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Sinopse: Zara White suspeita que há um indivíduo estranho a persegui-la. Ela é tabém obcecada com fobias. E é verdade que ela não tem estado bem desde a morte do padrasto. Mas exilar-se no frio Maine e ir viver com a avó? Parece algo extremo. É suposto que a mudança a ajude a manter-se sã... mas Zara tem a certeza que a sua mãe, no imediato, é incapaz de lidar com ela.
Não podia estar mais enganada. O perseguidor está longe de ser um produto da sua imaginação. Ele está a persegui-la, deixando atrás de si um estranho rasto de pó. Algo não está certo - não é humano - nesta sonolenta cidade do Maine, e todos os sinais apontam para Zara. 

OpiniãoAo contrário do que aconteceu com Uma Vida a Teu Lado, em que 1 dia bastou para terminar a leitura, pensei, sinceramente, que Desejar, iria passar a voar. Em vez disso, demorei 4 dias, para ler 292 páginas. Porquê? Desejar tem alguns pontos positivos, principalmente lá para os últimos capítulos, mas o início foi, não há outra palavra para descrever, doloroso, principalmente porque a premissa era tão boa e, para ser sincera, a ideia geral é inteligente e adorei. Mas, e há sempre um "mas", houve tantos pontos negativos no início que foram, basicamente, uma espécie de "desmotivador" para o resto do livro. Para mim, um livro "forte" é aquele que prende desde o início, onde, mesmo que exista falhas, não colocam em causa a natureza, a essência da história e, principalmente, a motivação do leitor.
É um livro juvenil? É. Mas há um limite entre ser direcionada para um público jovem e fazer o leitor passar por estúpido. Um dos pontos mais positivos - para além da ideia geral - é as fobias. Zara, a protagonista, para sentir que tem algum controlo sobre as coisas que a assustam, dá-lhes nomes, neste caso, enumera fobias e isso dá, sem dúvida, um tom interessante ao livro, é algo original, pelo menos para mim. Mas depois há cenas que, juro, atirei literalmente o livro contra a secretária. Qual é o estranho que se vira para uma rapariga e diz: "Não quero ofender, mas você está bem? Parece um bocadinho zombie?". Eu percebo que é para passar a mensagem de que ela está apagada depois da morte do padrasto, não reage, não sente nada, mas era sinceramente preciso tamanho diálogo? Mas continua «Você passou o voo todo em piloto automático; a escrever cartas, a salvar o mundo, mas parece uma zombei.»
Para aqueles que adoraram Crepúsculo de Sthephnie Meyer, podem tentar Desejar, as parecenças (ao início) são mais do que muitas: rapariga pálida, de uma zona solarenga, muda-se para um local frio para viver com outro familiar numa cidade pequenina, é a nova miúda na escola onde não há miúdas novas, recebe um carro novo, recebe as atenções de dois rapazes diferentes que lutam para a levar a casa e afins, sem qualquer tipo de intervenção por parte da protagonista como se ela fosse um pedaço de melancia. Parece familiar?
Quão ridícula é a personagem de Issie? Eu tentei sentir algum tipo de compaixão pela rapariga, mas ela estar ali ou não era a mesma coisa. É quase uma personagem acéfala. E a forma como Nick e Devyn se relacionam com ela é quase como se tivessem sempre a dar uma palmadinha no ombro da moça por ser da forma como é, que eu aceito, mas quem diz: «Ela prefere ser minha amiga do que da Megan». Falando em Megan é a clássica mazinha da história, mais uma personagem sem conteúdo, sem qualquer tipo de background, sem encanto absolutamente nenhum. Para o romance não é preciso esperar muito. Já na página 45 Zara pensa «Estou apanhadinha». Para aqueles que apreciam uma boa dose de romance juvenil sem nenhum tipo de base, este é o livro a escolher.
Outro ponto SUPER negativo, é a personalidade de Zara. Numa fase pós Bella, nasceu um lote enorme de livros com protagonistas que não se acham boas o suficiente, que se acham feias e gordas e que não param de repetir, "ele não gosta de mim" ou que não param de perguntar "mas gostas de mim?" "porque gostas de mim?". É irritante e desagradável. Mas, aceita-se quando há algum tipo de evolução, que não se verificou. A única coisa que evoluiu foi o seu pseudo-gosto por Maine, pelos amigos e por Nick.
A revelação do que o perseguidor, (uma situação muito mal explorada no início do livro), pode ser um pixie é hilariante. Ri muito, enquanto passava por essas páginas, porque não há qualquer preparação. Percebemos logo que Devyn e Issie sabem alguma coisa sobre o assunto, mas a forma como o abordam é muito pobre, quase como se a autora não visse como abordar o assunto de forma casual e portanto resolveu espetar com a informação na cara da protagonista. É, uma informação correta como se vem a descobrir, mas baseada em MUITÍSSIMA pouca informação: ele viaja depressa (não podia ter apanhado o mesmo avião) e deixa pó. Conclusão óbvia? É um pipie.
Mas o que mais me irritou, para além da parte do "limite entre juvenil e estupidez", foi o pouco realismo, até nas aulas, nomeadamente na aula de Artes Plásticas em que a professora chama a atenção de Zara, PELO NOME, mas depois diz: «Vamos deixar o Nick E A MIÚDA NOVA em paz». Qual é a professora que tem a desconsideração de tratar uma aluna por MIÚDA NOVA? Mas, passando esta parte, os diálogos interiores que são para lá de infantis, não havia maneira de interlaçar o que ela diz com os pensamentos? Ninguém, numa situação de perseguição, resmunga para as árvores e fala em voz alta, pelo que provavelmente seria mais proveitoso fazer uma avaliação da situação de forma mais introspectiva. O mesmo para quando ela cuida do cão/Nick. Os diálogos infantis foram para rir, numa situação que devia ser tensão.
Nick é obviamente o metamorfo, que se transforma em lobo ou cão, o que for. Desde o início que há a menção aos cheiros da floresta e a cão, não fiquei surpreendida. O que me deixou surpresa? A quantidade de metamorfos que uma pessoa pode conhecer. A secretária é um urso. A avó é uma tigresa. O amigo é uma águia. O namorado é um lobo. Issie, infelizmente porque podia ter adicionado algum "picante" há personagem, é humana.
A relação mãe-filha foi um ponto forte e toda a situação com o rei dos pixies. A situação da revelação de Ian e Megan até à situação do Rei dos Pixies cujo nome não me lembro de ler, podiam ter sido mais extensas, muito melhor exploradas, ao invés de passar por um capítulo e pronto. Podia haver muito menos divagações adolescentes sem sentido e muito mais "recheio" porque é uma das melhores partes de Desejar. Toda a situação pixie-rei, e os impulsos, e a relação com o padrasto/pai de Zara e da mãe, e do beijo que suga a alma género Dementor é bastante interessante mas é quase colocado para segundo plano com os devaneios de Zara.
Não gostei. Desejar deixou demasiado a desejar, passo a redundância. A escrita é demasiado infantil. A protagonista é demasiado passiva, mas quando decide fazer alguma coisa, é demasiado estúpida e vai em direcção ao perigo, porque a autora quer mostrar uma mártir, quando nada, nas ações de Zara, mostram essa sua faceta. É quase como que, nos momentos em que a autora quer mostrar um lado heróico de Zara ou um lado mártir ou, até mesmo depressivo, mete uma cena ao acaso, que não condiz com a personalidade que nos é apresentada desde o início, ou mete um diálogo a referir a depressão ou até mesmo o suicídio quando Zara não se encaixa em nenhum dos dois. O que salvou mesmo o livro foi a ideia principal, a relação Zara-mãe, e Zara-padrasto e até mesmo a presença das fobias.
Outros livros da autora
*Desejar
*Captivate
*Entice
*Endure


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