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Sinopse: Num futuro pós-apocalíptico surge, das cinzas do que foi a América do Norte, Panem, uma nova nação governada por um regime totalitário que a partir da megalópode, Capitol, governa os doze Distritos com mão de ferro. Uma anterior revolta fracassada dos Distritos contra o Capitol resultou num acordo de rendição em que todos os Distritos se comprometeram a enviar anualmente dois adolescentes para participar nos Jogos da Fome - um espectáculo sangrento de combates mortais com transmissão televisiva onde o lema é « matar ou morrer». No final, apenas um destes jovens escapará com vida... Katniss Everdeen é uma adolescente de dezasseis anos que se oferece para substituir a irmã mais nova nos Jogos, num acto de extrema coragem, um desafio desumano que a obrigará a escolher entre a sobrevivência e a solidariedade, a vida e o afecto cada vez maior que tem por Peeta, seu companheiro de Jogos. Conseguirá Katniss, face a circunstâncias tão avassaladoras, conservar a sua vida e a sua humanidade? 

OpiniãoPoucos dias antes de estrear o último filme dos livros de Suzanne Collins, decidi reler a trilogia que tanto encanto provocou no mundo. Em 2012, um pouco antes das férias de verão, apaixonei-me pelo official trailer, do filme homónimo. Não sabia absolutamente nada sobre a autora, ou sobre o mundo e, confesso, pouco ou nada sabia sobre distopias. Os Jogos da Fome apresentaram-me e, não tenho dúvidas, a muitos como eu, a mundos com sociedades alternativas e disfuncionais e abriram-me portas para um novo género de literatura até então desconhecido para mim.
A realidade criada por Suzanne Collins, intrigou-me por ter uma componente de reality show - quantos de nós não perdem horas, a admirar a vida de outros? quantos nós não se entusiasmam ou enojam com as atitudes dos concorrentes deste tipo de programa televisivo? Muitos, diria eu. E, não posso ser hipócrita, sou uma delas. Talvez seja desse tipo de gosto que surja a admiração pelos livros de Suzanne Collins, uma espécie de gladiadores em directo. A autora admitiu em entrevistas que a ideia surgiu num momento de zapping, um momento em que alternou no espaço de segundos entre um reality show e um noticiário de guerras e catástrofes. Quão, disfuncional está a nossa sociedade? Quantos de nós já vêem as notícias de mortes, cheias, incêncios, acidentes quase com desinteresse? Até que ponto é que podemos chegar?
Os Jogos da Fome retratam o extremo do que é a nossa sociedade. Penso que é por aí que está o encanto. E não só. A protagonista, Katniss Everdeen é tudo, o que uma personagem deve ser. É, essencialmente, defeituosa. É impossível não reparar na falta de compaixão perante a dor dos outros ou no egoísmo. Mas, é isso que a torna próxima do leitor. Eu consigo percebê-la, porque ela é retratada como uma humana. Não é nenhuma super-heroína. Não é a donzela que o príncipe tem de salvar. E, acima de tudo, não é colocada num pedestal acima de qualquer outra personagem. Sim, o livro centra-se em Katniss, narrado na primeira pessoa não podia ser de outra forma, mas é, sobretudo, um livro de sobrevivência, por enquanto.
Para além de um mundo diverso, Suzanne Collins ofereceu-nos um conjunto complexo de personagens e, um final imprevisível. Numa primeira leitura, penso que é impossível prever a decisão de Katniss, aliás, penso que, Os Jogos da Fome é um daqueles livros em que avançamos à medida que a protagonista avança. Não há espaço para suposições, principalmente porque vamos descobrindo mais sobre Panem e os Distritos à medida que a autora o deseja. O leitor não faz mais do que ir ao sabor da corrente.
É uma leitura fácil e envolvente. Não há dúvida. No entanto, por ser um livro sobre sobrevivência numa arena onde não podemos confiar em ninguém, acaba por ser um livro lento no que toca ao desenvolvimento: poucos diálogos, muitas repetições. Para além disso, os mutantes inseridos para criar o grande final, não me convenceram: «parecem-se com lobos enormes, mas que tipo de lobos aterra e depois facilmente se ergue sobre as patas traseiras? Que tipo de lobo incita o resto da alcateia a avançar com um aceno da pata dianteira como se tivesse um pulso?». Mas, o que Os Jogos da Fome perde com esse desenvolvimento lento, ganha com as descrições pormenorizadas, com as relações complicadas e com a própria curiosidade do leitor. É impossível não querer saber mais.
Outros títulos da colecção
*Os Jogos da Fome - adaptação cinematográfica: aqui
*Em Chamas - adaptação cinematográfica: aqui
*A Revolta - adaptação cinematográfica: aqui e aqui


Outros livros da autora
*Gregor - A Primeira Profecia
*Gregor and The Profecy of Bane
*Gregor and the Curse of the Warmbloods
*Gregor and the Marks of Secret 
*Gregor and the Code of Claw


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