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Opinião: Everything, Everything, ou Tudo, Tudo e Nós de Nicola Yoon, é um livro YA que provoca uma leitura compulsiva. A autora descreve na perfeição as emoções que uma pessoa com um corpo doente sente e a vida familiar que se desenvolve devido à presença desta situação estranha e nada recomendável. A verdade é que a impotência e frustração que advém da situação da Madeline são muito bem retratadas no livro, quase de forma palpável mas, infelizmente o mesmo não aconteceu no filme por uma razão muito simples: A imaginação. - Madeline possui uma imaginação fértil que a leva para diferentes locais e, consequentemente leva o espectador a afastar-se da sua condição de prisioneira. Um café. Uma biblioteca. O mar. Tudo isso leva o espectador a quase esquecer a doença que a autora descreve tão bem.

(Continua)

A versão cinematográfica de Tudo, Tudo e Nós eleva a parte romântica do filme, tornando-o num filme tipicamente romântico, de final de tarde de domingo que se vê no sofá com uma manta e um chá. Dá para sorrir e para soltar algumas interjeições de fofura e, exceptuando alguns momentos - todos aqueles em que a doença era mencionada - não havia realmente necessidade de pensar, ao contrário do que acontece no livro que nos obriga a compreender as descrições, as emoções e nos questiona. 
No entanto, o aspecto visual, a cinematografia, está bonita - à falta de melhor palavra, - e as cores e as transições estão muito bem feitas. Mas, - e tem de haver um mas, - mais uma vez vemos a falta de interesse das grandes companhias cinematográficas em relatar uma relação sexual adolescente - custou ver, admito. A pobreza nos detalhes, a ausência de emoção, os planos ampliados deslocados, não pareceram, outra coisa, que não forçados. 
Na opinião do livro aconselho a ir sem qualquer tipo de expectativas e a não procurar as respostas nas últimas páginas, no entanto, no filme, a clímax é tão pobre e tão mal executado. O telefonema que muda tudo não faz o menor dos sentidos, as palavras são rápidas e quase lidas directamente de um papel, de tal modo que é difícil de perceber o porquê da confusão de Madeline. Por outro lado, as actuações na parte final não foram emotivas o suficiente para a descoberta que se acabou por desenrolar. 
Tudo, Tudo e Nós acabou por ser um filme de passagem. Talvez as minhas expectativas estivessem demasiado elevadas por estar à espera de algo da mesma qualidade, ou até de qualidade superior ao livro, mas acabou por desiludir pela fraca comparação com o material original. É um óptimo filme para passar o tempo quando pensar se torna difícil ou se temos necessidade de nos distrair. Basicamente, é um filme... giro. Que não reflecte em nada a escrita maravilhosa de Nicola Yoon e que foi uma óptima aposta pela Editorial Presença.

Every ocean deserves to be seen by you 


2 Comentários

  1. Não fui grande fã do livro quando li e por isso fui para o filme com expectativas muito baixas. Até gostei!
    Mas concordo com o que disseste com algumas coisas no filme serem meh.


    http://like-a-fangirl.blogspot.com

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    Respostas
    1. Por acaso gostei bastante do livro, talvez por ser um tema que me traz alguma familiaridade mas o filme é mesmo filme de domingo à tarde.

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