Sinopse: A Seleção iniciou-se com 35 raparigas. Agora, com o grupo reduzido a 6, a Elite, a competição para conquistar o amor do Príncipe Maxon é mais feroz do que nunca. Quanto mais perto America se encontra da coroa, mais se debate para perceber onde está verdadeiramente o seu coração. Cada momento que passa com Maxon é como um conto de fadas, instantes cheios de romantismo avassalador e muito glamour. Mas sempre que vê Aspen, o seu primeiro amor, é assaltada pelo desejo da vida que tinham planeado partilhar.
America anseia por mais tempo. Mas enquanto se sente dividida entre dois futuros, o resto da Elite sabe exatamente o que quer e a oportunidade de America para escolher está prestes a desaparecer.




Disclaimer: Tal como A Seleção, esta é a segunda opinião. A opinião de A Elite foi publicada do DeliriousBeautifulMind no dia 5 de Maio de 2015 e era, sobretudo um resumo. Nesta nova leitura, espero que a opinião seja mais pertinente

OpiniãoA Seleção começou quando trinta e cinco raparigas que não podiam ser mais diferentes uma das outras foram escolhidas para participar num concurso público com o objectivo de conquistar o coração do Príncipe Herdeiro de Ílea e, com isso, a coroa. Com este segundo volume, A Elite, ficamos reduzidas a seis raparigas e a uma confusão de emoções e de atitudes que na maior parte das vezes não faz jus à sanidade de uma pessoa comum. Ainda assim, a autora conseguiu - novamente - criar uma história com um ritmo rápido e a sua escrita aditiva impediu-me de pousar o livro. A verdade é que qualquer uma destas pérolas não preza pela sua complexidade ou até mesmo profundidade mas é uma leitura viciante que obriga o leitor a seguir em frente.

(Continua) 

A Elite decorreu um pouco como A Selecção, possuindo os mesmos fortes e fraquezas mas, cada elemento - bom e mau - é exacerbado ao máximo porque já conhecemos cada um dos intervenientes e as apresentações já estão feitas. O mundo criado para a protagonista - Ílea - continua um mistério. O forte da autora é, sem dúvida, o romance e não a construção de um universo ou world building. Ílea possui buracos ou plot holes em número exagerado e, à medida que o conhecimento surge e que são nos dadas novas descobertas, mais preguiçoso parece o esforço da autora para fornecer ao leitor um mundo que, não só faça sentido, como pareça justificável - as principais qualidades de uma boa distopia.
Os rebeldes são o espelho e uma das consequências do mundo - pobremente - criado. Uma mistura de “interessante” com “confuso” com “o quê?”. Não há um propósito forte ou credível para a sua existência e, mais do que isso, não há uma lógica por detrás dos ataques realizados, algo que a própria autora chama a atenção usando a protagonista, enquanto, simultaneamente não dá uma justificação lógica para eles existirem, deixando o motivo em aberto para o leitor interpretar da maneira que melhor lhe aprouver. A verdade é que não há nada de interessante nos ataques ou algo que suscite a curiosidade. Até mesmo a violência é pobre.
Kiera Cass domina na perfeição a arte de criar um romance credível e de formar uma protagonista extremamente frustrante. A moralidade dúbia de America leva qualquer leitor a querer esbofeteá-la, pois a protagonista tem o poder de provocar no leitor emoções que não são dignas de uma pessoa civilizada. O triângulo amoroso torna-se massivo e, subitamente, somos arrastados para uma bola de dúvida, traição e amores mal resolvidos. Ainda assim, prefiro a emoção à apatia, sendo o primeiro o grande motivador da leitura. Temos simplesmente de saber.
Infelizmente, ao mesmo tempo que dá continuação ao romance, a autora perde o elemento fundamental do primeiro livro: o reality show, a competição pelo coração de Maxon/pela coroa/pela possibilidade de ser rainha, deixando espaço para momentos melodramáticos e intrigas comuns, recicladas mil vezes no género YA, ainda que com algumas surpresas, embora a autora não seja a melhor na criação da expectativa.
Mais uma vez, apesar dos pontos acima, claramente negativos, gostei de A Elite. É um daqueles livros cujas falhas são gritantes mas que, ainda assim, somos incapazes de não gostar. A ausência de sentido no mundo é a maior falha, já que vai relaciona-se intimamente com o resto do plot, sejam os rebeldes, seja a forma como Maxon e restante família são obrigados a lidar com o mundo à sua volta, seja a forma como America vê e lida com as suas verdades. A Elite provocou emoções fortes, uma confusão relativa mas, ainda assim, entreteve o bastante para ser capaz de o ler em dois dias.

Love is beautiful fear


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