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SinopseSou a Sara, e estou agoniada, desesperada, com suores frios, o mundo ganhou profundidade, está calor, não, é frio, estou tonta. Tirem-me daqui, por favor.
É assim que se inicia o relato de Sara, a rapariga mais comum da cidade de Leiria. É-lhe transmitido pelo seu chefe um segredo de família que lhes trará dificuldades e mudanças.
Em pouco tempo, Sara verá a sua vida dar uma volta de 180º, viverá momentos de pânico, medo e de pura paixão.
Trata-se de um relato divertido, que descreve o desenrolar da trama de uma forma leve, dando a conhecer o ponto de vista de uma jovem na casa dos vinte anos e no auge da sua imaginação, descrevendo as cenas que vive com à-vontade e humor.

Opinião: Mors Tua, Vita Mea de Vanessa Santos pareceu-me, durante um número considerável de páginas, um livro a pender para o humor e para o divertido, considerando a própria sinopse e o próprio começo, algo caricato mas, à medida que a história se desenvolve as parecenças com algo humorístico desvanecem-se no ar. A verdade é que desconhecia a escrita de Vanessa Santos, pelo que, a título pessoal, fico grata pela possibilidade de não só dar a conhecer autores portugueses, como de ficar em contacto com o seu trabalho.

(Continua)

O meu conhecimento de livros de mistério ou de acção é pouco, quase a roçar a nulo, mas penso que tenho capacidade suficiente para julgar o Mors Tua, Vita Mea, enquanto livro, e enquanto história e, a verdade é que, infelizmente, não me puxou, de todo. Em primeiro lugar, o primeiro capítulo possui 332 páginas, logo isso corta a fluidez da leitura, o passing torna-se penoso. Para além disso, a presença de erros deixou-me de coração nas mãos porque eram desnecessários com uma revisão acertada e a verdade é que não me consigo desligar das falhas gramaticais assim que as vejo. 
Mors Tua, Vita Mea, é um livro grande, são 540 páginas de investimento numa história que devia levar o leitor a querer mais, mas infelizmente até mais de metade das páginas, isso não aconteceu, daí o tempo prolongado de leitura. Não ajudou o facto de Sara, a protagonista, ser alguém infantil, com o seu quê de egocentrismo e inconsciente. Uma protagonista com a qual não me identifiquei minimamente e, mesmo os seus defeitos, que podem salvar um personagem quando bem executados, não me fizeram querer saber mais da sua vida ou sequer importar. E a ausência de emoção é a morte do livro. Tal sentimento durou até à página 407 onde os capítulos curtos e concisos, o desenrolar da história, a própria mudança de pontos de vista, aceleraram o passing, mostraram como o livro devia ter sido desenvolvido desde o princípio - uma constante mudança de personagens, de cenários, de acontecimentos. 
Mors Tua, Vita Mea, melhora para o final e sou a primeira a afirmar que tem uma conclusão forte que despertou uma emoção em mim, mas durante as 540 páginas, a autora divaga demasiado, vai buscar assuntos que não interessam para: 1. o desenvolvimento da história 2. desenvolvimento da protagonista 3. para o passing. São meras divagações sobre mulheres polícias, sobre um ex-namorado cujo nome era fish. No início os próprios diálogos são fracos e tolos e senti que houve vários juízos de valor ao longo do livro. 
Penso que se Mors Tua, Vita Mea, tivesse sido coeso, como nas últimas cem páginas, o livro teria um maior impacto no leitor. Há demasiadas pontas soltas: chegaram a remover as câmaras da antiga casa de Sara? Da biblioteca? E claro, posso não ser a melhor apreciadora de livros de mistério e de acção mas, toda o envolvimento mais dramático do "submundo" pareceu-me algo saído de hollywood e não realístico. 
Mors Tua, Vita Mea melhorou com a mudança de protagonista, ganhou ritmo, embora os erros continuassem lá, a existir e a aparecer sobre as mais diversas formas e, apesar de as mudanças de ponto de vista muitas das vezes não tivesse identificada nem com um espaçamento entre parágrafos, deu para perceber a ideia e, mais importante, deu para aproveitar a leitura. Só tenho pena que tenha sido nos últimos momentos e não desde o início.


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