é quase imediata a afeição ao protagonista.
Sou o Número Quatro começa com uma fuga. Primeiro a do número Três que acaba de forma desastrosa e depois a do Número Quatro que, sabendo que a próxima morte terá de ser a sua, foge com o seu guardião, ou Cêpan, Henri para Paradise, Ohio. Ao longo do livro há pequenas pistas que levam a crer que a ida para Ohio não foi acidental, que há um qualquer pormenor que os autores estão a deixar para os próximos volumes e penso que pode ter qualquer coisa a ver com o pai de Sam, um rapaz desengonçado, viciado no espaço e em conspirações alienígenas, cujo pai desapareceu misteriosamente, que rapidamente se torna o melhor amigo de John Smith, o nome humano que o Quatro adota.
Há um desenvolvimento psicológico do personagem, embora não seja totalmente óbvio. Esse desenvolvimento passa pela aceitação, com alguma resignação das palavras de Henri, para a oposição e rebelião e, parte dessa atitude está relacionada com outra personagem, criada para ser o interesse amoroso de John, Sarah que, de todos os personagens, é a que menos me encanta por ser tipicamente "pãozinho sem sal". Não há uma pinga de atitude naquela moça e, sinceramente, o seu aparecimento pouco ou nada contribuiu para o enriquecer da história. O seu único feito pareceu nada mais do que forçado.
Por outro lado, Sou o Número Quatro é elaborado ao torno de clichês, neste caso, chamado Mark James. Mark James é uma espécie de Draco Malfoy, há um desenrolar de sentimentos de ódio, de pena e por fim de aceitação em volta da sua pessoa. Um dos desenvolvimentos mais divertidos mas igualmente previsível foi a do pequeno beagle, o Bernie. Tal como mencionei anteriormente, os autores foram dando pequenas pistas desde literalmente o início (com a osga), às visões de John e até às corridas, de que Bernie podia não ser apenas um cão.
Uma surpresa maravilhosa foi a presença da Número Seis, o OPOSTO de Sarah. Lembra-me, para aqueles que estão familiarizados com Os Instrumentos Mortais, Isabelle Ligthwood. E, sinceramente, de acordo com o que Henri disse, de que eles talvez tivessem de partir, de que ele nunca iria amar uma humana do mesmo modo que amaria uma Loriana, para além das referências à filha dos melhores amigos do pai de John, parece-me que a Número Seis é a competição de Sarah e espero sinceramente que a escolha recaía sobre a Loriana.
Embora agradável, houve o seu quê de previsibilidade. Isto porque em quase todos os livros do mesmo gênero, o mentor, o guardião, o pai, seja o que for, acaba por morrer, deixando o pobre coitado por sua própria conta. É um facto que isto acontece com demasiada frequência, com o propósito de expôr o protagonista ao maior número de fracassos e de confrontos possíveis pelas más escolhas, proporcionando um maior desenvolvimento e afeição. Houve igualmente uma certa incoerência entre as atitudes de Henri ao longo do livro. Henri é todo "proteção e segurança", mas depois, com base numa mera revista, toma uma atitude quase adolescente e birrenta, sem nexo absolutamente nenhum, apesar do objectivo ser óbvio - o desenvolvimento dos Legados de John.
Sou o Número Quatro é uma história original, envolvente e fácil de agarrar. As cenas de ação são muitas e, sem dúvida que são um ponto alto do livro. Isto para além do componente de "realidade" que nos é apresentado. Pittacus Lore é um dos anciãos e é apresentado como o autor do livro. Os acontecimentos narrados são nos apresentados como reais com a referência de que os nomes e locais foram alterados para manter em segurança dos protagonistas. Não é, de todo, maçador ou de desenvolvimento lento. É muito fácil de ler e divertido. Recomendo.
Outros títulos da colecção
*Sou o Número Quatro - adaptação cinematográfica: aqui
*O Poder de Seis
*A Ascensão dos Nove 
*The Fall of Five
*The Fate of Ten

*The Lost Files


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