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Sinopse: Durante dezoito anos, o destino de Tearling ficou nas mãos do Regente, manipulado pela Rainha Vermelha, uma feiticeira implacável que governa o reino vizinho de Mortsmesme. Porém, Kelsea Glynn, sobrinha do Regente, é a legítima herdeira do trono. Quando completa dezanove anos, está pronta para reclamar o que é seu - e assim regressa do exílio com o objectivo de tornar Tearling um reino livre de pobreza, opressão e escravatura. Mas Kelsea é jovem, ingénua e cresceu longe da corrupção e dos perigos que assolam o reino. Cedo lutará pelo trono e pela própria sobrevivência, num caminho de crescimento em que aprende a lidar com uma herança muito pesada



Book Trailer

OpiniãoFui, mais ou menos enganada aquando a compra de A Rainha de Tearling. Acreditava piamente que estava à beira de ler uma fantasia épica criada num universo fantástico quase à semelhança de O Trono de Vidro de Sarah J. Maas ou de, mais recentemente Uma Chama Entre as Cinzas de Sabaa Thair mas, A Rainha de Tearling apesar de criar efectivamente esse mundo, deixa alguns buracos na história pelo simples facto de ser, ao mesmo tempo, uma distopia, passada num futuro estranho. É a primeira vez que sinto que a criação de um autor podia ser infinitamente melhor se não houvesse a componente do nosso mundo. Não me interpretem mal, adorei A Rainha de Tearling, mas, havia falhas na história.
Em primeiro lugar, desconhecemos o que se passou com o nosso próprio mundo e o facto de que a América e a Europa a meio que se juntaram num novo continente deixou-me para lá de baralhada. Que continente? O acontecimento para a formação de Tearling chama-se de A Travessia e, penso que se assemelha, pelo menos na minha imaginação, ao Dilúvio provocado na Bíblia, uma espécie de começo para a humanidade. No entanto, há tanto que falta. Temos, neste mundo fantasioso recheado de espadas, castelos, reis e rainhas, referências a J.K.Rowling, ao Hobbit e ao Senhor dos Anéis. Esse tipo de coisa deixa-me fora de mim. Para além disso, não há realmente uma explicação para a falta de tecnologia e mesmo a falta de médicos é justificada pelo afundamento de um navio onde iam TODOS os médicos e respectivos equipamentos e medicamentos.
Faz sentido? Temos um início incrivelmente promissor, com uma protagonista exemplar à semelhança de outras do mesmo género mas, penso que a história acaba por perder um pouco pela falta de respostas e de conhecimento e aqui, não me refiro a pontos chaves da história, mas à própria construção do mundo. Há demasiadas coisas que não fazem sentido.
Por outro lado, A Rainha de Tearling é um livro que, para os mais ansiosos por acção requer paciência. Os acontecimentos no seu verdadeiro nome são raros e os que acontecem desenrolam-se demasiado depressa ou apenas no final do livro. A Rainha de Tearling é aquilo que se pode chamar de um livro descritivo e sendo tanta a construção do mundo, é natural que num primeiro livro, haja uma imensa quantidade de informação que, no entanto, ao contrário de outros, foi dada em quantidades controladas e perfeitas pelo que o leitor não chega a ser sobrecarregado de informação. Mas, o que chega a ser demasiado descritivo, acaba por, em alguns momentos passar por aborrecido e o facto de por vezes haver demasiadas páginas sem diálogos cria, a meu ver, cansaço.
Mas, é uma história forte e concisa e realmente boa e apelativa. Kelsea é alguém cujos pensamentos e cujas acções são de louvar e com quem é fácil não só de identificar mas de gostar e penso que, uma das coisas boas que a descrição excessiva da autora deu foi realmente o nível de construção das personagens porque, não só Kelsea era incrivelmente forte como as milhentas personagens que aparecem pelo meio, desde o tio ao padre, acabam por ganhar uma personalidade muito forte e uma voz sonante num universo já de si repleto de personagens e, muitas das vezes, são vários os exemplos onde o núcleo imenso se mistura entre si numa única voz e, em A Rainha de Tearling tal não acontece.
Mas, ao mesmo tempo, há demasiadas questões, demasiados espaços em aberto e demasiada especulação, o que não é propriamente algo mau, significa que o livro não é previsível, contudo há uma falta de sintonia, por assim dizer. De onde vem a magia? O que são as safiras? Quem é o pai? Até mesmo a temível Rainha Vermelha, uma voz que ouvimos de algumas páginas em algumas páginas parece fraca e não actua como uma verdadeira antagonista, pelo contrário. Terei preferido manter-me igualmente na escuridão no que toca à adversária de Kelsea porque, entre as duas, a força parecia vir somente de um lado. As próprias relações entre os personagens estão no ponto, embora haja uma diferença de idades consideráveis entre quase todas, tal é rapidamente esquecido.
A Rainha de Tearling é um bom livro e, apesar dos defeitos é um bom começo de uma série e, embora possa recitar cada uma das falhas da construção do mundo, nunca se sabe com o que nos vamos deparar no próximo volume, o mesmo aconteceu com A Selecção de Kiera Cass e tal não me impediu de me divertir com a leitura e certamente que A Rainha de Tearling me divertiu, além de que em breve (sabe-se lá quando), poderemos ver Emma Watson como Kelsea.
Outros títulos da colecção: 
*A Rainha de Tearling 
*The Invasion of the Tearling
*The Fate of the Tearling (29/11/2016)


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