Sinopse: No Pandemonium, a discoteca da moda de Nova Iorque, Clary segue um rapaz muito giro de cabelo azul até que assiste à sua morte às mãos de tres jovens cobertos de estranhas tatuagens. 
Desde essa noite, o seu destino une-se ao dos três Caçadores de Sombras e, sobretudo, ao de Jace, um rapaz com cara de anjo mas com tendência a agir como um idiota...

Opinião: Primeiro que tudo, Cassandra Clare é uma das autoras mais presentes nas redes sociais, sejam elas, twitter ou tumblr, o que dá aos seus leitores uma sensação de proximidade e, mais do que uma centena de vezes, a autora deu a sua opinião ou respondeu a questões feitas pelos fãs que abrem um pouco mais daquilo que é as Crónicas dos Caçadores de Sombras constituídas pelos Os Instrumentos Mortais (The Mortal Instruments), Origens (The Infernal Devices), The Dark Artifices, The Last Hours e The Wicked Powers (ainda por publicar), assim como As Crónicas de Bane e Tales from the Shadowhunter Academy. Mas, nem tudo é rosas e, mais do que uma vez, dei por mim a ler comentários ou textos de longas páginas sobre o suposto "plágio" da autora. De que livro?, perguntam os menos informados. Harry Potter de J.K.Rowling, para ser mais exacta.

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Quando abrimos o livro, somos imediatamente arrastados para a protagonista Clary e, à medida que a personagem conhece o Mundo das Sombras, enquanto leitores, começamos a ver pequenas comparações.
- A forma como os edifícios se camuflam de lixeiras para parecer despercebidos aos mundos.
- A própria palavra mundis, para descrever as pessoas não Caçadores de Sombras, é semelhante a muggles, no universo de J.K.Rowling.
- O país de origem, Idris, a ideia por detrás da sua existência é semelhante ao feito por J.K.Rowling, em Harry Potter e o Cálice de Fogo durante a Taça do Mundo de Quidditch.
- O claro antagonista que quer a primazia de uma raça em detrimento de outra e que possui uma data de seguidores que levou a uma guerra.
- A existência de três instrumentos mortais.
- O coche dos irmãos silenciosos cavalga a rua e não provoca nenhum estrago no trânsito.
Compreendo os argumentos presentes em cada crítica. Como fã aficionada de Harry Potter e de J.K.Rowling vejo, com facilidade as parecenças, mas vejo igualmente a injustiça. É possível comparar cada distopia, cada fantasia, ou fantasia urbana aos livros mais conhecidos do seu género. Quantas vezes não lemos etiquetas com: "O novo Crepúsculo" ou "Os fãs de Harry Potter/Hunger Games vão adorar". São rótulos que servem para vender e, pouco mais. E, apesar de Cidade dos Ossos ter, claramente, semelhanças com Harry Potter, é possível diferenciar os dois, é possível adorar os dois e, mais do que tudo, Cidade dos Ossos cresce pela diferença. São os pormenores que são parecidos, não a essência do livro e, se alguém não leu Os Instrumentos Mortais por ser demasiado parecido com os livros do Rapaz Que Sobreviveu, tenho pena, porque são realmente bons.
Sendo o primeiro livro de uma série de seis e, sendo, penso eu, o primeiro livro publicado da autora à excepção de fan-fiction, vemos, não erros, mas uma escrita imatura, embora não tenha a certeza que seja essa a palavra que procuro. Onde? Essencialmente nos primeiros três capítulos, nos diálogos durante as explicações: perguntas simples, levam a respostas demasiado compridas e detalhadas que não estariam presentes num dito, diálogo normal.
Mas, uma coisa que Cassandra Clare faz de forma excepcional é o desenvolvimento dos personagens e a aproximação dos mesmos com os leitores. Ela toca em pontos sociais que nunca vi retratados em fantasia urbana, ou em qualquer fantasia, de forma tão aberta: a homossexualidade, o machismo e o racismo, ou seja, o preconceito e é aqui, para além da história, que a autora se distancia ainda mais de J.K.Rowling. O preconceito que ela descreve não é em relação ao sangue puro, ou sangue de lama, como em Harry Potter, mas em relação a RAÇAS diferentes, havendo uma maior aproximação com o mundo real. Fazendo outras comparações, Jace e Isabelle até ao encontro com Clary, levam vidas muito semelhantes no que toca às relações e promiscuidade mas, quem é que foi mais criticado, mesmo por Clary? Ou mesmo pelos leitores? Isabelle é uma personagem de carácter forte, uma das melhores Caçadoras de Sombras, extremamente feminina, cujo principal defeito é não saber cozinhar porque a própria mãe tinha medo que ela fosse encarregue da cozinha.
No entanto, há questões técnicas que me aborrecem. Um dos exemplos é o facto de sabermos que Hodge não quer mundis no Instituto mas, nunca vemos a reacção do mesmo ao aparecimento de Simon, apenas o diálogo com Isabelle: o Hodge vai matar-te. Para além disso, não há nenhuma explicação para, nas suas memórias, na Cidade Silenciosa, Clary ver um caixão a baixar, visto que a única morte que seria tecnicamente importante era a do pai que, ela referiu morreu antes de nascer. Há momentos de igual incoerência. Dorothea sabe que a Jocelyn foi casada com Valentine e chega a referir: um amor que deu para o torto e, uma página depois, é que reconhece-a por quem ela era: Jocelyn Fairchild, conhecia-a apenas por Jocelyn Fray. E, há alguns erros de caracterização: Pangborn é descrito como tendo pele púrpura, uma característica conhecida de pertencer aos filhos de Lilith, mas Pangborn é, na verdade, um Caçador de Sombras.
A verdade é que Cassandra Clare recria um mundo mítico a que temos sido bombardeados nos últimos anos sendo, no entanto, os Caçadores de Sombras, uma versão muito mais apelativa de Caçadores de Vampiros ou Caçadores de Demónios e, embora as primeiras páginas ofereçam de antemão o que vai acontecer, qual o motor da história e o romance, à medida que nos debruçamos, descobrimos um mundo complexo, apesar dos clichês habituais, e um final chocante. Não há apenas a história actual. À semelhança de Harry Potter, conhecemos a história por detrás do círculo e o passado de Valentine, Luke e da mãe de Clary, Jocelyn, havendo um confronto de gerações e comportamentos. Penso, que merece uma oportunidade para os leitores mais resolutos.

The boy never cried again, and he never forgot what he'd learned: that to love is to destroy, and that to be loved is to be the one destroyed.




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