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Sinopse: Katniss Everdeen não devia estar viva. Mas, apesar dos planos do Capitólio, a rapariga em chamas sobrevive e está agora junto de Gale, da mãe e da irmã no Distrito 13. Recuperando pouco a pouco dos ferimentos que sofreu na arena, Katniss procura adaptar-se à nova realidade: Peeta foi capturado pelo Capitólio, o Distrito 12 já não existe e a revolução está prestes a começar. Agora estão todos a contar com Katniss para continuar a desempenhar o seu papel, assumir a responsabilidade por inúmeras vidas e mudar para sempre o destino de Panem - independentemente de tudo aquilo que terá de sacrificar... 




Book Trailer: 
Opinião: Para mim é completamente impossível dar uma opinião sobre A Revolta sem revelar alguns detalhes. Podia falar da escrita, de como a história me comoveu, e de como Suzanne Collins criou um mundo fantástico, mas não é sobre isso que quero escrever. Quero sim, discutir alguns pormenores que me deixaram decepcionada, confusa ou emocionalmente destruída, por isso, caso não tenham pegado no livro - o que raio andaram a fazer? - ou queiram ser surpreendidos no filme, por favor, não continuem: AVISO DE SPOILERS.
Primeiro que tudo, certamente não sou a única a pensar que A Revolta podia ter sido melhor explorado. Ao contrário de Em Chamas, onde Suzanne Collins encontrou o equilíbrio perfeito entre o romance, o medo e o desenrolar da acção, sem os jogos da fome ou sem um quarteirão para matar crianças inocentes, pareceu-me que a autora não sabia muito bem o que fazer com a história. O início começa de forma promissora: estamos no mesmo local onde começou Os Jogos da Fome, naquilo que era a cama onde a Prim dormia. Há um círculo que se fecha. No entanto, à medida que entramos no mundo do Distrito 13, o mal da autora em Os Jogos da Fome, repete-se. As mesmas cenas são escritas vezes e vezes sem conta. Não há um desenrolar da história em cem páginas e, quando esse desenvolvimento acontece, é em excesso. Um dos exemplos, mais uma vez, aviso de spoiler, é a morte de Finnick Odair, um personagem querido para muitos, inclusive para a protagonista, um dos personagens que merecia mais. E sim, em A Revolta há uma guerra, e é necessário seguir em frente para alcançar um objectivo ou para salvar a própria vida mas, isso não deve ser impedimento para dar mais do que duas linhas em relação à morte de um personagem que desempenhou um papel fundamental, que se tornou amigo e confidente da líder, e que cresceu no coração do leitor.
A ausência de Peeta é notória. Há um espaço em branco que deve ser preenchido desde o início do livro e nem mesmo Gale, com uma presença mais marcada é capaz de preencher. Contudo, o leitor tem a possibilidade de conhecer melhor aquele que é descrito como o melhor amigo de Katniss, o companheiro de caça, aquele por quem ela luta e por quem ele luta, aquele a quem ela era capaz de depositar a sua vida e de quem nunca desconfiou. No entanto, após a morte trágica que acontece no fim, após o cessar da guerra, Gale desaparece depois de um diálogo de uma página para nunca mais ser visto.
Claro que há momentos bons, muito bons, até. A instabilidade emocional de Katniss e mesmo de Finnick é descrita de forma real, sem paninhos quentes. Este tipo de instabilidade não é comummente descrito em livros do mesmo género, mas é o que torna Katniss, Finnick, Johanna e até mesmo Haymitch humanos, humanos que passaram por muito e que viram demais e aqui, Suzanne Collins faz um trabalho excelente e de cortar a respiração. Para além disso, a transformação de Peeta, já pronunciada em Os Jogos da Fome, o reencontro com Katniss e as consequências da sua transformação, elevam A Revolta a outro nível. Nenhum dos personagens é o mesmo. Tudo está diferente. As conversas entre Katniss e Peeta são a lembrança de isso mesmo. Lembranças ternas, que despertam com facilidade emoção no leitor.
Suzanne Collins tem uma capacidade enorme de transformar as personagens e de criar um mundo excepcional, no entanto, pecou, em muito, com a qualidade do desenvolvimento e da acção. Para além da repetições, há acontecimentos que resultam do acaso: o encontro com a equipa de preparação ou o encontro com o presidente Snow, são pequenos exemplos. Por outro lado, há momentos desnecessários e, um dos exemplos é o tiro no Distrito 2. Há um excesso de estadia no hospital. Um excesso de descrição de medicação.
Repetições. Repetições. Repetições.
Para além do aspecto rápido da acção e do pouco desenvolvimento, tal como em Os Jogos da Fome não apreciei a presença dos mutantes e dos casulos fantasiosos: raios que derretem as pessoas, uma onda de gel, um chão que se abre, homens lagarto, trituradores de carne... Preferia que Suzanne Collins se tivesse mantido fiel aos aspectos práticos e reais de uma guerra. Mas, são gostos.
A última morte, o verdadeiro sacrifício, o acto que acabou com a guerra foi, sem dúvida, a morte de Prim. O que veio depois, a dor, a verdade sobre a sua morte, a sua ausência, está maravilhosamente descrito e é de trazer lágrimas aos olhos. As palavras que Katniss ouve enquanto está em chamas, as mesmas palavras que Prim pronuncia no dia da ceifa quando a irmã mais velha se voluntariou para a salvar, são, um círculo perfeito e, é aqui que A Revolta se redime porque, por muito mau ou decepcionante que um livro seja, regra geral, recordamos melhor a sua conclusão e a de A Revolta é, provavelmente, uma das melhores.
Contudo, apesar de emocionalmente apelativo, há incongruências. Apesar do assassínio de Coin, Katniss vota a favor de um novo jogo da fome, desta vez com crianças do capitólio, crianças inocentes, crianças que, como ela própria e Prim, não passaram de peões num jogo que nunca foram capazes de controlar e decidido como forma de castigo - qual seria a diferença? Essa reviravolta no pensamento de Katniss deixou um quanto a desejar. E, para além disso, há buracos que ficam por tapar. Ficamos sem saber o que aconteceu a Effie? Ela aparece no fim, minimamente composta, mas no primeiro e no segundo volume sabemos que Effie e Haymitch trabalham em conjunto para o bem-estar dos tributos, então porque é que ela não estava na aeronave? Porque é que ela, sendo uma peça fundamental no início de cada jogo, passou despercebida durante um livro inteiro? O que aconteceu a Johanna? Alguém que no decorrer do volume se tornou importante e, como Finnick ganhou um lugar especial na vida da protagonista e no coração do leitor?
Claro que o Epílogo, o que veio depois para Katniss e para Peeta, é belo. Uma página e meia que culmina num turbilhão de emoções. Há um futuro, há provavelmente um casamento, há filhos, mas eles não esqueceram. Suzanne Collins é uma das poucas capazes de retratar as consequências que um evento trágico ou uma guerra podem ter sobre uma pessoa, mais do que as consequência físicas. O trauma da guerra, da dor e da perda continuam presentes. O tempo acalmou-os talvez. Ou apenas arranjaram uma maneira de lidar com a situação sem se deixar afogar no desespero. Katniss é humana. E a última frase de A Revolta é provavelmente uma das mais fortes que já li.
Outros títulos da colecção:
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui aqui

Outros livros da autora:
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


2 Comentários

  1. Olá :)

    Apesar de já ter lido o livro há mmmuuuiittto tempo, a verdade é que me revi nestas tuas palavras. Claro que o que mais me lembro é do bom do livro, mas concordo que Suzanne Collins escreve tudo um pouco rápido, esquecendo se de explorar certas coisas e correndo muitas vezes o risco de criar incongruências. Mas AI como doi a conclusão do livro! :) E foi a conclusão, a dor, e a realidade que o tornaram um dos meus livros preferidos! :)

    Beijinhos,
    Rosana

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    Respostas
    1. Olá :) primeiro que tudo, obrigado pelo comentário! e sim, Suzanne Collins escreve tudo "a correr", especialmente as partes das mortes que, supostamente, são o motor para a destruição do poder do capitólio. É uma pena. Em Chamas estava perfeito.

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