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Sinopse: Helena Hamilton tem dezasseis anos e passou a vida inteira a tentar esconder o facto de ser muito diferente, o que não é tarefa fácil numa ilha tão pequena e resguardada como Nantucket. E está a tornar-se ainda mais difícil. Pesadelos com a travessia desesperada num deserto fazem com que acorde desidratada e com os lençóis estragados de sujidade e pó. Na escola, é assombrada com alucinações de três mulheres a chorarem lágrimas de sangue... e, quando se cruza pela primeira vez com Lucas Delos, não percebe que estão destinados a desempenhar os papéis principais numa tragédia que as Parcas insistem em repetir ao longo da história. 
À medida que Helena vai desvendando os segredos da sua ascendência, compreende que alguns mitos são mais do que simples lendas. Mas mesmo os poderes de semideuses poderão não ser suficientes para desafiar as forças que compelem Lucas e Helena a juntar-se... e que, ao mesmo tempo, tentam separá-los.

Book Trailer:


Opinião: Predestinados de Josephine Angelini é um livro sobre um amor impossível e de duas pessoas que estão condenadas a repetir a história, por mais trágica que ela seja. Helena Hamilton, a protagonista, é uma adolescente belíssima que passou a vida a tentar esconder o facto de ser diferente num mundo de iguais - literalmente. É um livro romântico com personagens belos, fortes e inteligentes, onde a perfeição encontra um caminho na vida daqueles que partilham um elo com os deuses, agora chamados de Rebentos. 
Josephine Angelini criou uma história com uma premissa simples e um fio condutor ainda mais simples - um amor condenado desde o início da primeira página - inovado pela mitologia que rodeia as personagens que, para mim, foi um dos pontos mais fortes. A mitologia grega eleva-se como um vulcão no meio de um prado - esplendoroso e impossível de desviar o olhar. A forma como a autora intercalou o romance entre Helena e Lucas com personagens da mitologia já conhecidas é o que dá poder a Predestinados e o realça no leque de romances YA.  Para além disso, gostei da forma como a autora brinca com o conceito de destino e como ridiculariza os termos absolutos como "nunca" e "sempre".  
Por outro lado, ao mesmo tempo que nos dá uma mitologia e um background interessante, a autora perde no mundo real, afundando-se em estereótipos ridículos para fazer sobressair a protagonista - ainda mais. As raparigas, exceptuando as personagens habituais são mesquinhas, infantis, egoístas, egocêntricas e, à falta de melhor palavra, idiotas. Por outro lado, os rapazes para lá dos personagens centrais, são meros sacos de carne recheados de hormonas. Não há um meio termo. Não há a possibilidade de conhecimento ou de redenção. São meros acessórios. 
Um ponto muito negativo seria realmente o clímax de Predestinados que é automaticamente perdido, páginas depois quando a autora se contradiz na grande revelação, mostrando que não estava disposta a correr o risco com o leitor. Foi realmente uma pena porque tirou qualquer piada ao sofrimento que o leitor pudesse vir a sentir com a "possível" proibição de um amor como o de Helena e Lucas. Foi visível que Josephine Angelini não estava disposta a correr riscos. Um pouco à semelhança do que aconteceu com a adaptação cinematográfica de A Cidade dos Ossos de Cassandra Clare.
Notou-se uma simplicidade na escrita da autora. Josephine Angelini mostrou possuir um humor negro, a roçar a ofensa em pequenos pedaços de diálogo, incluindo interno. Infelizmente, enquanto os POV de Helena foram bem descritos, detalhados, outros como de Creonte, foram pobremente aperfeiçoados. Não havia profundidade. Não havia subtileza. No entanto, diverti-me. Dei por mim a passar cada vez mais tempo em Nantucket, na cabeça de Helena, devorando cada pedaço de linha. A mitologia, tão intensamente  enraizada, ajudou. É a minha justificação para a classificação. Predestinados acaba por ser um guilty pleasure.

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