| Review | Crescendo de Becca Fitzpatrick


A vida de Nora Grey continua longe de ser perfeita. Sobreviver a um ataque que podia ter-lhe custado a vida não foi fácil, mas tudo se resolveu, graças ao seu anjo da guarda ¿ uma criatura misteriosa, sedutora e bela.Mas Patch tem sido tudo menos angelical. Está mais distante do que nunca e parece estar a passar demasiado tempo com a arqui-inimiga de Nora, Marcie Millar. E, como se isso não bastasse, Nora é assombrada por recordações do seu pai assassinado, começando a pensar que as intrigas dos anjos poderão estar relacionadas com a morte dele.Desesperada por desvendar os estranhos acontecimentos do seu passado, Nora expõe-se ao perigo, na esperança de encontrar algumas respostas.Mas todos sabemos que há perguntas que nunca devem ser feitas...

Depois de Hush Hush não consegui controlar-me o suficiente para não começar a ler Crescendo, o segundo volume da série de Becca Fitzpatrick. Mais uma vez, não foi a minha primeira - ou segunda, ou terceira - leitura e, ainda assim, dei por mim a voar pelas páginas - já familiares - e a acabar o livro em tempo recorde. Por vezes, durante a nossa vida de leitores, se tivermos sorte, deparamos-nos com um ou outro livro que, de alguma forma, é capaz de consumir metade do nosso dia e pensamento não importa o quão mau possa ser/parecer para outras pessoas. É um guilty pleasure.
Crescendo apresenta-se desde o início como o típico segundo volume de uma série/trilogia: após um período de romance cujo conteúdo o leitor não vê, há uma separação. O período romântico termina abruptamente e há a típica necessidade de provar de um modo ou de outro que os personagens pertencem um ao outro, não havendo dúvidas quanto ao poder da relação, possibilitando ainda um crescimento individual e, talvez, o aparecimento de novos personagens ou maturação de alguns já existentes. Tudo isso aconteceu nas 336 páginas que durou o livro e, infelizmente, a lógica de acontecimentos não é novidade e, neste ponto, penso que a autora atirou o leitor da ponte ao fazê-lo demasiado depressa. Não houve tempo para reaprender os personagens ou a relação. Somos cuspidos para um turbilhão de emoções que vão desde a rejeição, passando pela traição e que culmina na raiva e descrença. 
As dúvidas que a autora cria, por muito que eu goste do livro e do conceito, não chegam a ser credíveis. A dúvida no amor não chega a existir o que, de certo modo, chega a ser frustrante pois somos obrigados a assistir a um conjunto de acções e de momentos infantis e irracionais para uma pessoa minimamente sã e, mesmo no início, o motivo para a separação não chega a ser claro mesmo para a protagonista o que é algo confuso e puramente desnecessário. Por outro lado, o desenvolvimento da acção e as descobertas finais, deixam um pouco a desejar no que se refere à racionalidade. A forma como a autora rectifica "buracos" na história gere-se demasiado pela coincidência para parecer real - o que não é o propósito de um livro paranormal ou de fantasia. É quase preguiçosa.
Being with you never felt wrong. It's the one thing I did right. You're the one thing I did right.
As personagens femininas - à excepção da protagonista - também foram um problema. Na verdade, a forma como são apresentadas - tanto Vee como Marcie - quase que roça a indecência e o desrespeito. O excesso de piadas ou de momentos onde o leitor é mais uma vez relembrado do peso de Vee ou das actividades extracurriculares de Marcie é demasiada para um livro que devia estar focado no paranormal. Por muito que adore o livro, se a autora tivesse dedicado menos tempo a relatar a quantidade de comida que a Vee ingeria ou as roupas "indecentes" de Marcie e mais a desenvolver o background e o plot, Crescendo seria um livro muito melhor. A falta de irmandade ou o excesso de slut/fat shamming são um problema que não pode nem deve ser negado. 
A escrita de Becca Fitzpatrick também tem muitos problemas mas, acredito que parte deles se deve à tradução. Pontuação incorrecta. Erros gramaticais. Palavras não usadas no português de Portugal. Tudo isso é visível. Tudo isso, de algum modo, incomoda durante a leitura, como uma comichão que não somos capazes de fazer desaparecer. Ainda assim, não é o suficiente para rasparmos a pele e a leitura, pelo menos para mim, continuou a ser uma experiência agradável.
Apesar de todos os aspectos negativos, a história da autora continuou a chamar-me a atenção e a fazer-me torcer pela protagonista e por Patch. Para mim, foi uma leitura simpática, que entreteve o bastante para que, mesmo sendo a quinta ou sexta vez, fosse incapaz de não virar a página. Não sou cega aos verdadeiros problemas da história mas, com estes livros, consigo desligar a racionalidade por momentos o suficiente para aproveitar a leitura.

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