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Sinopse: Joana pensa que tem uma vida normal. Até que um estranho homem aparece e desestabiliza tudo. De repente, aquilo que pensava saber sobre os seus pais não condiz com a verdade. Nem aquilo que pensava saber sobre os seus amigos mais íntimos... 
Obrigada a escolher entre o seu mundo, a família mais próxima e os amigos, ou acompanhar Marcus para um lugar desconhecido e mágico, Joana vê-se numa encruzilhada que mudará definitivamente a sua vida e daqueles que a rodeiam. 
Uma rapariga que é a salvação ou a maldição. 
Um guarda com uma missão ambiciosa. 
Um grupo de amigos unido. 
Um povo desesperado por mudança. 
Uma rainha sem voz para se impor. 
Um rei iludido com uma utopia. 
Um reino dividido sem razão. 
Um mundo caído na guerra... 
Bem-vindo às Terras Brancas. No Reino de Elfanos. No mundo antigo. 

OpiniãoDud@, com Elfanos - O Legado é uma das poucas autoras portuguesas cujo mundo criado me despertou o interesse pelo que, quando muito generosamente - diga-se de passagem, - a própria autora me disponibilizou o seu livro, a minha pessoa, como fã do fantástico e de fantasia viu-se incapaz de recusar.
Mas, é impossível fazer desaparecer o estigma do: o autor português não escreve fantasia que se lhe diga. E, por muito que queira corrigir essa afirmação, a verdade é que o meu histórico com livros a roçar a fantasia épica escritos por autores nacionais, não é o melhor.
Talvez, a qualidade do material publicado não seja tão escrutinado como o estrangeiro.
Talvez a quantidade de autores nacionais a escrever fantasia seja mínima quando comparado com o estrangeiro.
Talvez as editoras apostem pouco no que é nosso.
Sou sincera ao ponto de afirmar que, apesar da curiosidade que tinha, muito antes de Dud@ entrar em contacto comigo, já estava reticente na sua compra porque a verdade é que, ao lermos um livro, não podemos deixar de o comparar com outros, seus semelhantes a não ser que seja único no seu conteúdo, o que, nos dias de hoje, é raro. No caso de Elfanos - O Legado, com As Crónicas de Shannara, O Senhor dos Anéis, A Rainha de Tearling ou até mesmo O Beijo dos Elfos de Aprilynne Pike. Por ser uma autora portuguesa devemos ser menos exigentes na qualidade? Por ser uma autora portuguesa devemos apregoar aos sete ventos para o povo comprar um livro cujo conteúdo é medíocre (o que não é o caso)? Isto é uma das principais razões pelas quais não me relaciono muito com críticas escritas a autores portugueses que afirmam que tudo é perfeito, que o que é nosso é bom, como dizia o outro. Mas isso, é uma conversa para outras alturas.
Elfanos - O Legado, surpreendeu-me. A noção do mundo criado por Dud@ foi algo que me interessou desde a primeira página. Para uma amante de fantasia, é sempre uma maravilha depararmos-nos com conteúdos já utilizados e mais do que reciclados por outros autores e vê-los espremidos numa nova forma e, para mim, é sempre mais do que bom deparar-me com uma protagonista capaz de mudar um reino, mudar um mundo. Passo a explicar: um mundo, por si só, pode ser brilhante, uma ideia, por si só, pode ser maravilhosa, mas uma protagonista única consegue mover montanhas e levar os leitores até ela. A questão que se coloca é: Joana Hereros conseguiu-o?
Para mim a resposta ainda não é clara. Joana por si só, não me chegou, o que é um problema. Uma protagonista cujas acções se revelam irrealistas, nem é irreflectidas, levam a que a história por si só, perca muito do seu encanto. Joana, que pouco sabe sobre o Mundo Antigo, chega com uma atitude de "eu posso, quero e mando", uma postura que podia ser bem suportada, se houvesse uma maior profundidade/exploração/sentido do real do mundo/personagens. Um exemplo perfeito seria A Rainha de Tearling de Erika Johansen. Na maior parte das vezes, cheguei a preferir Patrícia, a melhor amiga de Joana, à mesma.
Agarrei o livro, assim que ele chegou, e parei apenas quando as páginas acabaram. Não vou mencionar as características físicas do mesmo porque, para mim, isso não é, de todo, o essencial e não deve ser o factor pelo qual alguém deve ou não adquirir um exemplar. A história é que deve ser o factor chamativo - nada mais. No entanto, por muito que uma história contada de boca em boca seja electrizante, o mesmo não se passa na história escrita. Para mim, um livro para ser considerado excelente deve ter uma escrita madura que, ou se nasce com ela ou é adquirida com os anos e, para mim, Elfanos - O Legado, não atingiu o ponto que eu queria. Houve um inúmero demasiado grande de conversas, diálogos, gestos e acções que foram demasiado previsíveis. Mas admito, fui surpreendida com algumas frases como "Beijinho no Ombro", e com acções que me fizeram recordar Aladdin, no momento em que Yasmin remove o capuz para se expôr aos guardas para impedir os guardas de mal-tratarem o seu amado e que, para mim, removeu algum do entusiasmo.
A escrita é fluída, organizada, mas lê-se com facilidade e para mim, há uma linha ténue que separa a facilidade da infantilidade. Elfanos - O Legano seria perfeito se fosse para um público mais jovem. Aí, a autora teria atingido o ponto. No entanto, não o é. O carácter sexual - não roçado ao de leve, mas pormenorizado - de algumas passagens, impossibilitam de tornar Elfanos - O Legado, um livro direcionado para os mais jovens. Houve demasiada facilidade na escrita. O desenvolvimento dos personagens foi demasiado fácil, a sua apresentação ao mundo foi demasiado simples, o "rapidamente somos mestres do combate com criaturas sobre as quais nada sabíamos" foi demasiado infantil, as transformações foram demasiado superficiais, as alianças demasiado rápidas, as relações quase sem conteúdo. A Elfanos - O Legado, falta profundidade. Enquanto somos bombardeados com quase uma página sobre a necessidade de urinar, roçamos apenas ao de leve uma transformação que, a meu ver, é essencial para o crescimento da própria protagonista/personagens.
Algo que me incomodou mas que roça o pessoal, foi o facto de um livro do fantástico/de fantasia, ser passado, maioritariamente no nosso mundo, de os nomes próprios serem demasiado comuns de não haver uma exclusividade dada a Elfanos - O Legado no que toca à nomenclatura. O facto de ser no nosso mundo, no nosso país, não acrescentou nada à história, não me aproximou da protagonista ou do seu núcleo de amigos. Mas, como já referi noutras opiniões, todas as histórias contam-se por si mesmas e, se para a autora funcionou, quem sou eu para dizer o contrário?
No entanto, dou os parabéns a autora pela imaginação, pelo conteúdo, pela forma como enrolou os eventos culminando num precipício de incertezas; dou-lhe os parabéns não apenas pelo facto de ter sido capaz de publicar um livro de fantasia neste nosso país que pouco valor dá aos escritores como de ter sido capaz de escrever algo com qualidade. Elfanos - O Legado é, para mim um livro, perfeito? Não, de todo. Mas acho que há potencial? Sem espaço para dúvidas. Irei continuar a história de Joana? Absolutamente.
Outros títulos da colecção: 
*Elfanos - O Legado
*Elfanos #2
*Elfanos #3
*Elfanos #4
*Elfanos #5


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