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OpiniãoDurante um ano acreditei de forma veemente que Insurgente foi uma das piores adaptações cinematográficas que vi. Um ano passou e, com isso, mudou a minha opinião. Sem qualquer dúvida que, a pior adaptação que vi até ao dia de hoje foi Convergente - Parte 1.
Por onde começar?
Terminei a leitura de Convergente, literalmente, algumas horas antes de ir ver o filme, pelo que os detalhes, os diálogos e os acontecimentos permaneceram frescos na minha memória. Não faço ideia do que aconteceu depois de Divergente, um filme simples, sem exagero de tecnologia, uma imagem clara daquilo que visualizei aquando a leitura. Insurgente foi o descalabro e em Convergente - Parte 1, o caos.
Começamos?
Admito que o início, apesar de ligeiramente diferente, parecia, e acentuo o "parecia" promissor. Apesar das ligeiras diferenças, o filme evidenciava alguns dos acontecimentos, dando mais destaque, expandindo o universo criado por Veronica Roth e, para mim, é isso que uma adaptação deve ser, não um retrato fiel do livro em si, mas uma expansão, uma espécie de complemento do livro que, obviamente nunca será capaz de substituir. No entanto, não pode, de todo, actuar como complemento quando a linha temporal muda de forma drástica.
Primeiro que tudo, no livro quando o grupo decide sair da cidade, de noite e não às claras para o mundo inteiro ver, chegam a outra cidade, esta, desfeita e quase fantasma, seguindo as linhas férreas para se orientarem. Claro que, no filme, isso seria demasiado simples, portanto, criaram uma zona radioactiva que mais parece o planeta vermelho.
O problema?
Mais do que uma vez mencionam que a atmosfera é tóxica, havendo um fenómeno meteorológico estanho.
O quê?
Bem, a água da chuva é, aparentemente vermelha. A minha questão é muito simples. Se o mundo está, de tal modo desolado, a atmosfera tóxica, a chuva ensanguentada, não afectaria Chicago? Pormenores.
Um dos inúmeros problemas que apareceram e que mudaram completamente a história foi a ausência de Uriah (apresentado em cinco segundos em Insurgente), Zeke, Amar, George, entre outros.
Porquê?
Bem, um dos motivos para o regresso do Quatro à cidade é a própria condição de Uriah. Vêem o problema? Como colocar Quatro em Chicago, se não demos qualquer tipo de importância a Uriah em Divergente? Ou em Insurgente? Isto para não falar da completa ausência de Zeke que, por algum motivo, tornava Quatro mais humano. Isto para não falar de Tory e do irmão George, nulo em Convergente - Parte 1.
O meu outro grande problema, foi a relação de Tris e Caleb. De alguma forma, a monstruosa traição de Caleb é atenuada ao extremo, uma vez que Caleb e Peter actuam como elemento cómico. O problema que tenho é que, Peter, no último volume, tem quase uma acção redentora e no filme, mais uma vez, não passa de um completo psicopata. A relação de amizade com Christina, claro que foi minimizada, uma vez que o que importa é a relação amorosa. Prioridades. E, apesar de mencionados, nunca chegamos a saber como é que Natalie passou despercebida em Chicago e o que a levou a mudar-se para a experiência.
Mas claro, o meu gigantesco problema vai para a linha de acontecimentos. No livro, Tris é, mais confiante do que nunca e, mais do que em qualquer outro livro, confia no seu instinto e, são as acções de Quatro que quase levam ao término da relação. Mas, obviamente que, o não aparecimento de Uriah modifica não só o aparecimento/personalidade de Nita como modifica a revolução/rebelião, e claro que, na nova história, Tris é que é a pobre rapariga tola que confia demasiado sem provas e, portanto, é aquela que pede desculpas. Always the woman.
Para além do mencionado em cima, seria impossível para não mencionar o final completamente ridículo, longe de tudo o que o livro alguma vez mostrou. Os efeitos especiais estavam para lá do infantil. Os responsáveis exageram de tal modo que nada pareceu real.
Que barreira com pontos é aquela?
Que bolhas foram aquelas?
Que banho foi aquele?
Que drones são aqueles?
Claro que a classificação no Rotten Tomatoes começou por ser de 0% com 11 críticas.
Uma péssima adaptação.
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2 Comentários

  1. Faço das tuas palavras as minhas. Eu li o livro logo quando saiu, ou seja, à imenso tempo e admito que não me lembrava da linha temporal e de alguns acontecimentos, mas lembrava-me da história e do que acontecia. Mas logo pelo trailer que eu vi que não ia ser boa coisa, logo aquela terra vermelha que mais parece marte do que outra coisa, mas mesmo assim ainda pensei que fosse melhorar, mas NÃO... bem posso dizer que não gostei e disseste tudo na tua opinião. Que raio de bolhas são aquelas e aquele banho parvo?? Mas acho que a principal alteração é a falta do Uriah. Tal como tu também não gostei nada do filme e não precebo as criticas cinematograficas quando dizem que o filme é um dos melhores (acredia eu li isto), tudo bem que não estão a comparar ao livro, mas mesmo assim, tal como disseste os efeitos especias eram infantis que não dava e as conversas parvas foi a gota de água ...
    Bem, este foi talvez a pior adaptação que vi, mas pronto -.-
    Eu sai de lá a pensar "com tantas mudanças e alterações, será que vão mudar o final?", já que eu sou daquelas pessoas que não gostou do final do livro para mim até fazia sentido, mas pronto, vamos esperar.

    Beijinhos,
    Daniela RC

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    Respostas
    1. Percebo agora porque é que mudaram o nome do último filme para Ascensão. Não faço a mais pequena ideia como é que o final deste filme vai-se desenrolar num novo filme. Não há mais história, pelo menos no que toca ao livro. Já utilizaram a plot line do soro da memória, a não ser que agora, em busca pela vingança eles o usem ou tentem usar contra a Direção do Bem-Estar Genético que é, na verdade, a plot line original, mas não sei porque tudo mudou. Nem sequer a relação de Matthew e Nita pareceu a mesma. Fiquei mesmo desiludida. Enfim :/
      Beijinhos :)

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