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Este mês de Fevereiro foi a desgraçada. Depois de um fantástico começo do ano, a primeira reading slump atacou com toda a sua força.
Sim, ainda fui capaz de ler quatro livros, o que é excelente mas, queria mais histórias, queria mais leituras - queria mais princesas e castelos, queria mais lutas e dragões, queria mais magia e romance
Infelizmente, há meses assim. Espero, rezo, para que seja o único. 
Quero mais autores portugueses, quero mais leituras novas, quero mais trilogias, mas sagas/séries, quero mais personagens fantásticas e de arrancar os cabelos. E, no fundo, quero mais tempo. 


Média das Leituras:



Sinopse: Um misterioso circo itinerante chega sem aviso e sem ser precedido por anúncios ou publicidade. Um dia, simplesmente aparece. No interior das tendas de lona às listas pretas e brancas vive-se uma experiência absolutamente única e avassaladora. Chama-se Le Cirque dés Rêves (O Circo dos Sonhos) e só está aberto à noite. 
Mas nos bastidores vive-se uma competição feroz - um duelo entre dois jovens mágicos - Célia e Marco, que foram treinados desde crianças exclusivamente para este fim pelos seus caprichosos mestres. Sem o saberem, este é um jogo onde apenas um pode sobreviver e o circo não é mais do que o palco de uma incrível batalha de imaginação e de determinação. Apesar de tudo e sem o conseguirem evitar, Celia e Marco mergulham de cabeça no amor - um amor profundo e mágico que faz as luzes tremerem e a divisão aquecer sempre que se aproximam um do outro. 
Amor verdadeiro ou não, o jogo tem de continuar e o destino de todos os envolvidos, desde os extraordinários artistas de circo até aos seus mentores, está em causa, assente nume equilíbrio tão instável quanto o dos corajosos acrobatas lá no alto

Opinião: Em O Circo dos Sonhos a magia existe escondida no meio de ilusões. Não há a necessidade de varinhas ou de feitiços, apenas de um dote natural ou de um estudo intensivo. Durante as quatrocentas páginas de Erin Morgenstern, dois pensamentos diferentes colocam tudo em causa apenas pela oportunidade de terem razão. Um desafio mortal que combina dois personagens diferentes mas complementares. Uma aventura que dura anos. Um jogo que existe no início da vida dos protagonistas e que culmina com o seu desaparecimento. 
O Circo dos Sonhos é um livro mágico. Em cada página é impossível de não sentir a aura de mistério que envolve cada uma das personagens, da mesma forma que é impossível determinar o desfecho. O próprio circo ganha a forma, por vezes, quase com vontade própria e, ao longo das páginas, dei por mim a importar-me mais com as tendas listradas do que com vozes que começava a conhecer. Erin Morgenstern deu vida a um romance belo, a um universo fascinante que é difícil de resistir, as primeiras páginas impulsionam-nos em frente até aquele momento
O momento de que falo é o exacto ponto em que O Circo dos Sonhos começou a tornar-se maçador. As páginas começaram a arrastar-se, umas atrás das outras. Os anos passaram e os pontos de vista alargam-se. Porque não há, um, dois ou três, pelo contrário, desde Célia, a Marco, a Poppet, a Bailey, a Chandresh, Isobel, Frederick, Hector, Alexander, as mentes, os pensamentos confundem-se e dei por mim a passar mais de metade do livro a desejar a mente de Célia, a tentar compreender o jogo
O Circo dos Sonhos é um livro misterioso mas a meu ver, há uma linha muito ténue que separa o misterioso do confuso e, para mim, o mistério rapidamente deu lugar à confusão. Não é difícil de imaginar o mundo fantasioso, o desejo de entrar e de participar em algo fenomenal porque enquanto leitores, essa é a base da nossa existência, mas os próprios alicerces da história baralham-se. A própria narrativa é confusa, avançando e recuando anos ao seu bel prazer. Ora estamos em 1902 ora recuamos para 1886. É algo certamente propositado mas que apenas aumentou o meu afastamento. 
Em O Circo dos Sonhos destacou-se o ambiente que a autora criou, a magia, a experiência de ver de fora um espetáculo que apenas podíamos desejar que fosse real. Mas, simultaneamente, não fez qualquer sentido. Na minha cabeça o final, confuso, não ajudou à sensação de perda e de confusão. Não foi um final satisfatório para quase uma semana de leitura. Sim, é um livro encantador mas não me envolveu o suficiente na sua aura de magia para que um dia venha a sentir falta


Outros títulos da colecção


Por Raquel Pereira



Opinião: Crepúsculo de Stephenie Meyer alcançou um patamar de sucesso que muitos autores apenas podem sonhar e as adaptações cinematográficas consequentes de uma procura massiva pela história de amor entre uma humana e um vampiro no grande ecrã resultou numa histeria massiva que acabou por provocar o afastamento de outros tantos. A verdade é que desde o início, a história de Isabella "Bella" Swan nunca se mostrou complicada, pelo contrário. Com uma premissa simples, a autora explorou a ideia de um amor proibido e usou a imaginação para criar uma nova espécie de vampiros.  
Em Amanhecer - Parte 2, a protagonista deixou a sua vida humana para trás e durante os primeiros minutos do filme assistimos ao desenrolar da vida familiar de Bella e de Edward, assim como ao desenvolvimento dos seus poderes enquanto imortal. A única preocupação é em relação a Reneésme que cresce a um ritmo demasiado acelerado para ser considerado normal. Infelizmente, o uso exagerado dos efeitos especiais, criou uma criança obviamente falsa mas simultaneamente parecida com a actriz Mackenzie Foy, resultando numa mistura nada apelativa. 
Em Amanhecer - Parte 2 há, pela primeira vez, uma atmosfera conspirativa e, quando os Volturi mostram as suas verdadeiras intenções, os actores escolhidos para interpretar cada um dos novos vampiros igualou a minha imaginação. Essa presença fresca levou a momentos mais dinâmicos e com humor mas que prejudicou o estabelecimento de uma relação visível e palpável entre Bella, Edward e Renéesme, pelo menos quando comparada à relação estabelecida pelo livro. 
Melissa Rosenberg, responsável pelo guião, criou um momento de horror e de surpresa entre os apaixonados pela história. O final, recheado de morte e de dor foi uma surpresa ao nível da coreografia das cenas de acção, dos efeitos especiais e da intensidade. Ao contrário do livro e do seu final anti-climático em Amanhecer - Parte 2 podemos ver como as coisas poderiam ter corrido se Stephanie Meyer não quisesse um final feliz. Amanhecer - Parte 2 é o encerrar de um ciclo de uma história de amor que encantou milhares. E fê-lo muitíssimo bem. 


Outros títulos da colecção
*Crepúsculo - adaptação cinematográfica: aqui
*Lua Nova - adaptação cinematográfica: aqui
*Eclipse- adaptação cinematográfica: aqui
*Amanhecer - adaptação cinematográfica: aqui e aqui

*A Breve Segunda Vida de Bree Tanner

*Vida e Morte
*Midnight Sun

Outros títulos da autora

*Nómada
*Danças Malditas
*A Química



Por Raquel Pereira


Sinopse: Após dez anos, os Hernani, liderados por Arin, tomaram a sua terra de volta. Para impedir que a poderosa armada valoriza invadisse Harlan e provocasse um banho de sangue, Kestrel aceitou casar com o príncipe herdeiro de Valoria.
O noivado causa sensação no reino, mas Kestrel sente-se uma prisioneira no palácio, sob a vigilância apertada do imperador, que não confia totalmente nela. E com razão: Kestrel encontrou uma forma de passar informações secretas para ajudar o povo errai, e está perto de descobrir um segredo chocante.
A paz com Valória tem um preço demasiado alto e Arin procura novos aliados além-fronteiras. Ao mesmo tempo, ele debate-se com a decisão de Kestrel de casar com o príncipe. Sem saber que ela é a espia que o está a ajudar no esforço de guerra, Arin decide arriscar tudo e tentar desvendar a verdade, mas esta poderá ser muito mais perigosa do que ele imagina.


Opinião: Depois de concluída a leitura de A Maldição do Vencedor de Marie Rutkoski, passei imediatamente para o livro seguinte, O Crime do Vencedor, ainda ignorante face à razão da minha demorada decisão de leitura. Porquê? Porque é que demorei tanto tempo a deixar-me levar pela mente de Kestrel, a deixar-me ser consumida pelas emoções de Arin, a deixar-me embrenhar no mundo e nas intricadas redes políticas de Marie Rutkoski? O Crime do Vencedor é, a meu ver, um livro mais complexo do que A Maldição do Vencedor. Desta vez a política é muito mais difícil de seguir misturada pelas emoções dos protagonistas e a frustração é o elemento principal que polvilha a maior parte das páginas. Uma frustração que passa para o leitor como a passagem dos dias e que o faz questionar-se quanto aos seus gostos iniciais, pois O Crime do Vencedor e A Maldição do Vencedor são dois livros completamente opostos. 
Mas, ainda assim, O Crime do Vencedor mantém a mesma tensão que vai para além da noção de romance. Durante várias páginas, a ausência de acção transforma-se em expectativa de que algo aconteça porque, por entre as linhas, somos capazes de sentir o perigo, as ameaças e a verdade. A voz que a autora criou, grita-nos aos ouvidos enquanto as frases esforçam-se por fazer sentido porque enquanto os protagonistas procuram por uma verdade, nós fazemos o mesmo. Enquanto leitores sentimos que temos a totalidade das informações. Então porque é que não o vemos? A escrita da autora, de um talento enorme, leva-nos a colocar de lado as pequenas pistas que vamos ouvindo, que a própria Kestrel invoca porque pensamos que já conhecemos o jogo quando ainda não temos as cartas todas.
Mais uma vez, há uma sensação de que estamos perante uma guerra fria. Aguardamos por algo que, na maior parte dos capítulos, parece ao alcance das nossas mãos mas... como está longe. Desta vez, as descrições de violência primaram pelo detalhe e o romance passou não para segundo, mas para terceiro plano. Ele existe, é difícil esconder as emoções quando elas insistem em surgir nos momentos mais inoportunos mas, por entre a honra e a lealdade, é difícil manter a frustração a um nível facilmente controlável. Marie Rutkoski arriscou com O Crime do Vencedor e, para mim, foi um risco que valeu a pena. A ausência de um beijo motivou a leitura, motivou-me na sua continuação, pensei que sabia o que iria acontecer e, como estava errada. As pontas soltas que a autora deixou foram explicadas, algo que eu não esperava que acontecesse. 
O Crime do Vencedor é uma história mais inteligente do que A Maldição do Vencedor e, desta vez, a autora não se limitou às várias formas de amor ou à fiabilidade de estratégias de poder. Não. Marie Rutkoski desenvolveu uma história onde o poder é o elemento chave, onde a conspiração domina o ar e onde a intimação se mostra mais importante do que o amor e a família.


Outros títulos da colecção


Por Raquel Pereira




Opinião: A história de Isabella Swan está apenas a começar. A sua verdadeira existência começa lentamente a ganhar forma à medida que os minutos passam e vemos a transformação ocorrer à frente dos nosso olhos. Não há qualquer dúvida para mim de que, Amanhecer - Parte 1 é, até agora, a melhor adaptação. Uma representação fiel daquilo que é o seu material original que é o mais interessante de todos. Uma adaptação que se foca, não apenas na linha principal de acontecimentos, mas nos pormenores. Mesmo para aqueles - que são muitos, - que não têm qualquer interesse na história da humana que se apaixonou por um vampiro, devem ser capazes de ver a beleza cinematográfica da última hora de filme. 
Amanhecer - Parte 1 é o filme onde os efeitos ganham um maior destaque, não numa luta, mas na própria aparência da protagonista. A falta de força, a ausência de um cuidado, a tomada de uma decisão irrevogável que levam a uma magreza extrema, a uma perda de brilho e de saúde, são tão bem representados na carne da actriz que não parecem outra coisa senão verdadeiros. 
Amanhecer - Parte 1 é uma montanha-russa de emoções. Nos primeiros minutos assistimos a um amor que parece não ter fim, vendo-o finalmente, oficializado tanto no papel como na carne, para depois sermos arrastados para uma gruta de medo e de incerteza, pois as memórias felizes e divertidas foram rapidamente esquecidas por algo aparentemente abominável que não devia existir. 
Claro que toda a situação levanta um conjunto de questões, no entanto, estamos num mundo fictício onde tudo pode acontecer e, embora haja perguntas, estas são colocadas de lado pela maravilhosa interpretação de Kristen Stewart como Isabella Swan e, nos últimos minutos de filme, mesmo aqueles que desprezam a actriz são obrigados a ceder. A sua interpretação num momento de dor e de desespero levam qualquer um a encostar-se no seu lugar perante o medo e o enjoo. 
Ao contrário do que acontece com os filmes anteriores, desta vez a ameaça não vem de fora, mas de dentro do próprio núcleo de personagens e a linha divisória que se cria, embora não tão definida na adaptação como o é no livro, é o suficiente para, enquanto espectadores, sentirmos a mudança e a dor que consequentemente surge. Não há nada melhor do que um filme que nos leva desde o divertimento até ao mais absoluto horror e Amanhecer - Parte 1 conseguiu-o na perfeição. 


Outros títulos da colecção
*Crepúsculo - adaptação cinematográfica: aqui
*Lua Nova - adaptação cinematográfica: aqui
*Eclipse- adaptação cinematográfica: aqui
*Amanhecer - adaptação cinematográfica: aqui e aqui

*A Breve Segunda Vida de Bree Tanner

*Vida e Morte
*Midnight Sun

Outros títulos da autora

*Nómada
*Danças Malditas
*A Química



Por Raquel Pereira

Sinopse: Kestrel, jovem filha do poderoso general de Valoria, tem apensa duas opções: alistar-se no exército ou casar-se. Ela tem, no entanto, outras aspirações e procura libertar-se do seu destino, rebelando-se contra o pai. 
Num passei clandestino pela cidade, Kestrel vai parar a um leilão de escravos, onde se depara com um jovem, Arin, que parece querer desafiar o mundo inteiro sozinho. Num impulso, ela acaba por compra-lo - por um preço tão alto que a torna alvo de mexericos na sociedade. 
Arin pertence ao povo de Hernani, conquistado dez anos antes pelos Valorianos. Além de ser um ferreiro exímio, revela-se também um cantor extraordinário, despertando a curiosidade de Kestrel. Ari  contudo, tem um segredo, e Kestrel não tardará a descobrir que o preço que pagou por ele poderá custar muito mais do que aquilo que alguma vez imaginara

Book Trailer



Opinião: Há momentos na vida de cada leitor quando durante a leitura, somos obrigados a parar, a pousar o livro, a respirar fundo e a olhar à nossa volta. Isto aconteceu durante o dia de hoje e dei por mim a perguntar como é que consegui evitar A Maldição do Vencedor de Marie Rutkoski durante tanto tempo. E mais importante, porquê?
A Maldição do Vencedor é um livro, na melhor das descrições, de fantasia política. Kestrel, filha do general Trajano, a protagonista, não é uma guerreira mas possui uma mente afiada, aguçada para as verdades, perspicaz nos detalhes, ganhando mesmo as mais difíceis tarefas apenas com o poder da sua mente e as mentiras das suas palavras. A sua voz é forte e gritante, mesmo através das páginas de papel.
A Maldição do Vencedor não é, no entanto, para todos. Durante a maior parte das páginas, há uma tensão e expectativa que vai para além do romance. Enquanto leitores, somos dotados de informação, por vezes, previsível mas, ainda podemos desfrutar da ignorância daqueles que vivem a história. A acção demora a chegar, algo que não me incomodou minimamente. O arrastar dos acontecimentos foi o que motivou a minha leitura, uma espécie de guerra fria entre dois personagens que representam dois povos imensamente diferentes mas com um caminho em comum. Há danças. Há festas. Há o planeamento de lutas. Há mortes. Há acordos. Mas, para aqueles que esperam uma guerra violenta ou mortes épicas, desenganem-se
No que toca à linguagem, à história, ao diálogo, à construção do universo, mesmo dos pequenos detalhes, às descrições, à atenção ao pormenor, Marie  Rutkoski é uma escritora talentosa mas, a durabilidade de uma guerra, de um cerco, de um ataque é rapidamente passada de uma página para a outra e, algumas pontas soltas foram deixadas a balouçar ao vento e não acredito que sejam apanhadas no próximo volume - porque, afinal, foi Jess que a arrastou para o leilão, como é que podiam saber que ela ia para lá?
Na sua essência, A Maldição do Vencedor é um livro cru, quase demasiado domado pelas próprias palavras para se rebelar mas posso afirmar que me cativou desde a primeira página com a mente de Kestrel num simples jogo de cartas. A próprio noção do que é a maldição do vencedor é um conceito interessante e percebo o motivo pelo qual a autora o quis explorar da forma que o fez. No seu íntimo, Marie Rutkoski criou uma história inteligente, relatando com relativa fiabilidade estratégias de poder e várias formas de família e amor. 


Outros títulos da colecção


Por Raquel Pereira

SinopseDiz a lenda que uma terrível guerra entre mundos ameaça causar o fim do Universo. Fairyland, o reino das fadas, encontra-se desprotegido devido ao desaparecimento misterioso da rainha. Aos poucos, o rei dos vampiros vai adquirindo mais e mais poder, corrompendo todas as criaturas dos diversos mundos. A jovem princesa Alexia, abandonada no reino dos humanos ainda em bebé, é a única capaz de salvar o Universo e todas as suas criaturas. Para isso, ela vai contar com a ajuda dos cinco cristais mágicos e de todos os aliados que encontrar pelo caminho.
Katherine nunca acreditou em lendas ou histórias mitológicas. Para ela, tudo isso não passavam de invenções sem sentido. Desde pequena que fora educada a acreditar apenas naquilo que era visível aos seus olhos. Porém, de um momento para o outro, a vida dela muda drasticamente e, ela vê-se forçada a enfrentar uma nova realidade. Uma realidade assustadora que, até então, ela desconhecia ser possível. Ninguém é quem ela pensava ser, nem mesmo os seus amigos e familiares. Como tal, Katherine inicia uma busca pela sua verdadeira identidade. Mas estará ela preparada para saber toda a verdade?

Book Trailer:


Opinião: Desconhecia por completo o mundo criado por Carina Sapateiro até ao momento em que a mesma o sugeriu como uma das minhas próximas leituras - aqui. Pela sinopse parecia algo repetido ao longo dos tempos mas a autora muito generosamente disponibilizou-se a enviar-me o e-book de A Luz da Princesa de forma a que pudesse conhecer um pouco mais a fundo o mundo que ela construiu.
Em primeiro lugar, aplaudo qualquer um que consiga colocar no papel uma ideia e que consiga perseguir essa ideia do início ao fim. Em segundo lugar, aplaudo de pé qualquer autor português que escreva fantasia. Em terceiro lugar, salto de contentamento ao ver editoras a apostar - forçosamente ou não, - em autores portugueses que se atrevam a escrever sobre mundos que não existem a não ser no imaginário daqueles que os criam.
A Luz da Princesa não é diferente de outros do mesmo género. Na verdade, segue de forma bastante fiel a mesma estrutura de outros livros que rodeiam o tópico de "A/O Escolhida/0", aquela/e que detém o poder de salvar o universo da sua desgraça e não se afasta muito dessa linha de acção. Para alguns, essa ideia está muito repetida, (blá, blá), para outros, é a melhor coisa do mundo. Para alguns, a ideia da existência de um planeta para vampiros, de outro para fadas, de outro para lobisomens, do uso da magia, da existência dos cristais não passam de ideias infantis ou ridículas. Mas, cada vez mais, vejo-me a ser mais crítica no que toca à concepção de um universo e à passagem dessa informação para a sinopse. Isto porque se pensarmos nos livros mais famosos e colocarmos o coração da história numa única frase, tudo se torna irreal e ridículo: "vampiro vegetariano e que brilha ao sol apaixona-se por uma humana com resultados desastrosos", "rapaz de onze anos de idade vai para uma escola de magia onde é perseguido durante sete anos por um homem de meia-idade". Por exemplo, nunca pensei que o meu livro favorito do momento fosse sobre sexy aliens que vivem entre nós. O problema com os autores nacionais é que são alvo de muito mais escrutínio por parte dos leitores e, aqui, as sinopses não ajudam quando nos dão a totalidade da história. Por este motivo, A Luz da Princesa tornou-se demasiado previsível. À parte de um plot twist para as últimas páginas, adivinhei cada um dos acontecimentos/aparecimentos/identidades. Não podemos dar, de bandeja, tudo ao leitor, caso contrário a história torna-se anti-climática.
Algo que me incomoda pessoalmente é o facto de que, sendo um livro de fantasia, onde existem estes mundos fantásticos nos quais se podem tomar as liberdades que o autor desejar, a autora opta por passar mais de metade, se não a totalidade do livro, no nosso mundo. Entendo que faz parte da história de Katherine, que é importante conhecermos a história dela enquanto humana mas, senti uma desconexão enorme entre o seu passado e o seu presente. Se criaram este mundo, usem-no.
Ao mesmo tempo, A Luz da Princesa acaba por possuir um passing disconecto e, por vezes sentia que estava a ler apenas a ideia do livro e não a história em si. No início, nos primeiros capítulos, a história é apressada, a vida da protagonista é apresentada à força. As acções ao invés de serem mostradas ao nível do diálogo são descritas com poucos pormenores. Nunca em nenhum momento aprofundamos a relação de Katherine com Samantha, a sua melhor amiga de dez anos. Tudo se resume a algumas linhas. O mesmo acontece com Liam. Não senti a conexão entre os dois. Não houve tempo ou evidencias para o leitor sentir choque com os acontecimentos. A única emoção que transmitiu foi de apatia.  São raros os livros que começam com a existência de interesses amorosos mas, mesmo esses, podem ser feitos de forma fantástica, o importante é que transmitam ao leitor a familiaridade, a cumplicidade e mais importante a profundidade do laço que os une - A Selecção de Kiera Cass.
A Luz da Princesa perde, para mim, ao ser narrado na terceira pessoa, saltando das emoções de um personagem para outro sem qualquer separação, sem aviso, porque ora estamos a seguir a linha de acção/pensamento de Katherine ora passamos para os pensamentos de Gabriel, ou de Mark. Não há uma coesão. A própria personalidade da protagonista é mostrada através de a descrição da autora, ao invés de ser evidenciada através de acções:

Katherine era uma rapariga doce e amável, não só com as pessoas, mas com todos os seres vivos e isso não mudou com o passar dos anos.

Excerto de: “A luz da princesa_final - eBook.” iBooks.

O facto de a protagonista estar rodeada de demasiadas personagens do sexo masculino num curto espaço de tempo, não ajuda, simplesmente porque coloca de lado o mundo e o próprio desenvolvimento/aprofundamento de Katherine enquanto líder da sua própria história.  Sinto que rocei apenas a superfície. Depois de terminada a leitura, não sei quem a protagonista é porque não possui emoção suficiente. A "barreira" que ela ergue à sua volta, chega ao leitor. Não me preocupei com Katherine ao ponto de apenas desejar a revelação da sua identidade.

Tivera um dia repleto de emoções. Foram acontecimentos atrás de acontecimentos e cada um mais confuso que o outro. Primeiro a conversa que tivera com Mark, depois com Harry e, por fim, com Sebastian, aquela que até ao momento lhe estava a dar mais problemas. Estava tão imersa nos seus pensamentos que se esquecera por completo de responder às mensagens de Gabriel.

Excerto de: “A luz da princesa_final - eBook.” iBooks.

Há também algumas inconsistências ao longo do livro que remontam à parte da construção do universo mas também algumas facilidades. Ao ler A Luz da Princesa senti que a autora juntou apenas dois termos em inglês para formar o seu universo: Fairyland, Elfland, Mermaidland são alguns dos exemplos. Eu queria algo mais complexo, queria mais emoção, queria fúria por parte da protagonista por estar rodeada de pessoas que lhe mentiram a vida toda, queria angústia e dor pela perda que sofreu e queria raiva por perceber que fora enganada. É a emoção, é a protagonista que comanda o livro independente da qualidade do universo. Katherine deveria ter sido o pilar da história, a sua força devia ser única, a sua voz devia elevar-se no leque de palavras mas isso não aconteceu.
No que toca à escrita da autora, penso que faltava uma outra revisão. Algo falta. Há a repetição de demasiadas palavras e de acções. Ao longo de todo o livro, sempre que uma nova personagem era apresentada a autora descrevia apenas os cabelos e os olhos, repetindo vezes sem conta a palavra "lindos", "lindo", "linda" e "lindas" e, ao mesmo tempo, a escrita é demasiado simples e repetitiva.

Junto ao portão estava a mota do rapaz com dois capacetes. Gabriel agarrou num deles e entregou-o a Katherine, que olhou para o capacete um pouco atrapalhada e sem saber o que fazer. Aquela era a primeira vez que iria andar de mota, como tal, receava não saber como colocar o capacete correctamente. Contudo, antes que ela se pudesse pronunciar sobre o assunto, Gabriel precipitou-se na sua direcção e, colocando-se atrás dela, ajudou-a cuidadosamente a colocar e a ajustar o capacete. Katherine sorriu.

Excerto de: “A luz da princesa_final - eBook.” iBooks.

A pele da fada era branca e reluzente, quase tão branca como a dela, o que contrastava com os seus intensos e longos cabelos escuros e também com os seus lindos olhos castanhos. Tinha umas lindas e brilhantes asas em tons de lilás e rosa. O vestido era bastante robusto, com imensas purpurinas que o tornavam ainda mais deslumbrante. Sob os seus lindos e ondulados fios de cabelo tinha uma coroa de diamantes, que realçava a sua beleza natural.

Excerto de: “A luz da princesa_final - eBook.” iBooks.

Para mim, A Luz da Princesa é dirigido para um público mais jovem, apesar de a protagonista ser maior de idade. Dei graças aos céus pela ausência de actividade sexual que, por vezes, os autores gostam de atirar "para ver se pega", independentemente de coincidir ou não com a tonalidade do livro. Mas, Katherine precisa de amadurecer enormemente enquanto protagonista e a emoção precisa de coincidir com a acção porque é aqui que o mundo se torna real para o leitor, através de emoções que como seres humanos somos capazes de discernir.
Não me consegui obrigar a adorar A Luz da Princesa mas, não foi nem de perto nem de longe o pior livro de fantasia que me passou pelas mãos. Falta maturação. Falta conteúdo. Falta emoção. Mas a história está lá e enquanto para uns pode parecer interessante, para mim foi muito previsível e anti-climática. Há cinco livros programados e quero ler cada um deles, apoiando a autora, vendo Katherine evoluir, vendo a escrita crescer e, espero eu, a profundidade do universo que Carina Sapateiro nos apresentou com A Luz da Princesa.
Outros títulos da colecção
*A Luz da Princesa
*A Saga os 5 Elementos #2
*A Saga os 5 Elementos #3
*A Saga os 5 Elementos #4
*A Saga os 5 Elementos #5



Por Raquel Pereira