| Review | A Luz da Princesa - A Saga os 5 Elementos de Carina Sapateiro

Diz a lenda que uma terrível guerra entre mundos ameaça causar o fim do Universo. Fairyland, o reino das fadas, encontra-se desprotegido devido ao desaparecimento misterioso da rainha. Aos poucos, o rei dos vampiros vai adquirindo mais e mais poder, corrompendo todas as criaturas dos diversos mundos. A jovem princesa Alexia, abandonada no reino dos humanos ainda em bebé, é a única capaz de salvar o Universo e todas as suas criaturas. Para isso, ela vai contar com a ajuda dos cinco cristais mágicos e de todos os aliados que encontrar pelo caminho.Katherine nunca acreditou em lendas ou histórias mitológicas. Para ela, tudo isso não passavam de invenções sem sentido. Desde pequena que fora educada a acreditar apenas naquilo que era visível aos seus olhos. Porém, de um momento para o outro, a vida dela muda drasticamente e, ela vê-se forçada a enfrentar uma nova realidade. Uma realidade assustadora que, até então, ela desconhecia ser possível. Ninguém é quem ela pensava ser, nem mesmo os seus amigos e familiares. Como tal, Katherine inicia uma busca pela sua verdadeira identidade. Mas estará ela preparada para saber toda a verdade?

Desconhecia por completo o mundo criado por Carina Sapateiro até ao momento em que a mesma o sugeriu como uma das minhas próximas leituras. Pela sinopse parecia algo repetido ao longo dos tempos mas a autora muito generosamente disponibilizou-se a enviar-me o e-book de A Luz da Princesa de forma a que pudesse conhecer um pouco mais a fundo o mundo que ela construiu.
A Luz da Princesa não é diferente de outros do mesmo género. Na verdade, segue de forma bastante fiel a mesma estrutura de outros livros que rodeiam o tópico de "A/O Escolhida/o", aquela/e que detém o poder de salvar o universo da sua desgraça e não se afasta muito dessa linha de acção. Para alguns, essa ideia está muito repetida, para outros, é a melhor coisa do mundo. Para alguns, a ideia da existência de um planeta para vampiros, de outro para fadas, de outro para lobisomens, do uso da magia, da existência dos cristais não passam de ideias infantis ou ridículas. Mas, cada vez mais, vejo-me a ser mais crítica no que toca à concepção de um universo e à passagem dessa informação para a sinopse.  O problema com os autores nacionais é que são alvo de muito mais escrutínio por parte dos leitores e, aqui, as sinopses não ajudam quando nos dão a totalidade da história. Por este motivo, A Luz da Princesa tornou-se demasiado previsível. À parte de um plot twist para as últimas páginas, adivinhei cada um dos acontecimentos/aparecimentos/identidades. Não podemos dar, de bandeja, tudo ao leitor, caso contrário a história torna-se anti-climática.
Algo que me incomoda pessoalmente é o facto de que, sendo um livro de fantasia, onde existem estes mundos fantásticos nos quais se podem tomar as liberdades que o autor desejar, a autora opta por passar mais de metade, se não a totalidade do livro, no nosso mundo. Entendo que faz parte da história de Katherine, que é importante conhecermos a história dela enquanto humana mas, senti uma desconexão enorme entre o seu passado e o seu presente. Se criaram este mundo, usem-no.
Ao mesmo tempo, A Luz da Princesa acaba por possuir um passing disconecto e, por vezes sentia que estava a ler apenas a ideia do livro e não a história em si. No início, nos primeiros capítulos, a história é apressada, a vida da protagonista é apresentada à força. As acções ao invés de serem mostradas ao nível do diálogo são descritas com poucos pormenores. A única emoção que transmitiu foi de apatia.
A Luz da Princesa perde, na minha opinião, ao ser narrado na terceira pessoa, saltando das emoções de um personagem para outro sem qualquer separação, porque ora estamos a seguir a linha de acção/pensamento de Katherine ora passamos para os pensamentos de Gabriel, ou de Mark. Não há uma coesão. Sinto que rocei apenas a superfície. Depois de terminada a leitura, não sei quem a protagonista é porque não possui emoção suficiente. A "barreira" que ela ergue à sua volta, chega ao leitor. Não me preocupei com Katherine ao ponto de apenas desejar a revelação da sua identidade. É a emoção, é a protagonista que comanda o livro independente da qualidade do universo. Katherine deveria ter sido o pilar da história, a sua força devia ser única, a sua voz devia elevar-se no leque de palavras mas isso não aconteceu.
Para mim, A Luz da Princesa é dirigido para um público mais jovem, apesar de a protagonista ser maior de idade. Dei graças aos céus pela ausência de actividade sexual que, por vezes, os autores gostam de atirar "para ver se pega", independentemente de coincidir ou não com a tonalidade do livro. Mas, Katherine precisa de amadurecer enormemente enquanto protagonista e a emoção precisa de coincidir com a acção porque é aqui que o mundo se torna real para o leitor, através de emoções que como seres humanos somos capazes de discernir.
Não me consegui obrigar a adorar A Luz da Princesa. Falta maturação. Falta conteúdo. Falta emoção. Mas a história está lá e enquanto para uns pode parecer interessante, para mim foi muito previsível e anti-climática. Há cinco livros programados e quero ler cada um deles, apoiando a autora, vendo Katherine evoluir, vendo a escrita crescer e, espero eu, a profundidade do universo que Carina Sapateiro nos apresentou com A Luz da Princesa.



E vocês? Alguém já leu? Conheciam a autora? Digam nos comentários em baixo!

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