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OpiniãoDepois da leitura de Delirium, decidi que era a melhor altura para ver o único episódio da "falecida" série com o mesmo nome do livro homónimo. Depois do episódio-teste (piloto) a série foi descontinuada e o primeiro episódio esteve disponível em stream pela própria rede televisiva até ao final o verão.
Em Delirium o amor é considerado uma doença mortal e, portanto, ao atingir a maioridade rapazes e raparigas são submetidos a uma cirurgia que elimina a capacidade de amar seja o que for, de forma a que o coração não sofra qualquer tipo de sobressaltos, que se mantenha constante até à última batida. É este o conceito por detrás do livro. Um conceito forte e arrebatador, que me levou a devorar as páginas com a ânsia de saber mais sobre este mundo onde amar é considerado um pecado capital, punível com pena de morte. Mas, ao contrário do que acontece com o livro, apesar da qualidade de alguns dos actores, o episódio não se destacou pela diferença, apesar da escrita mágica da autora, Karyn Usher, responsável pelo guião, não possui o mesmo talento ou não teve oportunidade de o mostrar.
Penso que, enquanto adaptação, Delirium dava, pelo menos, uma óptima mini-série, se transcrita de forma decente mas, infelizmente, há uma sensação de rapidez, de pressa. O que é normal visto que um livro de mais de 400 páginas limita-se a um episódio de 42 minutos. Sim. O primeiro livro de uma trilogia é esmagado num único episódio. (Enfim).
Para além das óbvias diferenças, já característica das adaptações, fiquei decepcionada com a forma como Lena é interpretada. Apesar do enorme talento de Emma Roberts, a personagem perde muito pela falta de ingenuidade, pela falta de controlo, pelo excesso de felicidade. Na verdade, a maior parte das pessoas parece não ser afectada pela cura - expressam desejos e ambições, zangam-se e mostram preocupação. A cura parece não fazer o mínimo sentido.
O que não gostei, de todo, foi da conspiração que parece haver em torno de Lena e não faço ideia até que ponto é que dá spoilers para os próximos livros. Algo de que gostei, no entanto, foi da relação/química entre a Lena e do Alex que, apesar de apressada (como é óbvio) e do desaparecimento de alguns momentos/diálogos fulcrais. Foi uma relação mais ou menos aproveitada, ao contrário do que aconteceu com a relação entre Lena e Hana (que apregoei aos sete ventos que é perfeita no livro), é uma completa anedota, distorcendo completamente a personalidade da última, nomeadamente a lealdade. Por outro lado, as Criptas, um elemento-chave para a decisão da protagonista quanto ao seu futuro, não parecem NADA assustadoras.
O que reparei foi que, para além das atitudes apressadas e das relações distorcidas e das novas personagens de quem nunca ouvi falar, há erros, e que erros. O maior de todos, o que mais me chamou à atenção foi o facto de, após a mordida sangrenta do cão do vigilante, a cicatriz/ferida desaparece. Lena não coxeia e, no dia seguinte, usa um vestido curto.
Apesar do livro fantástico sobre o qual é baseado, Delirium enquanto série não teve a qualidade esperada - infelizmente. Mas, para os fãs do livro, é sempre uma boa experiência - mais ou menos.
Outros títulos da colecção: 
*Delirium - adaptação televisiva aqui
*Pandemonium
*Requiem

Outros títulos da autora:

*Before I Fall
*Panic
*Vanishing Girls
*Rooms


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