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Tristeza. Na sequência de alguns eventos, vi-me obrigada a reduzir o meu desafio do Goodreads para este ano e, de repente, 100 livros passaram rapidamente a 75 e, mesmo assim, dou por mim um tanto ou quanto atrasada. 
Para onde foi a época onde a única coisa com a qual tinha de me preocupar era com os trabalhos de casa? 
Onde ler 100 livros era algo que já estava cumprido em Outubro? 
Mais uma vez não houve tempo para quase nada, no entanto, ainda assim, este mês conseguiu ser infinitamente melhor que o anterior - também não era difícil - e com uma maior variedade de autores e de histórias. Desde a Escócia de 1743, ao mundo mágico de Londres 19 anos depois, a um país fictício, a uma rainha destruída por dentro e a um jogo de verdade e consequência com um final trágico. Houve de tudo um pouco. Mas, podem sempre rever as opiniões:


Por Raquel Pereira.

Sinopse: Quando Vee participa no Nerve, um jogo online de desafios transmitidos em directo, descobre que quem controla a competição parece saber tudo acerca dela. Oferecem-lhe os prémios que mais deseja e escolhem para a sua equipa Ian, um rapaz com quem qualquer rapariga do secundário sonharia. Nestas condições, é quase impossível resistir. Ver aceita a primeira consequência. E depois outra. E outra. Se ao princípio o jogo parece emocionante (os fãs aplaudem e incitam-nos a ultrapassar desafios arriscados com apostas cada vez mais altas), aos poucos revela-se uma armadilha. Vee e Ian têm de decidir se arriscam a vida para o Grande Prémio ou se deitam tudo a perder. Será o jogo letal? 


Opinião: Verdade ou Consequência? Verdade
Ora bem, a verdade é que há uma necessidade nesta nossa sociedade literária de comparar cada livro a um já publicado e com um enorme sucesso de forma a cativar leitores a deitarem-lhe a mão. Neste caso em específico, não sabia da existência do livro até ao lançamento do official trailer da respectiva adaptação cinematográfica. Nerve é comparado a Jogos da Fome de Suzanne Collins e, até certos e determinados aspectos, - jogo? - concordo, mas noutros, estão tremendamente afastados da história de Katniss Everdeen e a comparação morre por aí. É perceptível a crítica social, sim, mas não há realmente uma verdadeira luta. Não saí da história com uma sensação de mudança, que tantas vezes acontece quando nos deixamos afundar num livro. 
A verdadeira história de Nerve passasse numa única noite, com repercussões para, possivelmente o resto da vida e é um retrato extremo do poder das redes sociais, dos jogos online - da internet em si. Não me admirava nem um pouco se dentro de alguns anos, algo como o Nerve viesse a ser implementado. Jeanne Ryan criou uma "aplicação" possível de acontecer num futuro não muito distante e o perigo envolvido, não será problema, afinal "os que querem ganhar, jogam sempre". 
Vee, cujo verdadeiro nome vou deixar incógnito, não é uma protagonista do calibre de Katniss Everdeen, mas tem os seus momentos de glória, aqui e ali no entanto, admito que não fiquei muito impressionada. A sua personalidade é, desde o início, formada à volta de outras pessoas e mesmo os seus melhores momentos são resultado de uma provocação. 
Nerve deixa, no entanto, pequenas pontas soltas, pormenores a que queria uma resposta. Nunca chegamos realmente a conhecer Ian, ou as caras por detrás do programa, ou mesmo o que raio aconteceu a um determinado leque de personagens e, apesar da leitura fácil e da escrita acessível, não há um fim em concreto, nem pouco mais ou menos. Há simplesmente um e depois "isto, isto e isto", não somos contemplados com mais nada a não ser com um último parágrafo de fazer arrepios. Uma última lembrança, pelo menos, inesquecível
Verdade ou Consequência? O que escolhias? 




Outros títulos da autora: 
*Nerve
*Charisma 

Por Raquel Pereira.

Sinopse: Em 1945 Claire Randall, ex-enfermeira do Exército, regressa da guerra e está com o marido numa segunda lua-de-mel quando inocentemente toca num rochedo de um antigo círculo de pedras. De súbito, é transportada para o ano de 1743, para o centro de uma escaramuça entre ingleses e escoceses. Confundida com uma prostituto pelo capitão inglês Black Jack Randall, um antepassado e sósia do seu marido, é a seguir sequestrada pelo poderoso clã Mackenzie. Estes julgam-na espia ou feiticeira, mas com a sua experiência em enfermagem, Claire passa por curandeira e ganha o respeito dos guerreiros. No entanto, como corre perigo de vida a solução é tornar-se membro do clã, casando com o guerreiro Jamie Fraser, que lhe demonstra uma paixão tão avassaladora e um amor tão absoluto que Clare se sente dividida entre a fidelidade e o desejo... e entre dois homens completamente diferentes em duas vidas irreconciliáveis. 
Vive-se um período excepcionalmente conturbado nas Terras Altas da Escócia, que culminará com a extinção dos clãs na batalha de Culloden, entre ingleses e escoceses. Catapultada para um mundo de intrigas e espiões que pode pôr em risco a sua vida, uma pergunta insistente martela os pensamentos de Claire: O que fazer quando se conhece o futuro


Opinião: Passou quase quinze dias desde a minha última aparição por estes lados. Porquê? Bem, Outlander - Nas Asas do Tempo, não se lê sozinho e, um dos meus objectivos para o mês de Agosto era terminar as 772 páginas de pura acção, amor e, certamente horror. Mas agora, 772 páginas depois, a minha mente batalha para formular frases coerentes, afinal, como sumariar, como explicar a mestria de Diana Gabaldon num número apropriado de palavras
Outlander - Nas Asas do Tempo foi uma experiência maravilhosa. Fui acompanhando os primeiros episódios da série à medida que ia avançando na leitura pelo que depressa, demasiado depressa, as personagens ficaram intrincadas na minha mente, as suas expressões, a sua forma de diálogo que é quase uma personagem por si só, assim como as belas paisagens que Diana Gabaldon descreveu de forma tão perfeita. Foi a primeira vez que não me importei em não criar na minha mente uma versão independente da adaptação já existente. É fiel, mas isso é uma conversa para outra altura. 
Não sou a maior entusiasta de viagens no tempo. Penso que, ao todo, tenho na minha estante, três livros sobre o assunto, incluindo Outlander - Nas Asas do Tempo. É algo que, a meu ver, tem de ser muito bem feito ou então na vale a pena. Porquê? Simplesmente porque as viagens no tempo abrem um leque de questões que preciso de ver explicadas. A diferença entre o passado, presente e futuro basicamente junta-se num só e algo que Diana Gabaldon faz muito bem é diferenciar cada um deles, dar-lhes uma espécie de "contentor" a cada uma das vidas e depois junta-as, mantendo, ainda assim, a individualidade de cada uma. Um conceito confuso, acreditem, mas perceptível para aqueles que leram esta maravilha. 
As primeiras duzentas páginas, apesar de extremamente divertidas e instrutivas, decorrem a um passo mais lento, afinal, estamos a ambientar-nos com a protagonista não só num local diferente mas num local com duzentos anos de diferença do inicialmente apresentado. Claro que, perto do fim, foi quase impossível colocar o livro de lado, o que resultou em várias noites mal dormidas. É a primeira vez em, muito tempo, que sinto que nenhuma das minhas palavras poderia fazer jus ao livro. Não há, nenhuma maneira humanamente possível de explicar o festim de palavras, personagens, magia e emoções que é Outlander
Diana Gabaldon é brilhante. A forma como a autora descreve a importância de uma simples jarra deixou-me de queixo caído e, para aqueles que não conhecem a autora, mas que leram o livro ou porque simplesmente, como eu, sentem uma espécie de fascínio quase hipnótico pela arte da escrita, devem ver isto (aqui). Por outro lado, a arte da escrita não se baseia apenas a uma jarra, ou a uma cena de amor. Diana Gabaldon transmite com um BANG cenas de horror e de cortar a respiração, de tal modo que num determinado ponto do livro vi-me incapaz de continuar sem fazer uma pausa
Sete anos depois de Lord Voldemort, encontro uma autora que me dá um personagem para odiar com cada fibra do meu ser - Jack Randall
Num outro tom, algo que eu adoro no simples facto de pegar um livro é a quantidade de possibilidades que esse livro oferece e, neste caso, senti que aprendi uma quantidade imensa de factos, truques e sobre a própria história de um país que, há umas semanas atrás, não me dizia quase nada. Ler é, na verdade, uma coisa maravilhosamente bela. Durante 772 páginas, fui uma peça fundamental na Escócia do século XVIII, e como adorei cada segundo. 




Outros títulos da colecção: 
*Nas Asas do Tempo - adaptação televisiva aqui
*A Libélula presa no Âmbar 
*A Viajante
*Tambores de Outono
*The Fiery Cross
*A Breath of Snow and Ashes 
*An Echo in the Bone 
*Written in my on Heart's Blood

Por Raquel Pereira.


Sinopse: Mia está em campanha eleitoral, o namorado não ajuda, mas é o homem dos seus sonhos, a amiga acusa-a de ser uma mana-galinha, e ainda por cima vai ter de discursar perante uma assembleia de alunos da escola onde parecem estar todos presentes. A professora de inglês dá-lhe uma nota ofensiva porque embirra com Britney Spears. A vida de uma princesa não é nada como nos contaram... 



Opinião: Depois de uma pequena pausa na vida de Mia Thermopolis, decidi que era altura de voltar a rever a velha criativa, pensativa, sarcástica e inocente princesa mais americana. A verdade é que, pela altura da última opinião começava, lentamente, a perder o apetite por mais histórias da rapariga de quinze anos que mais parece um poste de sinalização. 
As constantes repetições, o excesso dramático da protagonista, as voltas e revira-voltas esgotaram-me nos primeiros cinco livros e vi-me, cada vez mais, a perder o interesse e a colocar de lado uma história que sei que adoro. Porque, na verdade, é o drama irreal, as situações caricatas, umas atrás das outras e as lançadas sarcásticas de Mia, que fazem com que o livro sejam tão deliciosamente bom. E, com O Diário da Princesa VI - Princesa Estagiária, lembrei-me disso mesmo.
O meu conselho? Não leiam tudo de empreitada, façam uma pausa aqui e ali caso contrário vão ficar com uma imensa vontade de pegar nos cabelos volumosos de Mia e atira-la contra a parede pelas decisões - ou ausência delas - que toma. No entanto, é impossível de negar que as coisas estão a ficar interessantes e, embora haja a ausência de Michael devido à sua presença na faculdade onde parece que descobriu subitamente que, um dia, todos vamos morrer devido a uma catástrofe qualquer, o nível da relação evoluiu para outros patamares onde cada reacção de Mia é simplesmente impagável. Claro que, o facto de estar rodeada, também ela por personagens carismáticos e, sem sombra para dúvida, únicos, elevou a qualidade do material porque, mais uma vez, embora seja escrito sob a perspectiva de um diário, podemos conhecer mais da vida da protagonista e daqueles que a rodeiam.





Por Raquel Pereira.

SinopseAssumir o seu papel como líder não estava nos planos de Alexia White, mas quando a sua mãe perde a vida num terrível assalto ao castelo, ela vê-se sem opções. 

Num mundo onde os fracos se distinguem dos fortes pelos dons que possuem, Alexia está no topo da lista e precisa de aprender a lidar com os seus dons se pretende recuperar Starnyz das garras do traidor. Ian Bealfire, um homem que exala arrogância e prepotência por todos os poros, parece disposto a ocupar o lugar de seu Mestre. 
Há quem diga que a jovem está destinada a salvar o mundo mas despedaçada pelas perdas que sofreu e assombrada pelas memórias do passado, será mesmo capaz de o fazer, quando nem a si parece ser capaz salvar?



1. Há algo de incrivelmente mágico em escrever um livro, em deixar-nos afundar numa história. A minha primeira questão, nem sequer é relativa ao porquê, mas, de onde veio a inspiração por detrás de Despedaçada? 

R: Primeiramente, olá! 
A inspiração para Despedaçada… fazem-me sempre essa pergunta e eu nunca sei responder. Não há um único evento na minha vida em que possa definir como o momento que inspirou tudo aquilo em que a história da Alexia se tornou, acho que no máximo poderia dizer que é uma soma de momentos. A história de princesas e príncipes vem de um descontentamento com os habituais contos de princesas, em que a linda rapariga no vestido bonito fica sentada enquanto outras pessoas põem a vida em risco para a salvar. 
A Alexia foi criada como a verdadeira heroína do mundo real, é muito fácil dar superpoderes a uma personagem e torná-la boa; é complicado, fazer com que os leitores sintam que podiam ser aquela personagem e é isso que a Alexia atinge. A Alexia tem todo um leque de dons maravilhosos que são impossíveis de encontrar – a não ser metaforicamente – no nosso mundo, e contudo ela sofre de depressão, tal como tantas outras crianças, jovens, adultos e idosos, à nossa volta. Estas pessoas que caiem e lutam, que são atormentadas pela própria mente, que mesmo mal, ajudam os outros, são os heróis do nosso mundo e foi isso que inspirou a nossa heroína. O mesmo acontece com as outras personagens, pequenos aspetos do nosso mundo, surgem na base de cada uma delas e são depois modulados com os papéis que desempenham na narrativa.

2. Para mim a escrita é algo muito construtivo, porquê a utilização dos elementos como o Ar, Água, Fogo, Terra, Morte e Vida? E, considerando o mundo que criaste, quanta foi a pesquisa que fizeste? Usas-te algum livro como inspiração? 

R: O fantástico de escrever fantasia é que tudo é possível desde que tudo seja muito bem contruído. Tendo os pilares da história assentes em conceitos do mundo real, podemos criar infinitos outros mundos. Porquê o uso dos elementos? Porque estamos rodeados deles: respirámos ar, foi a descoberta do fogo que permitiu à humanidade evoluir, a água é um bem essencial há nossa sobrevivência, sobrevivemos com aquilo que a terra nos dá, e por sobrevivermos, vivemos, e quando já não houver vida, há morte.
Não usei livro nenhum como inspiração, embora se possa também acusar todos os livros que li como culpados, já que como leitora, todas as histórias que me passam pelas mãos me modificam, nem que seja só um pouco. Usei, contudo, como inspiração, aquela sensação que já todos os leitores sentiram, a sensação de sair deste mundo, de nos libertarmos dos nossos problemas e por algumas páginas sermos livres; sempre foi isso que quis passar aos meus leitores. Queria, e quero, que quando pegassem em Despedaçada sentissem que dentro daquelas páginas não havia problemas que os incomodassem, não havia males que os pudessem deitar abaixo.


3. Algo que tenho imensa curiosidade é o tempo. Quanto tempo é que demorou desde o momento em que começaste a historia de Alexia White até teres o produto final? 

R: A ideia surgiu há sensivelmente 7 anos e depois foi deixada na secretária até 2014. Quando peguei na história foi relativamente rápido, o livro foi todo escrito em, sensivelmente, 3 meses. O mais demorado é a segundo leitura, a alteração desta fala aqui e aquela descrição ali, a modificação de um momento que deixou algo a desejar, estive à volta de 6 meses a fazer isso e depois mais alguns a rever tudo novamente para poder enviar o produto final para a editora. 

4. O livro é escrito no ponto de vista de Alexia, a escolhida, qual é a tua opinião sobre o leque de personagens “escolhidas” que há neste momento nos livros YA, e qual foi a inspiração por detrás da personagem de Alexia e, por acréscimo de Ian? Um “”bad-boy” também ele a transbordar na literatura atual? 

R: Todas as personagens principais são escolhidas, não? Não é só na categoria de YA. As personagens principais são as escolhidas do autor para serem aquelas que narram a história ou as escolhidas para terem a vida narrada. Já expliquei acima a inspiração da Alexia detalhadamente, por isso, se não houver problema explico agora a do Ian. 
Eu quando escrevo, escrevo aquilo que gosto, escrevo aquilo em que acredito e não penso naquilo que já existe, ou melhor, penso. Só não me proíbo a mim mesma de criar uma personagem mais sarcástica ou com um humor mais negro só porque não é a primeira, porque eu sei que todo o resto da história será diferente de todas as outras. Não considero o Ian um bad boy e os leitores têm a oportunidade de ver isso com o desenrolar o livro. O Ian é uma personagem bastante complexa, ao contrário do que o leitor mais distraído poderá pensar. Ele surge de um conceito simples, as pessoas são muito mais do que aquilo que está à superfície e isso é bastante transparente ao longo de Despedaçada em pequenos momentos aqui e ali. Porque só é possível conhecer uma pessoa depois de a tentarmos conhecer! Não é por alguém dizer que não gosta de azul que não gosta mesmo de azul, às vezes ela só tem vergonha de o admitir porque toda a gente à sua volta gosta de verde.


5.Arrependes-te de algo que fizeste ou que não fizeste com a história? Se sim, o quê? 

R: Não. Pode até parecer presunçoso mas Despedaçada é tudo aquilo que quis e mais, não lhe mudava uma vírgula.


6. Despedaçada ronda muito as emoções da personagem principal e da relação da mesma com Ian, havendo um pouco de familiaridade na relação deles com outros livros YA, onde é que achas que a relação dos dois difere das outras? 

R: Bom, um dos principais aspetos é que não é uma relação romântica. Okay, há toda aquela tensão e faísca entre eles, mas eles são essencialmente amigos. No início do livro, a Alexia está deprimida e de toda a gente que há na vida dela, ninguém consegue chegar a ela e fazer uma diferença, mas ele consegue, com piadas, sarcasmo e atitude divertida. E com passos muito pequeninos eles vão construindo uma relação de mútua ajuda e de aprendizagem, não acho que haja muito disso noutros livros.


7 . Relativamente ao final - que não vou mencionar, - podemos concluir que vamos ver uma Alexia mais forte e determinada? 

R: Acho que, tendo em conta tudo aquilo por que a nossa protagonista passou, força não lhe falta. Mas sim, tudo o que aconteceu ao longo do primeiro livro serviu para que a Alexia ficasse mais determinada e focada no seu objetivo. No próximo livro veremos alguém menos fragilizado e imaturo e alguém mais capaz de liderar um povo.

8. Uma vez que és uma autora portuguesa, a escrever em português e em Portugal, qual é a tua opinião sobre o mercado editorial, e o que achas que devia de mudar? 

R: Há muito poucas oportunidades para os autores portugueses no nosso mercado e ainda é pior para aqueles que estão a começar. Não creio, contudo, que a culpa seja apenas das editoras que não queiram publicar autores portugueses, afinal, elas são uma empresa e uma empresa tem de faturar. O mal está no povo português que só aceita como bom aquilo que não é nacional. Chega a ser vergonhoso ver as críticas sem fundamento a algumas obras nacionais, assim como ver que um leitor prefere um bestseller estrangeiro a dar a oportunidade a um escritor – igualmente bom – português. Penso que se o nosso povo mudasse um pouco a mentalidade – e não me digam que não é possível porque a mudança está sempre ao alcance de todos, a mudança de um já é um passo na direção certa – tenho quase a certeza que o mercado começava a abrir as portas para os autores portugueses.

9. Em relação a Despedaça em si, o que é que podemos esperar para os próximos volumes? E para quando é que podemos esperar novidades? 

R: Nos próximos volumes vamos continuar a ver a Alexia crescer, vamos ver o desenrolar da sua jornada, vamos ter muito mais aventura … e muito mais sangue! Não posso dizer mais nada a não ser: nem tudo o que parece é.
Acho que mais para o final do ano já terei mais novidades para todos os meus leitores, por isso, fiquem atentos!

10. Por último, qual seria o teu conselho para novos escritores?

R: Não desistam! Nunca desistam! ‘Nãos’ estão sempre garantidos, o que têm de fazer é lutar pelo sim. E peçam a amigos que leiam aquilo que vocês escrevem e vos deem uma opinião sincera para que possam melhorar todos os dias.

E aqui estarei para ler a continuação. Obrigado Tânia Dias!

Podem adquirir o livro aqui e receber as novidades mais frescas, aqui


Outros títulos da colecção
*Despedaçada - Broken
*Despedaçada #2
*Despedaçada #3





Por Raquel Pereira.

Sinopse: It was always difficult to be Harry Potter and it isn't much easier now that he is an overworked employee of the Ministry of Magic, a husband and father of three school-age children.
While Harry grapples with a past that refuses to stay where it belongs, his youngest son Albus must struggle with the weight of a family legacy he never wanted. As past and present fuse ominously, both father and son learn the uncomfortable truth: sometimes, darkness come from unexpected places.


Opinião: Quando crescemos com um livro, com um personagem, qualquer notícia nova, faz o nosso coração bater mais forte. Confesso que, quando a notícia de que poderia sair um novo livro, um oitavo livro, de uma das minhas autoras favoritas sobre uma das minhas histórias de eleição, admito que vibrei com as novidades e, quando o tive finalmente nas mãos, à meia-noite do dia 30 para o dia 31 de Julho, não posso descrever a felicidade que senti. Uma rapariga de vinte e poucos anos que, de repente, se viu novamente com onze anos, à espera de receber uma prenda à meia-noite. É esse o poder dos livros. O poder de nos fazer transpor a barreira do tempo e, ironicamente, o tempo, uma coisa interessante, como o outro o diria, é algo latente neste oitavo, e aparente, último volume. 
Harry Potter and the Cursed Child foi uma mistura de emoções. Em primeiro lugar, Harry não é o mesmo. Passaram-se dezanove anos, depois vinte, vinte e um e vinte e dois anos desde que o deixamos pela última vez e, como tal, muito mudou. O rapaz que conhecíamos e com quem vivemos aventuras magníficas ficou um pouco para trás e, à nossa frente, vemos um homem transtornado pelo seu passado, à procura de respostas às quais ainda não sabe as perguntas e, pela primeira vez, Harry Potter é obrigado a ficar a assistir enquanto o seu filho, Albus, toma o seu lugar no leque de decisões mal tomadas e irreflectidas que os jovens Potter têm tendência a tomar. 
Houve um sentimento de término. Muitas questões deixadas em aberto foram finalmente respondidas. Quantos de nós, ao longo dos anos, nos questionámos: porquê não usar o vira-tempo para mudar o passado?; porque é que não há ninguém relativamente bom nos Slytherin? o que aconteceria se, se se.  ... Muitos e se e muito mais. No entanto, ainda assim, este oitavo volume levanta uma questão, uma questão essencial que me fez mais do que confusão, que me fez colocar em questão tudo o que eu pensava que sabia sobre Lord Voldemort, algo que me fez revirar as tripas e dar um passo atrás de choque
Para os mais familiarizados com as minhas opiniões, se há algo que eu adoro é uma boa reminiscência a um passado à muito esquecido e se há algo que Harry Potter and the Cursed Child me dá é reminiscências de um passado que eu nem sequer sabia que sentia falta. Não vemos apenas a relação entre Ron e Hermione ou entre Harry e Ginny, mas vemos caras conhecidas, personagens que amámos e odiámos em igual medida; personagens mortas que voltam à vida para mais um diálogo de cortar o coração; personagens que metaforizam o significado de um amor incondicional; personagens que se redimem após anos de ódio e de desprezo através de um simples cobertor. 
Harry Potter and the Cursed Child é um livro, uma peça, que dá vida não só às antigas personagens de Harry Potter como à verdadeira questão que me levou a amar tanto uma série de um rapaz de onze anos que não sabia que era feiticeiro. O amor. A amizade. Harry Potter and the Cursed Child é sobretudo sobre o verdadeiro valor da amizade, neste caso uma amizade bastante improvável, diga-se de passagem, e sobre o que somos capazes de fazer por aqueles que amamos. 
Um dos poucos problemas que tive com Harry Potter and the Cursed Child foi a coesão. Nos livros, temos espaço para o desenvolvimento da história, páginas para explicações e mil parágrafos para perceber o que está a acontecer mas, neste caso, há decisões, transições de cenas que não fizeram muito sentido - como é que eles foram buscar o cobertor a casa de Lily  e James? - e não há realmente uma explicação para elas pelo que vamos ficar para sempre na incógnita. 
No entanto, não foi, de todo, algo mau de se ler, pelo contrário. Despertou todas as emoções que os seus antecessores despertaram e o simples facto de dar uma espécie de fecho a personagens que mereciam mais foi, por si só, algo de louvar. Foi um livro emocionante, divertido e, acima de tudo, esclarecedor. Agora sabemos o que aconteceria nos nossos "e se". As explicações estão dadas. Deixem-se levar por Hogwarts outra vez. Divirtam-se. Não sabemos se vamos voltar a ter esta oportunidade no nosso tempo de vida. 


Hogwarts will always be there to welcome you home. 





Outros títulos da colecção
*Harry Potter e a Pedra Filosofal - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e a Câmara dos Segredos - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e o Prisioneiro de Azkaban - adaptação cinematográfica: aqui.
*Harry Potter e o Cálice de Fogo - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e a Ordem da Fénix - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e o Príncipe Misterioso - adaptação cinematográfica: aqui
*Harry Potter e os Talismãs da Morte - adaptação cinematográfica aqui e aqui
*Harry Potter and the Cursed Child

*Os Contos de Beedle, O Bardo

*Animais Fantásticos e Onde Encontrá-los - adaptação cinematográfica aqui.
*Quidditch Através dos Tempos

Outros livros da autora
*Morte Súbita
*Very Good Lives



Por Raquel Pereira

SinopseAssumir o seu papel como líder não estava nos planos de Alexia White, mas quando a sua mãe perde a vida num terrível assalto ao castelo, ela vê-se sem opções. 
Num mundo onde os fracos se distinguem dos fortes pelos dons que possuem, Alexia está no topo da lista e precisa de aprender a lidar com os seus dons se pretende recuperar Starnyz das garras do traidor. Ian Bealfire, um homem que exala arrogância e prepotência por todos os poros, parece disposto a ocupar o lugar de seu Mestre. 
Há quem diga que a jovem está destinada a salvar o mundo mas despedaçada pelas perdas que sofreu e assombrada pelas memórias do passado, será mesmo capaz de o fazer, quando nem a si parece ser capaz salvar?

Book Trailer:





Opinião: Sou a primeira a afirmar que desconhecia o mundo criado por Tânia Dias até ao momento em que a mesma, muito generosamente, me disponibilizou o seu livro. Mais uma vez, como no caso de Dud@ com Elfanos - O Legado, com Despedaçada - Broken, voltamos à eterna discussão do: o autor português não escreve fantasia que se lhe diga, mas, tal como na opinião de Du@, onde abordo o tema com maior profundidade (aqui), a verdade é que a minha história com autores portugueses, não é, nem por sombras, a melhor, por isso, fico sempre ligeiramente reticente porque, mais uma vez, não podemos deixar de o comparar a outros do mesmo género
Em Despedaçada de Tânia Dias, é-nos apresentado um universo de fantasia onde os elementos, como o Fogo, Ar, Água, Terra, Vida e Morte, são essenciais. Não é a primeira vez que leio algo com o mesmo registo, pelo contrário. São vários os exemplos onde os elementos são as formas de magia utilizadas  mas, neste caso, admito que me recordou Marcada de P.C.Cast e Kristen Cast devido à forma ritualista como era suposto acontecer. Mas, a verdade é que ao longo do livro, as diferenças começam a surgir, devagar, mas aparecem, diferenciando o livro e transformando-o em algo único. No entanto, Despedaçada é um livro mais dedicado à construção de uma relação do que um mundo, o que é uma pena, visto que os alicerces estão lá; contudo, a autora foca-se quase unicamente em Ian e em Alexia, discriminando não apenas o seu próprio universo como outras personagens secundárias nomeadamente Aaron e Sophie, duas personagens que deviam criar algum tipo e empatia, mas que não passaram de pano de fundo. Admito que, todo o calor, todas as reacções provocadas por Ian na protagonista, todas as emoções repetitivas, foram ligeiramente cansativas e previsíveis. 
Mais uma vez, a construção do mundo é pobre e a autora - propositadamente, ou não - mantém o leitor no escuro durante muito tempo. E aqui, não me refiro à história, - por exemplo, em Trono de Vidro de Sarah J. Maas só conhecemos o passado da protagonista, muito à frente nas páginas - mas sim a peças fundamentais como explicações para o seu mundo, nomeadamente dos reinos, de como a sociedade funciona, o que, mais uma vez, é uma reflexão da forma como a autora decidiu contar a história, focando-se quase exclusivamente na relação Ian-Alexia. 
Há uma imaturidade latente à protagonista; Alexia, alguém que perdeu quase tudo, devia ser o exemplo de alguém que anda à deriva, no entanto, a sua infantilidade e a sua falta de profundidade inicial afastou-me dela, ao ponto de, no início, pouco me interessar pelo que lhe acontecia. Um dos exemplos decorre durante um assalto, feito sem nenhum tipo de preparação. A impulsividade é uma característica presente em grande parte das protagonistas dos dias de hoje mas, há formas de saltar para a frente de uma batalha, e há formas de saltar para a frente de uma batalha. Penso que, neste ponto, faltou uma imensa camada à história. Por vezes, os autores pecam por demasia e aqui, penso que Tânia Dias pecou por falta de pormenores. 
Faltava algo. Não me interessei o suficiente pela protagonista e mesmo o final, o plot twist, foi um pouco previsível. Não o quê, em si, mas a ideia de que podia haver algo por detrás de certas acções. Admito que, a própria ideia de ser a escolhida, a única capaz de salvar este e aquele mundo, me incomodou, uma vez que começa a ser uma ideia mais do que utilizada e reciclada. No entanto, pseudo-funcionou e, como é óbvio, irei continuar a seguir o trabalho de Tânia Dias com muito gosto. 




Outros títulos da colecção
*Despedaçada - Broken
*Despedaçada #2
*Despedaçada #3



Por Raquel Pereira.

Desgraça. É a única palavra que me vem à mente. Uma completa e total desgraça. 
Ora bem. Julho. Foi um mês bom para tudo menos para a leitura. Então mas, não tinhas livros, questionam. Tinha. Muitos. Houve novas aquisições, uma literalmente no último dia do mês e, para os mais atentos é fácil de adivinhar qual; houve novas colaborações com autores portugueses, algo com o qual me divirto bastante; e houve, simplesmente novas idas a livrarias onde o gasto me pareceu pura e simplesmente necessário. 
Então o que faltou, questionam. 
Tempo
Não houve tempo para nada. E, quando ele existia, só queria sentar-me que nem uma preguiça a fazer pouco mais do que olhar em frente. Durante este mês, nos meus poucos tempos de lazer, assemelhei-me, nada mais, nada menos, do que a um vegetal e, claro que o Goodreads não podia deixar de me lembrar dos meus falhanços. Pois bem, agora estou vinte livros atrás do objectivo. 
Bem, a esperança é a última a morrer, isto vai ao sítio. Até lá, ficam com as pouquíssimas leituras do mês de Julho. 
Vergonha


Por Raquel Pereira.