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Sinopse: Esta é a história de um menino que vivia num asteróide, com os seus vulcões em miniatura e a sua linda rosa vermelha e, usava um longo cachecol a flutuar ao vento. Um dia ele resolveu viajar e visitou a Terra onde encontrou um grande amigo que depois contou a história desse menino. Esta história foi traduzida em muitas línguas, foi lida por milhares de pessoas pequenas e grandes, e também por aqueles que, tendo-a lido quando eram pequenos, a voltaram a ler na idade adulta. Tal como tu talvez daqui a muitos anos voltes a lê-la. Sabes porquê? Porque mesmo se te causar alguma estranheza ou te parecer enigmática, esta história revela-te um segredo muito simples e ao mesmo tempo muito sábio: é que as coisas mais importantes são muitas vezes invisíveis para os olhos - só com o coração é que podemos vê-las!

OpiniãoNão estava nos meus planos imediatos ler o Principezinho de Antoine de Saint-Exupéry mas, estabeleci uma data de desafios para o ano de 2015 e o livro em questão insere-se na categoria do "livro que era suposto ler para a escola, mas que acabei por não ler" e, quando terminei a leitura, senti uma espécie de vazio. Olhando para o passado, para a criança que eu era, sei que teria adorado o Principezinho, fosse obrigatório ou não e senti pena de mim mesma por não poder ter esta experiência, enquanto criança - se é que estou a fazer o mínimo sentido. Mas, ao mesmo tempo, não sei até que ponto é que teria compreendido a mensagem do livro para além do: as pessoas crescidas são muito esquisitas, porque, sinceramente, estou na casa dos vinte e continuo a achar as pessoas crescidas muito esquisitas.
Logo no início o autor descreve os seus dotes enquanto pintor aos seis anos de idade, no entanto, os adultos disseram-lhe para se deixar disso, que devia focar-se em matérias mais úteis no mundo real do que desenhar jibóias abertas e jibóias fechadas. E isso faz-me pensar sobre o quanto os adultos "castram" a criatividade das crianças. A nível pessoal, fui uma criança imensamente sortuda e feliz e os meus pais nunca, em momento algum, me proibiram de criar ou ler fosse que livro fosse e em que idade fosse. Mas, não é apenas na criatividade que os adultos "castram" as crianças. Desde muito cedo que somos rotulados consoante as nossas aptidões e, desde muitíssimo cedo somos obrigados a decidir sobre o nosso futuro. Quantos de nós não quiseram ser determinada coisa mas, mudaram de ideias por ouvir que não se ganhava muito ou, não havia emprego? Isto porque, como em o Principezinho, as pessoas crescidas ficam deslumbradas com números.
Em o Principezinho vemos uma mudança nos comportamentos e valores morais e é, incrivelmente fácil fazer comparações com a nossa sociedade e com a forma como as pessoas bebem as palavras uma das outras, ao invés de olhar para os actos, como a flor do planeta do Principezinho. Sempre acreditei que o verdadeiro valor de cada pessoa reflecte-se nas suas acções mas, adorava ter lido o livro em criança, para me aperceber disso mais cedo ou, pelo menos, ter-me sido dada a oportunidade de tentar perceber.
Somos um planeta lindo, mas cheio de pessoas vaidosas, bêbadas, negociantes, trabalhadoras e curiosas mas, no final, acabamos por não ser nada sem amor. Somos apenas um corpo que não ocupa muito espaço, efémero, um animal que não se distingue dos outros a não ser que seja amado, ou "cativado", como refere a raposa. Mas, ao mesmo tempo que nos apercebemos disso, percebemos igualmente que deixar-nos ser amado, ou cativado, é sofrer e, a verdadeira questão é: vale a pena?
Há provavelmente milhares de livros que rodeiam o assunto, do amar e perder ou nunca ter amado mas, nunca li um livro que fosse directo ao assunto e, o que tirei do livro, e o que sempre foi a minha resposta, é que vale a pena. Sempre. Mais uma vez, somos um corpo, mas somos feitos de algo mais. Porque, sempre que pensamos em alguém que amámos, essa pessoa torna-se real para nós, uma vez mais, seja através de recordações, ou do riso de milhares de estrelas porque, só se vê bem com o coração, porque o essencial é invisível aos olhos.
Outros títulos do autor: 
*O Principezinho
*O Aviador
*Correio do Sul
*Voo Nocturno
*Terra dos Homens
*Piloto de Guerra
*Carta a um Refém 


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