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Sinopse: Assumir o seu papel como líder não estava nos planos de Alexia White, mas quando a sua mãe perde a vida num terrível assalto ao castelo, ela vê-se sem opções. 
Num mundo onde os fracos se distinguem dos fortes pelos dons que possuem, Alexia está no topo da lista e precisa de aprender a lidar com os seus dons se pretende recuperar Starnyz das garras do traidor. Ian Bealfire, um homem que exala arrogância e prepotência por todos os poros, parece disposto a ocupar o lugar de seu Mestre. 
Há quem diga que a jovem está destinada a salvar o mundo mas despedaçada pelas perdas que sofreu e assombrada pelas memórias do passado, será mesmo capaz de o fazer, quando nem a si parece ser capaz salvar?


1. Há algo de incrivelmente mágico em escrever um livro, em deixar-nos afundar numa história. A minha primeira questão, nem sequer é relativa ao porquê, mas, de onde veio a inspiração por detrás de Despedaçada? 

R: Primeiramente, olá! 
A inspiração para Despedaçada… fazem-me sempre essa pergunta e eu nunca sei responder. Não há um único evento na minha vida em que possa definir como o momento que inspirou tudo aquilo em que a história da Alexia se tornou, acho que no máximo poderia dizer que é uma soma de momentos. A história de princesas e príncipes vem de um descontentamento com os habituais contos de princesas, em que a linda rapariga no vestido bonito fica sentada enquanto outras pessoas põem a vida em risco para a salvar. 
A Alexia foi criada como a verdadeira heroína do mundo real, é muito fácil dar superpoderes a uma personagem e torná-la boa; é complicado, fazer com que os leitores sintam que podiam ser aquela personagem e é isso que a Alexia atinge. A Alexia tem todo um leque de dons maravilhosos que são impossíveis de encontrar – a não ser metaforicamente – no nosso mundo, e contudo ela sofre de depressão, tal como tantas outras crianças, jovens, adultos e idosos, à nossa volta. Estas pessoas que caiem e lutam, que são atormentadas pela própria mente, que mesmo mal, ajudam os outros, são os heróis do nosso mundo e foi isso que inspirou a nossa heroína. O mesmo acontece com as outras personagens, pequenos aspetos do nosso mundo, surgem na base de cada uma delas e são depois modulados com os papéis que desempenham na narrativa.

2. Para mim a escrita é algo muito construtivo, porquê a utilização dos elementos como o Ar, Água, Fogo, Terra, Morte e Vida? E, considerando o mundo que criaste, quanta foi a pesquisa que fizeste? Usas-te algum livro como inspiração? 

R: O fantástico de escrever fantasia é que tudo é possível desde que tudo seja muito bem contruído. Tendo os pilares da história assentes em conceitos do mundo real, podemos criar infinitos outros mundos. Porquê o uso dos elementos? Porque estamos rodeados deles: respirámos ar, foi a descoberta do fogo que permitiu à humanidade evoluir, a água é um bem essencial há nossa sobrevivência, sobrevivemos com aquilo que a terra nos dá, e por sobrevivermos, vivemos, e quando já não houver vida, há morte.
Não usei livro nenhum como inspiração, embora se possa também acusar todos os livros que li como culpados, já que como leitora, todas as histórias que me passam pelas mãos me modificam, nem que seja só um pouco. Usei, contudo, como inspiração, aquela sensação que já todos os leitores sentiram, a sensação de sair deste mundo, de nos libertarmos dos nossos problemas e por algumas páginas sermos livres; sempre foi isso que quis passar aos meus leitores. Queria, e quero, que quando pegassem em Despedaçada sentissem que dentro daquelas páginas não havia problemas que os incomodassem, não havia males que os pudessem deitar abaixo.

3. Algo que tenho imensa curiosidade é o tempo. Quanto tempo é que demorou desde o momento em que começaste a historia de Alexia White até teres o produto final? 

R: A ideia surgiu há sensivelmente 7 anos e depois foi deixada na secretária até 2014. Quando peguei na história foi relativamente rápido, o livro foi todo escrito em, sensivelmente, 3 meses. O mais demorado é a segundo leitura, a alteração desta fala aqui e aquela descrição ali, a modificação de um momento que deixou algo a desejar, estive à volta de 6 meses a fazer isso e depois mais alguns a rever tudo novamente para poder enviar o produto final para a editora. 

4. O livro é escrito no ponto de vista de Alexia, a escolhida, qual é a tua opinião sobre o leque de personagens “escolhidas” que há neste momento nos livros YA, e qual foi a inspiração por detrás da personagem de Alexia e, por acréscimo de Ian? Um “”bad-boy” também ele a transbordar na literatura atual?

R: Todas as personagens principais são escolhidas, não? Não é só na categoria de YA. As personagens principais são as escolhidas do autor para serem aquelas que narram a história ou as escolhidas para terem a vida narrada. Já expliquei acima a inspiração da Alexia detalhadamente, por isso, se não houver problema explico agora a do Ian. 
Eu quando escrevo, escrevo aquilo que gosto, escrevo aquilo em que acredito e não penso naquilo que já existe, ou melhor, penso. Só não me proíbo a mim mesma de criar uma personagem mais sarcástica ou com um humor mais negro só porque não é a primeira, porque eu sei que todo o resto da história será diferente de todas as outras. Não considero o Ian um bad boy e os leitores têm a oportunidade de ver isso com o desenrolar o livro. O Ian é uma personagem bastante complexa, ao contrário do que o leitor mais distraído poderá pensar. Ele surge de um conceito simples, as pessoas são muito mais do que aquilo que está à superfície e isso é bastante transparente ao longo de Despedaçada em pequenos momentos aqui e ali. Porque só é possível conhecer uma pessoa depois de a tentarmos conhecer! Não é por alguém dizer que não gosta de azul que não gosta mesmo de azul, às vezes ela só tem vergonha de o admitir porque toda a gente à sua volta gosta de verde.

5.Arrependes-te de algo que fizeste ou que não fizeste com a história? Se sim, o quê? 

R: Não. Pode até parecer presunçoso mas Despedaçada é tudo aquilo que quis e mais, não lhe mudava uma vírgula.

6. Despedaçada ronda muito as emoções da personagem principal e da relação da mesma com Ian, havendo um pouco de familiaridade na relação deles com outros livros YA, onde é que achas que a relação dos dois difere das outras? 

R: Bom, um dos principais aspetos é que não é uma relação romântica. Okay, há toda aquela tensão e faísca entre eles, mas eles são essencialmente amigos. No início do livro, a Alexia está deprimida e de toda a gente que há na vida dela, ninguém consegue chegar a ela e fazer uma diferença, mas ele consegue, com piadas, sarcasmo e atitude divertida. E com passos muito pequeninos eles vão construindo uma relação de mútua ajuda e de aprendizagem, não acho que haja muito disso noutros livros.

7 . Relativamente ao final - que não vou mencionar, - podemos concluir que vamos ver uma Alexia mais forte e determinada? 

R: Acho que, tendo em conta tudo aquilo por que a nossa protagonista passou, força não lhe falta. Mas sim, tudo o que aconteceu ao longo do primeiro livro serviu para que a Alexia ficasse mais determinada e focada no seu objetivo. No próximo livro veremos alguém menos fragilizado e imaturo e alguém mais capaz de liderar um povo.

8. Uma vez que és uma autora portuguesa, a escrever em português e em Portugal, qual é a tua opinião sobre o mercado editorial, e o que achas que devia de mudar? 

R: Há muito poucas oportunidades para os autores portugueses no nosso mercado e ainda é pior para aqueles que estão a começar. Não creio, contudo, que a culpa seja apenas das editoras que não queiram publicar autores portugueses, afinal, elas são uma empresa e uma empresa tem de faturar. O mal está no povo português que só aceita como bom aquilo que não é nacional. Chega a ser vergonhoso ver as críticas sem fundamento a algumas obras nacionais, assim como ver que um leitor prefere um bestseller estrangeiro a dar a oportunidade a um escritor – igualmente bom – português. Penso que se o nosso povo mudasse um pouco a mentalidade – e não me digam que não é possível porque a mudança está sempre ao alcance de todos, a mudança de um já é um passo na direção certa – tenho quase a certeza que o mercado começava a abrir as portas para os autores portugueses.

9. Em relação a Despedaça em si, o que é que podemos esperar para os próximos volumes? E para quando é que podemos esperar novidades? 

R: Nos próximos volumes vamos continuar a ver a Alexia crescer, vamos ver o desenrolar da sua jornada, vamos ter muito mais aventura … e muito mais sangue! Não posso dizer mais nada a não ser: nem tudo o que parece é.
Acho que mais para o final do ano já terei mais novidades para todos os meus leitores, por isso, fiquem atentos!

10. Por último, qual seria o teu conselho para novos escritores?

R: Não desistam! Nunca desistam! ‘Nãos’ estão sempre garantidos, o que têm de fazer é lutar pelo sim. E peçam a amigos que leiam aquilo que vocês escrevem e vos deem uma opinião sincera para que possam melhorar todos os dias.

E aqui estarei para ler a continuação. Obrigado Tânia Dias!

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*Despedaçada - Broken
*Despedaçada #2
*Despedaçada #3


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