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Opinião: “A Teoria de Tudo” conta a extraordinária história de uma das mentes mais brilhantes dos nossos tempos, o reconhecido astrofísico Stephen Hawking, e de duas pessoas que, por amor, desafiam todas as probabilidades. O filme é baseado nas memórias “Travelling to Infinity: My Life with Stephen”, de Jane Hawking.
Em 1963, enquanto estudante de cosmologia na conceituada Universidade de Cambridge, no Reino Unido, Stephen consegue grandes avanços e está determinado a encontrar uma “simples, eloquente explicação” para o Universo. O seu mundo expande-se quando se apaixona por Jane Wilde, uma estudante de artes, também em Cambridge. Mas, aos 21 anos, este jovem saudável e activo recebe um diagnóstico que vai abalar a sua vida: a degeneração dos neurónios motores vai atacar os seus membros e as suas capacidades, deixando-o com limitações de fala e movimento e terminando com a sua vida em dois anos.
O amor, apoio incondicional e determinação de Jane são inabaláveis e os dois casam-se. Com a sua esposa a lutar incansavelmente a seu lado, Stephen recusa-se a aceitar o diagnóstico. Jane encoraja Stephen a terminar o seu doutoramento, que inclui a sua teoria inicial da criação do universo. Começam uma família e com o recém conseguido e altamente louvado doutoramento, Stephen embarca no seu mais ambicioso trabalho científico, estudando exatamente aquilo que lhe resta em pouca quantidade – o tempo. Com o seu corpo a enfrentar cada vez mais limitações, a sua mente continua a explorar as fronteiras da física teórica. Juntos desafiam todas as probabilidades, explorando novos caminhos na medicina e ciência, alcançando mais do que alguma vez poderiam ter sonhado – bem para lá do século XX.


Não há grande coisa a dizer sobre o filme a não ser que é absolutamente maravilhoso. Não pode haver spoilers quando sabemos exatamente o que vai acontecer ao jovem Stephen, interpretado de forma perfeito por Eddie Redmayne, aparentemente saudável que, contra todas as expectativas, conseguiu prosperar tornando-se, sem dúvida, num exemplo do que é que a força de vontade. Mas para além de seguir o trajeto de vida pouco antes do diagnóstico da doença que o incapacitou até ao Stephen Hawking que conhecemos nos dias de hoje, a Teoria de Tudo retrata uma história de amor e do mesmo modo as dificuldades de uma família, nomeadamente, de uma mulher que se esqueceu de quem era e do que queria para poder providenciar as necessidades de Stephen "Eu amo-o. E ele ama-me a mim". Felicity Jones interpreta Jane Hawking, em solteira, Wilde, uma mulher dedicada e destemida que apesar de não parecer, mostrou-se crucial nos momentos mais marcantes, sendo a instigadora para Stephen, acreditando nele, mesmo quando as probabilidades não estavam a seu favor. "Ele vai falar novamente". 
Brilhante. Comovente. Inspirador. Absolutamente extraordinário. 
"Enquanto há vida, há esperança". 


Foi um mês positivo, não só pela quantidade mas igualmente pela qualidade. Um mês recheado de personagens marcantes e de histórias originais que passaram por príncipes e princesas, humanos geneticamente modificados, alienígenas e uma atriz perdida na sua própria mente. Não houve leituras negativas, nem pouco mais ou menos. Para lerem a minha opinião sobre cada um dos títulos, basta clicar sobre o respectivo nome. Esperemos que Fevereiro seja igualmente bom ou melhor!

 Por Raquel Pereira

Sinopse: Do grupo de nove crianças que conseguiram escapar à destruição do seu planeta de origem, Lorien, pelos cruéis Mogadorianos restam apenas seis. Estas crianças são os Garde, que se refugiaram na Terra, e cada um deles é designado por um número. Entretanto, adotaram nomes humanos para não levantarem suspeitas sobre a sua origem alienígena e para tentarem passar despercebidos à perseguição que os Mogadorianos lhes continuam a mover no nosso planeta. À medida que crescem e desenvolvem os seus poderes especiais, ou Legados, vão sendo preparados para um confronto final com os seus inimigos. Durante a perigosa missão à base dos Mogadorianos na Virginia Ocidental, John Smith, o Número Quatro encontra e resgata o Número Nove, mas o grupo perde Sam, o melhor amigo humano de John. Para conseguirem salvar o nosso mundo e o deles, têm de parte em busca de Seis e de Sete, duas raparigas que após terem andado a combater os Mogadorianos em Espanha, estão agora a tentar localizar o Número Oito na Índia. É uma busca desesperada, porque sabem que só juntos são suficientemente poderosos para salvarem o planeta deles e o nosso!

Book Trailer: 




Opinião: Em A Ascensão do Nove não há um, nem dois, mas três pontos de vista: o do Quatro, o da Sete e o da Seis e nunca fiquei tão satisfeita por ler do ponto de vista de uma personagem como fiquei ao ler do ponto de vista da Seis. É, sem dúvida, uma das melhores personagens dos Legados de Lorien. Neste volume, no entanto, reparei que, não sei se foi da tradução ou se as personagens decidiram de livre e espontânea vontade (todos os seis em cantos opostos do mundo) começar a tratar os Mogadorianos por Mogs. Não gostei. Para além dessa diferença, ao contrário do volume anterior O Poder de Seis, há todo um conjunto de novos cenários que vão desde a Índia, até à Inglaterra, com um percalço pelo caminho, até ao Novo México. Mil cenários diferentes e, pela primeira vez, estão no caminho certo para reunir agora não seis, mas sete Lóricos (nos volumes anteriores eram Lorianos - confusa com a mudança de palavreado).

Para além do ponto de vista da Seis que foi, obviamente, um dos pontos altos deste volume, descobrimos mais coisas sobre Lorien e sobre o papel que os restantes Garde vão ter no futuro. E aqui, é nos dito o que já sabíamos, que cada um deles irá assumir o papel dos Anciães e, um deles é Pittacus Lore. De acordo com tudo o que aconteceu nos volumes anteriores e neste, é dado a entender que o Garde que tem os poderes de Pittacus Lore tem a capacidade de comunicar em sonhos ou visões com o líder dos Mogadorianos e, desde o princípio que essa pessoa é o Quatro, desde o volume anterior. No entanto, aqui percebemos que o Oito possui o mesmo "poder" (e agora percebo porque é que no Poder de Seis, o líder desenhou um Oito). MAS, embora não lhe tenha sido dado nenhum destaque - o Oito referiu que pensava que era ele, e o Quatro literalmente disse "Eu sou o Pittacus Lore" - o Nove também apareceu nessas visões. Não poderá ser ele o Pittacus? Seria muito mais inteligente ter colocado o poder do único ancião capaz de fazer frente a Setrakús Rá, no último Garde, já que enquanto o encantamento persistisse os Mogadorianos não seriam capazes de o matar!
Uma das coisas que mais me divertiu foi a disparidade entre as personalidades de cada Garde, sem dúvida que em termos de irreverência, o Nove é o meu favorito com as suas flutuações de humor e lealdade para com Lorien. O Oito não me convenceu minimamente ao início, com o seu pequeno exército de sectários, nem tão pouco quando resolveu criar aqueles "testes". Mas, com o avançar das páginas, a simpatia cresce e percebemos a sua solidão e, apesar de inicialmente presunçoso, há realmente uma humildade e simpatia no rapaz.
Mas para além da disparidade entre as personalidades, há igualmente a disparidade entre o tipo de vida que cada um levou e não percebo como é que um tem uma casa digna de um James Bond e outra teve de pedir esmola em Espanha para sobreviver. Cada Cêpan era diferente. Aceito. Mas certamente que, apesar dos diferentes métodos, alguns tinham de ser mais inteligentes que outros, senão como seria possível tamanha diferença de estilos de vida?
Neste volume, os Mogadorianos (recuso-me a tratá-los por Mogs), não são o único adversário e mais uma vez a estupidez do ser humano ou seja lá o que for é colocada em papel. Os seres humanos conhecem ou pensam conhecer o segredo de Lorien e estão a trabalhar ao lado dos Mogadorianos porque, como sempre acontece, pensam que vão ser beneficiados. Desde o primeiro volume que possuímos essa pista através de Sam e das suas teorias que agora se confirmam como verdadeiras.
As Arcas intrigam-me. Parecem pequenos tesouros sempre prontos a fornecer seja o que for na altura necessária e, sinceramente, são das coisas que menos gosto. São pesadas e preferia que elas não existissem. Cenas como a do cubo amarelo a passar da boca do Nove para o Bernie para o Quatro eram desnecessárias. Não precisava de ler isso. A pulseira. O bastão. O que é aquilo? A Arca mais parece a lâmpada do génio.
Para além de tudo isso há situações que não compreendo entre as quais as duas lutas entre o Quatro e o Nove. Porquê? Nenhuma delas serviu realmente para nada para além da afirmação do Quatro de que era o Pittacus e do Nove a mostrar que tem um coração ao defender os indefesos.
O Quatro, mais uma vez, é frustrante. Ele tem nas mãos um tablet, provavelmente cheio de informações importantes (o que se verifica) mas em vez de procurar carregá-lo imediatamente ou logo que possa, prefere deixá-lo estar e continuar a brincar com os botões em vez de pensar em ligá-lo a uma cabo e por sua fez a uma ficha. O mesmo aconteceu com a carta de Henri.
Para além dos Garde, cheguei à triste conclusão, que já tinha verificado no Sou o Número Quatro e no Poder de Seis de que os Cêpan não são suposto viverem. Todos caem que nem moscas. Um atrás dos outros, o que é triste. Seria agradável ter, pelo menos, alguém que soubesse minimamente o que faz e agora com o Quatro, Seis, Sete, Oito, Nove e Dez juntos, resta o/a pobre Cinco que está algures sozinho/a perdida/o no mundo. E, por alguma razão pergunto-me se iremos ter o seu ponto de vista no próximo volume e até que ponto ela/e é importante. Tem de haver um motivo para ela/e ter sido deixado para último.
Outra descoberta feliz foi a de Sarah que, finalmente, mostrou que tem alguma fibra e foi fundamental para a última luta com o líder dos Mogadorianos. Pelo contrário, o Sam não apareceu de todo, para além de sonhos onde aparecia torturado, rodeado por uma poça de sangue.
É uma óptima continuação, sem dúvida, ausente em momentos parados, onde em cada página há uma nova revelação, um novo ganho ou uma nova perda. Até agora é um dos meus volumes preferidos dos três traduzidos: Sou o Número Quatro, O Poder de Seis e A Ascensão do Nove. E mal posso esperar para ler a continuação que espero, sinceramente, que ao contrário deste, não demore tanto quanto os outros porque não me apetecia ter de lê-los em inglês. 



Outros títulos da colecção
*Sou o Número Quatro - adaptação cinematográfica: aqui
*O Poder de Seis
*A Ascensão dos Nove 
*The Fall of Five
*The Fate of Ten

*The Lost Files

Por Raquel Pereira


Opinião: Alan Turing não é, como tantos outros, um herói de guerra reconhecido e a sua história permaneceu oculta durante cinquenta anos. O foco do filme não é a guerra, pelo que as cenas de atentados são poucas e minimamente realistas. O foco do filme é sim a Enigma, uma máquina encriptada alemã que, caso descodificada, poderia dar, entre outros, as posições dos submarinos e navios de guerra alemães que, durante o período de 1939 a 1945 destruíram e provocaram a morte a dezenas de milhares de pessoas, incluindo de modo indireto, com a destruição de barcos de carga com alimentos. 
Baseado em factos verídicos, o filme começa com uma remanescência a um passado longínquo em 1928, apresentando um Alan introvertido e cuja infância foi marcada pela violência dos colegas de escola pelo facto de ser diferente o que o permitiu chegar à conclusão que viria a alentá-lo anos mais tarde de que a violência só dura enquanto a vítima se debate, porque ver a sua reação sabe bem. É aqui, num passado posterior e anterior à guerra que nos é apresentado Christopher, e aquela que podia passar por uma amizade, reflete-se no primeiro amor e na primeira evidência da orientação sexual de Alan. 
Como era de esperar, Benedict Cumberbach é incrivelmente verossímel no papel de um homem egocêntrico, arrogante com graves problemas ao nível do relacionamento. Uma das partes mais "divertidas" é ver Alan a procurar colmatar a sua incapacidade social com os colegas de trabalho, orientado e incentivado pela personagem interpretada por Kiera Knigthtley, Joan Clarke.A relação que se estabeleceu entre os dois é incrivelmente comovente e enternecedora, baseada numa amizade pura. São duas mentes brilhantes que se completam. Uma relação baseada no intelecto. 
Um apaixonado (obcecado) pelo seu trabalho e pelos puzzles e enigmas do dia-a-dia Alan e a sua equipa conseguiram quebrar o código da Enigma com a máquina construída e pensada por Alan, chamada Christopher. Foi com a descodificação da Enigma que os Aliados conseguiram vencer a guerra, antecipando os ataques alemães - incluindo o famoso Dia D. E, apesar da racionalidade e arrogância que Benedict Cumberbach mantém incólume até ao fim, em nenhum momento somos capazes de deixar de simpatizar com a personagem criada e, por isso, o fim do filme, anos após o final da guerra (1959) é nada menos do que chocante para aqueles que, como eu, desconheciam a existência deste homem brilhante porque Alan Turing  cometeu o crime de ser homossexual e, por isso, foi-lhe dado a escolher entre dois anos de prisão ou castração química. Para poder continuar o seu trabalho, Alan escolheu a segunda opção. Suicidando-se anos depois. Alan Turing cujo trabalho permitiu encurtar a guerra em 2 anos e que estima-se que salvou mais de 24 milhões de pessoas.
No fim é-nos dado a saber que, em 2013, a Rainha Isabel II concedeu-lhe perdão.
Fica a questão: porque é que ele tinha de ser perdoado se não cometeu nenhum crime? 
Recomendo vivamente. 



Opinião: Quando há uma adaptação cinematográfica de um livro que nos é querido, uma das primeiras coisas a que nos agarramos ou que damos valor é a escolha dos personagens/ausência de personagens. Um dos exemplos é Uriah, um dos meus personagens mais queridos de Divergente que não figura sequer no filme com o mesmo nome. Em Sou o Número Quatro, a equipa de casting fez um trabalho fabuloso, uma fez que os actores escolhidos estão à altura não só do papel, como da aparência dos personagens. 
Houve surpresas boas, como a escolha de Dianna Agron para interpretar Sarah Hart que, de acordo com a minha opinião da obra literária, pouco ou nada fazia para o enredo, no entanto, na adaptação, adorei a Sarah, a sua personalidade, muito mais efusiva e divertida, do que aquela que é transcrita no papel. Adorei o facto de terem incluído o pequeno Bernie, uma vez que na maior parte dos casos, Hollywood acaba por remover esses pequenos pormenores, mas ele esteve presente desde o início no formato que nos é apresentado no livro - o de uma osga. Pelo contrário, embora adore a Seis que é retratada, na adaptação, Teresa Palmer é simplesmente maravilhosa, dando vida a uma das minhas personagens favoritas de forma perfeita e o mesmo acontece com John Smith e Alex Pettyfer. 
Embora não tenha nada a apontar em relação ao casting, tal como na maioria das adaptações, há cenas que são pura e simplesmente removidas ou alteradas, mas que possibilitam o mesmo fim, neste caso refiro-me ao incêndio/festa. 
Do mesmo modo, não houve quaisquer remanescência a Lorien ou sequer o aparecimento dos globos, embora a Arca estivesse presente. A morte de Henri é totalmente diferente da que é retratada e num contexto muito menos bélico e como resultado de uma estupidez que nem sequer no livro me fez sentido. 
Para além dessas, houve outras tantas. As pedras de aspecto brilhante que, ao juntarem-se mostravam o paredeiro dos outros Garde (?). O facto de a Seis ter o poder do Quatro de ser à prova de fogo e de a invisibilidade da Seis quase que era confundida com velocidade supersónica. 
Os Morgadorianos, apresentados desde, literalmente, o primeiro minuto com a morte do Três, estavam bem representados, embora tivesse gostado de vê-los com uma aparência menos monstruosa e mais humana, já que eles, apesar de diferentes, precisam de passar despercebidos no nosso mundo e não me parece que vários homens de dois metros de altura, com dentes pontiagudos e aspecto de peixe o pudessem fazer. 
Foi uma boa adaptação, fiel à história original, com um óptimo casting e efeitos especiais, sendo visualmente apelativo, não só pela dinâmica entre os personagens e ambiente, mas igualmente pelo elemento fantástico que nos apresenta. Não compreendo como é que não está planeada uma sequela, pois ao contrário de outros do mesmo género está fiel ao trabalho homónimo e fez um óptimo box office.


Outros títulos da colecção
*Sou o Número Quatro - adaptação cinematográfica: aqui
*O Poder de Seis
*A Ascensão dos Nove 
*The Fall of Five
*The Fate of Ten

*The Lost Files


Por Raquel Pereira

Sinopse: Do grupo dos nove Garde que conseguiram escapar à destruição do planeta Lorien pelos Mogadorianos, restam apenas seis. Eles escondem-se, misturam-se com os humanos e evitam contacto uns com os outros... só que os olhos dos Mogadorianos estão por toda a parte e escapar-lhes revela-se uma missão quase impossível. Mas, apesar dos seus Legados - os seus poderes - estarem a desenvolver-se será que os Garde continuam a acreditar na sua missão? E terá a Número Seis, a rapariga com poderes inimagináveis, a força suficiente para reunir todo o grupo dos Garde?







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Opinião: Há algo de espectacular na série dos Legados de Lorien. Não só pela escrita, pelas descrições, pela história ou pelas personagens em si. Há qualquer coisa de magnífico no aspecto real que nos dá, desde literalmente a primeira página "Os acontecimentos narrados neste livro são reais. Os nomes e lugares foram alterados para proteger os seis Lorien, que continuam escondidos. Existem realmente outras civilizações. Algumas delas têm como objetivos destruir-vos.". Não é a primeira vez que o co-autor James Frey (Pittacus Lore é o pseudónimo) utiliza a realidade para tornar os acontecimentos narrados mais credíveis. Fez o mesmo no seu livro mais recente Endgame, A Chamada.

Por qualquer motivo, nas primeiras páginas sinto que há uma qualquer relação entre a Sete e o Quatro. A insistência, a constante procura, a ansiedade. Não sei até que ponto é que se pode justificar essas acções com o desespero, principalmente quando o Quatro aparece como uma constante nos pensamentos da Sete e, incluindo nas pinturas. Não sei até que ponto é que isso se deve à relação que se estabelece entre os nove, agora seis, lorianos.
O contraste entre aquela que foi a realidade do Quatro, sempre a fugir, com a da Sete, é óbvia. Marina, a Sete, permaneceu no mesmo local durante onze anos e podia ter feito tudo o que o John sempre desejou: criar raízes, fazer amigos, construir uma vida, ainda que precária num convento/orfanato, mas não o fez. Do mesmo modo, há a diferença entre o método de ensino de Henri e de Adelina que levou uma chapada bem grande na cara do nosso afável planeta. Essa discrepância suscita-me dúvidas. Como é que Henri conseguiu sobreviver de modo "agradável" durante tanto anos, enquanto Adelina, a Cêpan ou guardiã de Marina, não foi capaz e pergunto-me o que terá sido dos outros Garde.
questões que ficam por explicar ou que não têm explicação nenhuma. Porque é que o Mogadoriano, que no final sabemos tratar-se do Líder, desenhou o número 8 no ar durante o sonho vívido de John. Ella, a número Dez, teve uma entrada insidiosa, desde o Sou o Número Quatro, mas isso prefaz 7 Lorianos e não 8. Será possível haver um outro Garde por aí? Outra questão é o "S" que se desenha no braço de Marina quando ela descobriu o seu Legado de respirar de baixo de água e o mesmo que se forma com a pasta dos dentes no braço de Ella. Porquê um "S"? Porquê?
O facto de Marina respirar de baixo de água era, mais ou menos previsível, pelo nome próprio da Sete. Durante pelo menos umas vinte páginas, Marina é tratada por Héctor Ricardo, por Senhora dos Mares, pelo que pressupus que os Legados dela tivessem uma relação com a água.
Héctor Ricardo foi para mim uma incógnita. Não percebi a sua existência, de todo. Principalmente pelo facto: qual é a idade dele?! Não gostei da sua presença em nenhum dos momentos, ou do gato, porquê? É igualmente uma Quimera como o Bernie? Para onde foi?
O Quatro revelou-se muito mais em O Poder de Seis, especialmente pela ausência de Henri, tão notória. Há um maior desenvolvimento ao nível psicológico e físico (tirando a frustração com a carta, porque é que ele não leu logo a carta?), e o mesmo acontece com o bom do Sam. Claro que a presença da Seis é fulcral e é, sem sombra para dúvida, a minha personagem favorita, segura de si, incrivelmente forte e fascinante. A relação que se estabelece entre a Seis e o Quatro é muito mais natural do que aquela que é quase impingida em Sou o Numero Quatro entre o Quatro e a Sarah, nada melosa, mais natural, baseada na amizade, sem dúvida. Sarah, por outro lado, revela-se o oposto. Insegura. Ciumenta. Fraca. Não o tipo de personagem que esperaria que estivesse ao lado do Quatro.
Claro que o final foi um tanto ou quanto para o previsível, embora com uma boa surpresa: o aparecimento do Nove, que algo me diz que irá chocar ou mostrar algum tipo de interesse pela Seis.  Aqui, para no clímax, há um ponto que me fez prever o fim: o Sam, o humano que nada tem a ver com a luta dos Lorianos, ficou a morada que ia levar a Seis e a Sete ao seu encontro. Fica a pergunta: porque é que não foi o Quatro a ficar com a morada visto que, de forma lógica e racional, é ele o mais interessado, e, porque é que não leram, pelo sim pelo não? TANTA FRUSTRAÇÃO.
O Poder de Seis é narrado através de dois Pontos de Vista, o de John Smith, ou Quatro, e de Marina, ou Sete e a diferença entre os dois é abismal, mas é agradável ver o outro lado dos Garde, aqueles que desistiram e que encontraram na Terra o seu lar, ou parecido. É igualmente bom ficar surpreendida com a história de um passado que pensei que conheci em Sou o Número Quatro mas que parece em constante mutação. 



Outros títulos da colecção
*Sou o Número Quatro - adaptação cinematográfica: aqui
*O Poder de Seis
*A Ascensão dos Nove 
*The Fall of Five
*The Fate of Ten

*The Lost Files

Por Raquel Pereira

Sinopse: No início éramos um grupo de nove. 
Três desapareceram, estão mortos. 
Agora sobramos seis. 
Eles estão a perseguir-nos e não vão parar até nos terem matado a todos. 
Eu sou o Número Quatro. 
Sei que sou o próximo. "
Numa pequena cidade do estado do Ohio, John Smith, de quinze anos, encontra pela primeira vez um verdadeiro amigo e uma rapariga por quem sente algo especial. Mas aquilo que é fonte de satisfação para qualquer adolescente típico pode revelar-se um desastre neste caso. É que John é um dos nove jovens que conseguiram abandonar o planeta Lorien antes de este ter sido destruído pelos Mogadorianos e, por esta razão,tem andado escondido toda a sua vida, mudando de identidade e de localização ao menor sinal de perigo. Agora John quer parar de fugir e enfrentar o seu destino. Os seu Legados - poderes extraordinários que lhe permitirão lutar contra os adversários - começam a manifestar-se e John tem todos os motivos do mundo parar querer ficar e ter enfim uma vida normal. Mas estará ele à altura do desafio que se avizinha? E não será o preço a pagar demasiado alto?

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Opinião: Posso dizer que não sou grande fã de livros que, de algum modo, envolvam o espaço e criaturas alienígenas, no entanto, fui surpreendida. Sou o Número Quatro é o primeiro dos Legados de Lorien e, sem dúvida, que superou as minhas expectativas. O protagonista é John, ou Quatro, um adolescente de quinze anos que, aos cinco anos de idade foi obrigado a deixar o seu planeta de origem Lorien, com mais oito crianças.
Lorien era um planeta próspero, harmonioso e autossustentável e, com o passar dos anos, alguns dos seus habitantes começaram a desenvolver poderes com o objectivo de proteger o planeta. No entanto, Lorien foi atacado pelos Mogadorianos, uma raça pútrida que, perante a morte do seu próprio planeta, Mogadore, procurou o planeta habitável mais próximo, neste caso Lorien, para consumir os seus recursos. A população de Lorien foi extinta, para além daqueles que conseguiram escapar numa nave, as 9 crianças e os respectivos guardiões. Eles escaparam para o planeta habitável mais perto, a Terra e vivem entre nós, escondidos, procurando desenvolver os seus poderes, ou Legados, preparando-se para a grande batalha com os Mogadorianos que planeiam conquistar a Terra.
Mas para isso os Mogadorianos precisam de "despachar" os restantes Lorianos que são uma ameaça à sua existência. Mas, ao fugirem do seu planeta, as nove crianças, dotadas de poderes extraordinários ( as crianças são chamados de Garde) foram separados e numerados (1 a 9), graças a um encantamento. Esse encantamento proporciona-lhes um certo nível de segurança, pois só podem ser mortos pela ordem do seu número. A cada nova morte, os Garde ganham uma cicatriz no tornozelo, uma marca que serve para eles saberem quantos estão mortos.
Para mim, não há nada melhor do que começar um livro e sentir que estou realmente a compreender a complexidade da história. Sou o Número Quatro envolve muitas remanescências a um passado que não conhecemos e que nem sabemos existir e, aqui, as primeiras páginas, referentes também ao Número Três, mostram-se fundamentais. A forma como os autores, (Pittacus Lore é um pseudónimo para Jobie Hughes e James Frey) relatam a existência do Quatro é grande parte do encantamento do livro e é quase imediata a afeição ao protagonista.
Sou o Número Quatro começa com uma fuga. Primeiro a do número Três que acaba de forma desastrosa e depois a do Número Quatro que, sabendo que a próxima morte terá de ser a sua, foge com o seu guardião, ou Cêpan, Henri para Paradise, Ohio. Ao longo do livro há pequenas pistas que levam a crer que a ida para Ohio não foi acidental, que há um qualquer pormenor que os autores estão a deixar para os próximos volumes e penso que pode ter qualquer coisa a ver com o pai de Sam, um rapaz desengonçado, viciado no espaço e em conspirações alienígenas, cujo pai desapareceu misteriosamente, que rapidamente se torna o melhor amigo de John Smith, o nome humano que o Quatro adota.
Há um desenvolvimento psicológico do personagem, embora não seja totalmente óbvio. Esse desenvolvimento passa pela aceitação, com alguma resignação das palavras de Henri, para a oposição e rebelião e, parte dessa atitude está relacionada com outra personagem, criada para ser o interesse amoroso de John, Sarah que, de todos os personagens, é a que menos me encanta por ser tipicamente "pãozinho sem sal". Não há uma pinga de atitude naquela moça e, sinceramente, o seu aparecimento pouco ou nada contribuiu para o enriquecer da história. O seu único feito pareceu nada mais do que forçado.
Por outro lado, Sou o Número Quatro é elaborado ao torno de clichês, neste caso, chamado Mark James. Mark James é uma espécie de Draco Malfoy, há um desenrolar de sentimentos de ódio, de pena e por fim de aceitação em volta da sua pessoa. Um dos desenvolvimentos mais divertidos mas igualmente previsível foi a do pequeno beagle, o Bernie. Tal como mencionei anteriormente, os autores foram dando pequenas pistas desde literalmente o início (com a osga), às visões de John e até às corridas, de que Bernie podia não ser apenas um cão.
Uma surpresa maravilhosa foi a presença da Número Seis, o OPOSTO de Sarah. Lembra-me, para aqueles que estão familiarizados com Os Instrumentos Mortais, Isabelle Ligthwood. E, sinceramente, de acordo com o que Henri disse, de que eles talvez tivessem de partir, de que ele nunca iria amar uma humana do mesmo modo que amaria uma Loriana, para além das referências à filha dos melhores amigos do pai de John, parece-me que a Número Seis é a competição de Sarah e espero sinceramente que a escolha recaía sobre a Loriana.
Embora agradável, houve o seu quê de previsibilidade. Isto porque em quase todos os livros do mesmo gênero, o mentor, o guardião, o pai, seja o que for, acaba por morrer, deixando o pobre coitado por sua própria conta. É um facto que isto acontece com demasiada frequência, com o propósito de expôr o protagonista ao maior número de fracassos e de confrontos possíveis pelas más escolhas, proporcionando um maior desenvolvimento e afeição. Houve igualmente uma certa incoerência entre as atitudes de Henri ao longo do livro. Henri é todo "proteção e segurança", mas depois, com base numa mera revista, toma uma atitude quase adolescente e birrenta, sem nexo absolutamente nenhum, apesar do objectivo ser óbvio - o desenvolvimento dos Legados de John.
Sou o Número Quatro é uma história original, envolvente e fácil de agarrar. As cenas de ação são muitas e, sem dúvida que são um ponto alto do livro. Isto para além do componente de "realidade" que nos é apresentado. Pittacus Lore é um dos anciãos e é apresentado como o autor do livro. Os acontecimentos narrados são nos apresentados como reais com a referência de que os nomes e locais foram alterados para manter em segurança dos protagonistas. Não é, de todo, maçador ou de desenvolvimento lento. É muito fácil de ler e divertido. Recomendo. 




Outros títulos da colecção
*Sou o Número Quatro - adaptação cinematográfica: aqui
*O Poder de Seis
*A Ascensão dos Nove 
*The Fall of Five
*The Fate of Ten

*The Lost Files

Por Raquel Pereira

Sinopse: Amanda vive num teatro desde os seus 15 anos de idade e é uma das actrizes mais promissoras da companhia. Ansiosa por esquecer os tempos em que vivia, abandonada, num orfanato, prende-se às personagens que interpreta em cima do palco e é levada à loucura, num apregoar de paz e de liberdade de espírito de uma alma atormentada. 
Um conto sobre a linha ténue entre a loucura e a sanidade, onde assistimos às várias facetas do ser-humano e os motivos que levam alguém a perder-se de si mesmo. 

Opinião: Nunca tinha lido nada da autora Carina Rosa, no entanto, vou seguindo com satisfação a sua evolução, pelo menos, em termos de publicação. 
O que me levou a lê-lo foi a premissa de um componente psicológico e de loucura. É um conto intenso e trágico que, regra geral, não figura na minha lista de livros/contos a ler , no entanto, a curiosidade levou a melhor e aventurei-me nas poucas páginas que retratam Amanda e dei por mim a afeiçoar-me à protagonista, embora o desfecho final fosse previsível desde a primeira linha. A forma como termina é, sem dúvida, dramático, e está ao nível da construção da própria personagem. 
Trata-se de um jogo psicológico bem elaborado entre o que é real e o que é fantasia, com os momentos de lucidez a serem-nos trazidos pelas restantes personagens, como Artur, Tiago e Gonçalo. Em poucas páginas a autora consegue passar de forma sucessiva entre a linha que separa a sanidade da loucura e novamente para a sanidade culminando numa explosão de loucura que nos traz o esperado e previsível final. 
Uma das coisas que mais me agradou foi a alternância entre esses momentos, traduzidos em poucos espaços, poucas linhas, poucas palavras. Bem escrito, há um sentimento de desespero que é transcrito de forma perfeita. 


Outros títulos da autora: 
*Olhos de Vidro
*As Gotas de um Beijo
*O Intruso
*Na Sombra de um Passado
*A Rapariga do Lago
*Um Presente Inesperado
*Sonhos Malditos


Por Raquel Pereira

Sinopse: Após ter suportado o que há de pior em Vaughn, Rhine encontra um improvável aliado no seu irmão, um inventor excêntrico chamado Reed. Obtém refúgio na sua casa em ruínas, apesar de as pessoas que deixou para trás se recusarem a permanecer no passado. 
Enquanto Gabriel assombra as memórias de Rhine, Cecily está determinada a continuar ao lado de Rhine, embora os sentimentos de Linden estejam ainda divididos entre ambas. Entretanto, o crescente envolvimento de Rowan na resistência clandestina obriga Rhine a procurá-lo antes que faça algo de irremediável. Mas o que descobre pelo caminho tem implicações alarmantes no seu futuro e no passado que os pais nunca tiveram oportunidade de lhe explicar. 

Opinião: Se há uma coisa que é notória no decorrer dos volumes é o desenvolvimento de Cecily, a mais nova das irmãs-esposas. Cecily é uma daquelas personagens que é um "gosto que se adquire com o tempo", com a sua personalidade errática e intensa. É-nos apresentada como uma criança mimada que é obrigada a crescer e, sem dúvida, uma das personagens fulcrais e mais cativantes nesta trilogia.

Cecily que passou de criança, a mãe e depois a viúva e assassina no espaço de três livros.
Cecily, a única personagem que me desagradou e que acabou por ser fundamental para o finalizar da história. Rhine aparece apagada e Cecily acaba por ser o centro da ação, a corrente que move a água.
Vaughn, por outro lado, apresenta-se como um vilão dúbio. Linden, quase ausente em Delírio, apresenta-se fundamental em Separação, confrontado pelas ações do pai, ignorante da crueldade e rudeza do homem que ama. É ele que nos apresenta a Reed, irmão de Vaughn, com uma personalidade oposta, mas com desenvolvimentos semelhantes, pois enquanto as ações de Vaughn mataram Jenna, as ações de Reed tiraram a vida a Linden. Penso que isso foi propositado, de forma a mostrar que a sobrevivência tem o seu preço, assim como a liberdade.
Em Rhine nota-se o cansaço. Rowan é o que a move e são raros os momentos que pára para pensar em Gabriel e, nos momentos em que pouco ou nada faz, a sua cabeça e o seu coração são ocupados por Cecily e Linden, pelo medo e ciúme da relação dos dois. Penso que Lauren DeStefano não queria criar uma história de amor, frequente em livros do mesmo género, mas sim de luta e sobrevivência. Mas mesmo que fosse não acho que pertencesse a Gabriel e Rhine.
Rose, morta nas primeiras páginas de Raptada, aparece-nos novamente e, apesar de ser óbvio, pelas constantes comparações, não percebi até Linden o referir a Madame.
Rhine, Rose, Madame, as ligação são infinitas, o resultado estava nas entrelinhas, pequenas pistas dadas um bocadinho de cada vez.
Os pais de Rhine e Rowan aparecem com um maior enfoque e não podia ter ficado mais desagradada. Embora houvesse amor, revelado aos poucos pelas memórias de Rhine, não o senti neste volume. Não sei até que ponto Rhine e Rowan não eram experiências. Qual é a linha que separa um filho de uma cobaia? Mas fiquei agradada por finalmente perceber a origem do nome "Jardins Químicos".
A cura pareceu-me quase fácil (?). O Hawaii e a ausência do vírus levou-me a encarar o livro quase do mesmo modo que Convergente de Veronica Roth. Foram-nos dadas pistas de que o mundo podia ser diferente, que os livros de história tinham sido alterados, no entanto, nunca nos foi dada nenhuma prova em concreto. Foi preciso ver para crer.
Separação encerra a trilogia dos Jardins Químicos, uma história de sobrevivência e de ética. Até onde é que estamos dispostos a ir por aqueles que amamos? Com um desenvolvimento lento, acaba por ser uma experiência enriquecedora em termos de evolução dos personagens e do próprio ambiente. Como referi nas opiniões dos últimos dois livros, Raptada e Delírio, acaba por ser uma experiência quase sensitiva, devido às descrições detalhadas, pormenorizadas e, acima de tudo, cruas. Não há a romantização da prostituição, do abandono e da crueldade do ser humano. Recomendo. 


Outros títulos da colecção: 
*Raptada
*Delírio
*Separação


Por Raquel Pereira

Sinopse: Para Rhine de dezassete anos, a arriscada fuga do casamento polígamo parece ser o princípio do fim. A evasão leva Rhine e Gabriel a uma armadilha sob a forma de uma feira popular, cuja dona mantém várias raparigas prisioneiras, Rhine acaba por fugir de uma prisão dourada para se meter noutra ainda pior. 
A jovem acaba por percorrer um cenário tão sombrio como o que deixou há um ano - que reflecte os seus sentimentos de medo, desespero e desesperança. 
Com Gabriel a seu lado está decidida a chegar a Manhattan para se encontrarem com Rowan, o irmão gémeo, mas a viagem é longa e perigosa e o que Rhine espera que seja uma segurança relativa revelar-se-á muito diferente. 
Num mundo onde as raparigas só vivem até aos vinte anos e os rapazes até aos vinte e cinco, o tempo é precioso e Rhine não tem como escapar nem iludir o excêntrico sogro Vaughn que está determinado a levá-la de novo para a mansão... a todo o custo. 

Opinião: Enquanto Raptada tem um desenvolvimento lento, Delírio passa à velocidade da luz. Há uma maior variedade de acontecimentos, de ambientes e de personagens. Não estamos limitados à mansão e a Linden, Deirdre, Cecily e Vaughn. Se Raptada era uma experiência sensitiva Delírio não é, de todo, diferente. Há a exposição a realidades cruas e ainda mais duras que não são frequentes neste género literário, pelo menos de maneira tão exposta. E, se em Raptada a acção é maioritariamente interior, em Delírio há um balanço entre o conflito interior e exterior.
Rhine conseguiu aquilo que queria. Não pensei por um minuto que seria uma fuga fácil, ou que Linden ou Vaughn iriam deixar a vida e os pensamentos da protagonista, no entanto e, apesar de Lauren DeStefano nos ter apresentado de forma leve essa realidade através de Jenna, não pensei ver Rhine num bordel, transformando o que era uma realidade leve numa autêntica bofetada na cara onde a protagonista é forçada a atuar com Gabriel para satisfação sexual de outros. 
Aqui, outros personagens tomam lugar, entre os quais Lilac, uma das raparigas, Maddie, a filha malformada de Lilac e Jared, um guarda relativamente bondoso, se tal palavra é permitida neste mundo criado e pensado de forma bruta. E, apesar da revelação final de quem Lilac realmente é, espero sinceramente saber mais sobre ela e Jared no último volume, assim como Maddie. Tal como estes três, outros personagens surgem de forma fugaz como Claire e Silas e até Annabelle e há a compreensão de fugacidade. Tudo é fugaz. O mundo está a terminar. E há a probabilidade de termos visto o fim destes personagens. 
Cada um surge com um propósito: para representar força, compassividade, empatia, preconceito e crueldade. No meio disto tudo, Rowan continua a ser um personagem ausente na sua figura, mas mais presente do que nunca nas ações e nos pensamentos de Rhine e Annabelle aparece como a personificação do choque com a realidade da nova pessoa de Rowan que irá ser para Rhine, penso eu, no próximo volume. Ele está mudado. É o que lhe quer dizer. Há também a ideia de um segredo por parte dos pais de Rhine, de que, talvez, Rhine e Rowan sejam diferentes, num mundo de iguais.
Gabriel é uma presença igualmente forte neste volume onde, ao contrário de outros "amantes" que seguem quase cegamente a protagonista, ele questiona e há um ressentimento, ainda que quase disfarçado, pela ilusão criada de Rhine de um mundo bom quando na verdade ele está estragado. A relação entre os dois é fascinante porque, apesar dos azares, do ressentimento e da culpa, mantêm-se juntos. Ainda não os consigo ver como um casal. Acredito sim que o mundo os manteve juntos. A necessidade e sobrevivência e não o amor. 
O reencontro com Deidre dá-nos a ideia de que cada ação tem uma consequência e que cada ação de Rhine irá continuar a ter um impacto sobre os outros. Cecily aparece cada vez como uma personagem mais dúbia. Ora ajuda, ora mantém-se fiel a Vaughn. É uma criança que brinca aos adultos. Uma criança que espera por outra criança, num mundo onde ser criança já não é permitido. Do mesmo modo, Linden é confrontado, finalmente, pelas acções do pai e a sua reacção não podia ser mais decepcionante. 
É sem dúvida uma continuação brilhante, exponencialmente melhor do que o primeiro volume, não só ao nível do ambiente, variado e rico em pormenores, mas igualmente em personagens e exploração das ações e dos sentimentos humanos perante um mundo trágico onde nada dura para sempre e os mais fracos são facilmente dispensados. Lauren DeStefano faz um trabalho fantástico. 


Outros títulos da colecção: 
*Raptada
*Delírio
*Separação


Por Raquel Pereira

Sinopse: Graças à ciência moderna, todos os recém-nascidos são bombas-relógio genéticas - os homens só vivem até aos vinte e cinco anos e as mulheres até aos vinte. Neste cenário desolador, as raparigas são raptadas e forçadas a casamentos polígamos para que a raça humana não desapareça. 
Levada pelos Colectores para se casar à força Rhine Ellery, uma rapariga de dezasseis anos entra num mundo de riqueza e privilégio. Apesar do amor genuíno do marido Linden e da amizade relativa das suas irmãs-esposas, Rhine só pensa numa coisa: fugir, encontrar o irmão gémeo e voltar para casa. 
Mas a liberdade não é o único problema. O excêntrico pai de Linden está decidido a encontrar um antídoto para o vírus genético que está prestes a levar-lhe o filho e usa cadáveres nas suas experiências. Com a ajuda de um criado, Gabriel, pelo qual se sente perigosamente atraída, Rhine tenta fugir no limitado tempo que lhe resta. 

Opinião: Simplesmente adorei a premissa do livro. Há setenta anos a ciência aperfeiçoou a arte dos seres humanos e todas as doenças foram exterminadas, o sistema imunológico foi estimulado e os partos naturais deixaram de existir, sendo que os embriões de primeira geração prosperaram, enquanto as outras gerações nasceram fortes e saudáveis mas depois pereciam - aos vinte anos para as mulheres e vinte e cinco anos para os homens. Tenho curiosidade em saber o porquê da diferença dos cinco anos, a escolha, no entanto, penso que tem um fundo genético entre os dois sexos. Raptada tem um desenvolvimento lento que possibilita um desenvolvimento ao nível das personagens, por isso não é de todo um ponto negativo. Não é um livro em que a ação sucede-se a cada página, mas sim onde as palavras - ou ausência delas - ganham um maior destaque, uma vez que grande parte do conflito é interior. É explicitamente cru, não há palavras bonitas para representar o roubo da infância e, sem dúvida, é um dos pontos mais positivos. Não há uma romantização da situação. Lê-lo é, sobretudo, uma experiência sensitiva
Rhine Ellery é uma protagonista fácil de simpatizar, principalmente pela situação em que se encontra, no entanto, à medida que as páginas passam, sendo a ação é sobretudo interior, começa a haver uma frustração perante a ausência de ação e de palavras, sobretudo no que toca a Linden, um homem ignorante e ingenuo que não questiona absolutamente nada do que se passa à sua volta, acreditando piamente nas palavras do pai. À medida que a relação entre Rhine e Linden se torna mais íntima, acreditei que Rhine poderia ter confiança suficiente para o questionar, para lhe confiar a verdade, mas nunca o fez tendo tido múltiplas oportunidades para o fazer. E o mesmo para Jenna, uma das irmãs-esposas, maravilhosamente construídas. Jenna que representava a morte na casa, a perda e desgraça, mas ao mesmo tempo força e inteligência. Jenna que não planeava ser a favorita, não planeava fugir e que poderia ter a oportunidade de dizer a Linden a verdade. A escolha da autora é óbvia. Há um motivo para manter Linden na ignorância, mas ainda não sabemos qual. O mesmo para Cecily, a irmã-esposa mais nova, a representação da infância perdida. Cecily mete pena, mas é igualmente o exemplo de uma realidade crua em vários momentos, desde do momento pré e pós-parto. A sinopse refere ainda "Gabriel, pelo qual se sente perigosamente atraída" mas nenhuma descrição, nenhuma ação em concreto me fez pensar que Rhine se sente perigosamente atraída. É perigoso a proximidade com o criado, mas não me fez sentir que entre os dois havia mais do que uma amizade. Considero um bom ponto de partida para um interesse amoroso, mas não em Raptada.  
Os cenários são desoladores, pela ausência de vida e de liberdade. 
Ilusões. É a palavra correta para descrever Raptada. Não é somente o casamento que é ilusório, a vida é igualmente falsa, mas retratada de uma maneira verdadeira e crua. Recomendo. 

Outros títulos da colecção: 
*Raptada
*Delírio
*Separação

Por Raquel Pereira



Opinião: Os efeitos especiais, a parte fantástica da história, está extremamente bem desenvolvida e, embora não tendo ido ver o filme em 3D ou em IMAX acredito que nesse formato o cliente irá ter uma experiência muito mais enriquecedora. Acredito igualmente que, embora esse ponto seja de louvar, incrivelmente bem formatado, acredito que os fãs do trabalho de Joseph Delaney, não fiquem igualmente agradados. Fiquei surpreendida quando li a sinopse do livro (retirado do site Bertrand): O Aprendiz de Mago conta ao leitor a história de um menino de 13 anos treinado para ser exorcista. Thomas Ward, o sétimo filho de um sétimo filho, foi eleito para exorcizar os maus espíritos e afastar fantasmas. A mãe tinha-lhe confidenciado que ele tinha um dom e por isso seria entregue a um velho mago que o preparasse para enfrentar situações desfavoráveis que se adivinhavam para breve. Um dia o Mago não estava por perto e Thomas caiu numa armadilha. Será que estava preparado para o desafio? Acredito que Seventh Son, tal como outros do mesmo género como Percy Jackson, foi feito não para apelar apenas aos fãs dos livros, mas igualmente a faixas etárias mais alargadas. Isto porque o ator não tem certamente 13 anos e algumas das cenas do filme não seriam retratas da mesma maneira por um ator de 13 anos. 
E aqui, passamos para o romance. Desconheço se é uma parte presente no livro, contudo, no filme, foi à velocidade da luz, mal explorado e aproveitado. Os atores fizeram um trabalho excepcional, havia química, foram perfeitos mas, de onde veio? Na minha opinião, houve uma necessidade tão grande de criar ação, de mostrar os efeitos do fantástico que se colocou para segundo plano o diálogo. São cenas de ação atrás de cenas de ação, diálogos apressadas ou forçados, o que dá obviamente, num fraco desenvolvimento da personagem principal. 
Thomas Ward, o protagonista, torna-se rapidamente num herói forçado. E depois há a parte descobre-por-ti-mesmo. Se os magos são uma espécie moribunda, só resta o Mestre Gregory, e os aprendizes são sétimos filhos de sétimos filhos, na minha inocência pensei que só havia um em cada geração, mas assim que morre o primeiro que nos é apresentado, Mestre Gregory (representado de forma maravilhosa por Jeff Bridges) arranja imediatamente outro. Porque não treinar vários ao mesmo tempo? Porque não aumentar as forças? Como é que os outros filhos não têm poderes ou dons se são igualmente filhos de uma bruxa? Como é que Mestre Gregory é capaz de assassinar um urso horripilante, mas foge de uma coisa parecida com um troll que nunca ninguém matou mas que Thomas consegue matar? Como é que os melhores assassinos do mundo são tão facilmente derrotados? No fundo, trata-se de uma história mal explicada ou mal explorada, com um potencial imenso para ser desenvolvida. 
Confesso que não li o livro, mas espero lê-lo ainda este ano, quanto mais não seja para apreciar a história de uma maneira mais "completa". A verdade é que é um filme visualmente apelativo, para os apreciadores de fantasia (como eu). No entanto, não esperem uma história bem desenvolvida. Mas, se gostam de acção e do universo fantástico, irão certamente apreciar o filme na sua plenitude e serão uns 103 minutos bem entregues, principalmente pela participação espectacular de Jeff Bridges.



Outros títulos da colecção: 
*As Crónicas de Wardstone - O Aprendiz do Mago - adaptação cinematográfica aqui.
*As Crónicas de Wardstone - A Maldição do Mago
*As Crónicas de Wardstone - O Segredo do Mago
*Wardstone Chronicles - Attack of the Fiend
*Wardstone Chronicles - The Spook's Mistake
*Wardstone Chronicles - The Spook's Sacrifice
*Wardstone Chronicles - Rise of the Huntress
*Wardstone Chronicles - Rage of the Fallen
*Wardstone Chronicles - I am Grimalkin
*Wardstone Chronicles - The Spook's Blood
*Wardstone Chronicles - Slither
*Wardstone Chronicles - I am Alice
*Wardstone Chronicles - The Spook's Revenge



Por Raquel Pereira.

Sinopse: Para trinta e cinco raparigas, A Seleção é a oportunidade de uma vida. É a possibilidade de escaparem de um destino que lhes está traçado desde o nascimento, de se perderem num mundo de vestidos cintilantes e joias de valor inestimável e de viverem num palácio e competirem pelo coração do belo Príncipe Maxon. 
No entanto, para America Singer, ser selecionada é um pesadelo. Terá de viver as costas ao seu amor secreto por Aspen, que pertence a uma casta abaixo da sua, deixar a sua família para entrar numa competição feroz por uma coroa que não deseja, e viver num palácio constantemente ameaçado pelos ataques violentos dos rebeldes. Mas é então que America conhece o Príncipe Maxon. Pouco a pouco, começa a questionar todos os planos que definiu para si mesma e percebe que a vida que sempre sonhou pode não ter comparação com o futuro que nunca imaginou. 



Book Trailer: 


Opinião: 35 Candidatas, apenas uma Coroa. É esta a premissa por detrás do livro. Uma premissa que facilmente percebemos, não só pela sua simplicidade mas também por ser algo inerente na nossa sociedade. Isto porque um conjunto de mulheres a competir pelo coração de um homem, num programa televisivo não é nada de escandaloso ou de novo, temos o exemplo do The Bachelor. A diferença aqui é que a vencedora, ao invés de se tornar apenas esposa de alguém, torna-se rainha de Íllea. Neste livro, os Estados Unidos da América como os conhecemos, não existe. No passado, foi conquistado pela China tornando-se no Estado Americano da China. Houve uma troca de "garlhadetes" entre a China e a Rússia porque a última queria apoderar-se do que outrora fora os USA e, aproveitando esse tempo, um homem chamado George Íllea conseguiu libertar o país e, como não havia o desejo de retomar o antigo nome por representar tempos negros, surgiu Íllea. 
Uma das falhas que me surgiu mas que não chega a ser relevante, é o facto de não termos informações exactas sobre a forma como um homem foi capaz de se opor a dois países poderosos como a China e a Rússia. Um facto que pode ser propositado, uma vez que há a menção à ausência de conhecimento por parte da população. 
Outro facto interessante é que Íllea é dividida em castas de 1 a 8, cada uma com as suas próprias características, condições e formas de vida, um pouco como Os Jogos da Fome, onde cada distrito tinha a sua função. Aqui a casta mais baixa é a 8, para os mendigos e semelhantes e, a medida que se aproxima da casta 1 que representa a família real e líderes religiosos, as castas tornam-se mais poderosas. A protagonista, América Singer e pertence à casta  5, a dos artistas.
O Príncipe Maxon, não tem muitas oportunidades para sair do castelo devido à sua condição de reinante ou pelos ataques rebeldes e, consequentemente, a sua experiência ou contacto com mulheres é bastante limitado. A Seleção surgiu por isso, como uma oportunidade para as candidatas subirem de casta e para melhorarem as condições de vida da sua própria família. América surge como uma candidata forçada, não só pela sua família, mas também pelo namorado de 2 anos, Aspen.
A forma como começa é bastante refrescante, uma vez que há muito que não lia um livro em que a personagem principal já tivesse um interesse amoroso concreto. É através da relação entre os dois que nos é dada a discrepância ou as diferenças entre as castas, uma vez que Aspen pertence à casta 6, a dos trabalhadores, empregados domésticos (...) e, apesar de não ser impossível, é raro o casamento ou união entre uma mulher de uma casta acima com um homem de uma casta mais baixa. Um pouco como Romeu e Julieta de Íllea
Aspen é um personagem que me intrigou desde o início. Ele foi uma das principais razões pelas quais América se inscreveu para a Seleção e aparece como uma personagem dúbia entre aquilo que diz e aquilo que faz, principalmente pelo facto de não me parecer, ou ter-me sido quase forçada a ideia de que Aspen é altruísta. A forma como a autora escolheu terminar a relação entre os dois personagens pouco antes de se saber os resultados da Seleção foi, não há outra palavra, fácil. A escolha da autora para que América fosse para o castelo furiosa com Aspen, incentivando-a a ficar, não foi a melhor porque não existiu um desenvolvimento natural, mas sim forçado. 
América pode muito bem ser a personagem mais exasperante que já li. Desde o início que a história é previsível, principalmente quando se apresenta imediatamente a Maxon como sua amiga, como aquela que a pode ajudar a escolher a esposa certa e, não é difícil juntar 1 + 1. 
Ao contrário do que acontece com outros livros do mesmo género, aqui as histórias secundárias são nos dadas de forma quase "cuspida" ou é ausente. As únicas que existem dizem respeito a Kota, o irmão mais velho de América e mesmo assim é-nos dada em forma de diálogo, ou de Lucy, uma das aias da protagonista que serve igualmente como modo de introdução à maldade dos rebeldes. 
Aqui, não temos quase nenhumas informações sobre o que eles querem, quem são, a única informação que nos é dada é que há dois tipos de rebeldes, os do norte e os do sul. Não há sequer grandes revelações sobre o porquê dos seus ataques. O que os move. Uma condição que espero que seja desenvolvida nos próximos livros. Na minha opinião, talvez sejam americanos que querem os Estados Unidos de volta ou que desejem o fim das castas porque, ao contrário do que acontece com, dando um exemplo, Os Jogos da Fome, ninguém compreende na sua plenitude a maldade que as castas proporcionam e América só pensa no assunto devido à sua relação com Aspen ou à situação do irmão mais novo que quer ser jogador de futebol, mas como pertence à casta dos artistas, tem de descobrir rapidamente um talento para ajudar no sustento da família. 
América mostra apenas uma vez a compreensão da maldade das castas quando expõem Maxon à situação de fome.  A revolta da protagonista, para além da conversa com Maxon, é quase mimada. Não há uma atitude de revolta pelo bem maior, o que é estranho, já que as medidas são muito rígidas. Há todo um conjunto de situações que podiam - e talvez vão - culminar numa rebelião. O facto de não o fazerem, ou não sentirem que devem ou podem fazer, pode dever-se ao facto de haver regalias - como a Seleção - ou a possibilidade de aumentar de casta, com o casamento.
Apesar dos seus defeitos é um livro fácil de ler e principalmente de mergulhar no seu ambiente e universo e depressa nos afeiçoamos à protagonista. Embora a temática envolvente não seja muito explorada a parte romântica e emocional é maravilhosamente desenvolvida ao longo das páginas. 



Outros títulos da colecção
*A Selecção
*A Elite
*A Escolha
*A Herdeira
*The Crown (05/2016)

*Happily Ever After 

Outros livros da autora
*The Siren (26/01/2016)
Por Raquel Pereira