Sinopse: Ethan Wate julgou estar a habituar-se às estranhas coisas impossíveis que se desenrolavam em Gatlin. Porém, agora que Ethan e Lena voltaram para casa, estranho e impossível assumiram novos significados. Enxames de gafanhotos, um recorde de calor e tempestades devastadoras arrasam Gatlin enquanto Ethan e Lena tentam perceber as consequências do Chamamento de Lena. Até a família de Lena é afectada - e as suas habilidades começam a falhar perigosamente. Com o tempo, uma questão torna-se clara: o que - ou quem - terá de ser sacrificado para salvar Gatlin?
Para Ethan, o caos é uma distracção assustadora, mas bem-vinda Ele está de novo a ser perseguido nos sonhos, mas desta vez não por Lena - e tudo o que o assombra, segue-o para fora dos sonhos até à sua vida quotidiana. Ainda pior, Ethan está gradualmente a perder pedaços de si - esquecendo nomes, números de telefone e até memórias. Não sabe porquê e na maioria dos dias, tem medo de perguntar. Às vezes, não há como voltar atrás. E desta vez não haverá um final feliz. 

OpiniãoA coisa com Criaturas Maravilhosas, Trevas Maravilhosas e Caos Maravilhoso é que as capas dão muito do conflito. "Às vezes, não há só uma resposta ou uma escolha". Há o pressuposto de que alguém, que não Lena, já que ela foi o "foco central de escolhas" nos últimos dois volumes, é forçado a escolher alguma coisa e, para qualquer pessoa que tenha lido a sinopse o resultado dessa escolha pode levar ao conserto do mundo, tanto Mortal como Encantador e, por essas razões é que não gosto quando há palavras escritas na capa, ou de ler a sinopse de segundos ou terceiros volumes antes de completar a leitura, porque soube-o logo. Mas, do mesmo modo, não era preciso esperar muito porque Kami Garcia e Margareth Stohl espetam-nos com o fim, logo no início.
Caos Maravilhoso é, sobretudo, o começo do fim. Não estou a dizer nenhuma novidade. O Chamamento de Lena deixou consequências e este volume é para chegar até à escolha que tem de ser feita, mas que não é novidade para o leitor. É um dos poucos defeitos que coloco. O fim. A reviravolta não é novidade porque é-nos dada numa bandeja nas primeiras literalmente na primeira página. MAS, de algum modo, consegue ser melhor que o seu antecessor, Trevas Maravilhosas. Caos Maravilhoso não deixa de ser um livro de emoções, de explicações mas, sobretudo de mudanças porque nada mais vai ser o mesmo.
Ora bem, comecemos pelo fim, tal como Ethan refere: "Com o início do fim dos dias". Era previsível, desde o início. Para aqueles que não prestaram atenção às primeiras páginas, pequenas pistas foram-nos dadas durante diálogos ou entre diálogos: «Amma nunca tinha falado comigo assim, como se fosse haver um momento em que eu já não fosse estar ali ou não precisasse dela». Não houve somente um e o caminho para encontrar a resposta foi longo, pelo menos para Ethan. Por isso é que digo que Caos Maravilhoso é um volume que representa uma busca e mudanças. Porque elas existem e de forma palpável porque pela primeira vez a Srª Lincoln está certa. É o apocalipse.
Eu acredito piamente que as mudanças em termos de personagens e de fluxo/interação são sempre para melhor, mesmo quando não nos parece à primeira vista. Uma dessas mudanças positivas foi as visões de Lena e Ethan, desta vez para o passado de Sarafine porque, pela primeira vez podemos ver o que são as Trevas e como actuam numa Encantadora que, ao contrário de Lena, não teve escolha. Sarafine ou Izabel, chorou, sofreu e amou de forma incondicional. É o que retiro das suas passagens. Ela amou John e amou Lena. Mas as Trevas, as Vozes e Abraham foram demais para ela porque, no fundo, há uma grande diferença entre Lena e Sarafine. Lena, qualquer que fosse a sua escolha, mesmo que essa fosse as Trevas (coisa que seria mais interessante) teria sempre o apoio incondicional da sua família, sobretudo do Tio Macon, Ethan e de todos os outros pelo que, o facto de Sarafine ser quem é, é culpa deles. Da mãe de Sarafine que a expulsou, da avó que a renegou e do marido que não a amou pelo que ela era, Trevas ou não. Pergunto-me se a Tia Del conseguiu ver o futuro de Sarafine e naquilo que ela se ia tornar, já que foi a única que intercedeu por ela. Será que a sua capacidade de ver o passado/presente/futuro conseguiu ver para lá de Sarafine? O ódio dela, as Trevas que a consumiram são o resultado de uma vida sem Luz, sem amor. Tanto que morreu, sem a piedade ou compaixão ou ajuda do homem que provocou tudo. Abraham.
Outra mudança interessante foi a de Amma. Agora sombria, sem palavras cruzadas ou comida. Amma que é a personificação perfeita da forma como um final pode ser arruinado. Ela sabia o que ia acontecer. Ethan é que não prestou atenção porque o fim do mundo era mais fácil de encarar. Amma que, como mãe, não pode fazer nada para impedir Ethan de subir para o reservatório e atirar-se lá de cima, impedida de o puxar para baixo por um Macon igualmente diferente. Amma que, sem dúvida, protagonizou uma das cenas mais dolorosas de ler. A da mãe que assiste à morte de um filho, mesmo que seja para um bem maior.
E John Breed, finalmente temos explicação para a sua existência, ainda que não compreenda quem são os seus pais e como é que Abraham conseguiu a combinação perfeita. Pediu a dois estranhos para irem para a sala fazer um bebé e já está? Ou andou à sua procura? E, apesar de Lena ser mil vezes referenciada como a Encantadora mais poderosa, John Breed com a sua capacidade de "sugar" poderes não deveria ter esse título? Ou ele é o Íncubo mais poderoso? Neste volume, a verdade é que Mortais deixam de ser Mortais para passarem a Íncubos ou novamente a Encantadores e Íncubos tornam-se Encantadores e Guardiãs passam a Mortais novamente e nada é igual. John Breed tem o seu próprio charme e, embora fosse previsível, gostei bastante do desenvolvimento da sua relação com Liv apesar de nada, nenhum pormenor nos ter sido dado. Sabemos apenas que eles passavam muito tempo nos Túneis. Ponto.
Ethan é, no entanto, a principal mudança, novamente com Lena, perde a memória dos factos mais simples e parece mais perto de vestir um pijama com patos e ir atirar-se de uma varanda qualquer do que completar o secundário.
Confesso que não gostei do Registo Distante e da forma como foi descrito e como trataram Marian, não pelo conteúdo, mas pela falta, mais uma vez (como aconteceu com Liv e John) de história de saber como é que tudo aquilo se processa. Temos apenas uma visão e um prazo e o final com John a armar-se em Jace Herondale, pouco ou nada acrescentou. Também não gostei da amostra de Walking Dead depois do terramoto provocado por Abraham ou no final com Amma e bokor. Por qualquer motivo acho que teria sido mais interessante pelo menos usar o corpo de alguém conhecido como, sei lá, Lila? E por falar em Lila, aquilo com Lilium e a Srª English, Lilian não passou de palha, a não ser que haja desenvolvimentos no próximo volume. Num livro só pode haver uma certa quantidade de Ethan's, John's e derivações de Lila.
Por outro lado o pai de Ethan, Mitchell, mais uma vez, nada acrescentou à história a não ser a parte do seu livro, Dezoito Luas. É, mais uma vez, um personagem sem corpo, completamente descartável e não gosto disso porque, sinceramente, o pobre homem sofreu na vida e não lhe é dado o merecido crédito.
Uma das minhas cenas preferidas é provocada por Ridley Mortal/Encantadora, com um encantamento de Furor que atiçou Lena contra Liv e vice-versa e colocou em evidência os sentimentos que tinham guardados e, não pude deixar de concordar com Liv em certas ocasiões, pelo menos no que toca à Lena de Trevas Maravilhosas.
Outra mudança é o aparecimento mais frequente de Ridley, embora esta continue a desaparecer e a aparecer ao seu bel prazer e não gosto disso num personagem ou numa história porque, no fundo, ela pode acabar ou não acabar por salvar sempre o dia e isso torna-se facilitismo. Mas Ridley mostra que «Há Luz nas Trevas», ao contrário do que aconteceu com Sarafine porque Ridley, mesmo nas Trevas continuou a ser amada, quanto mais não seja por Link que viu-a como ela era e amou-a de qualquer forma.
Uma das mudanças que mais que custou foi a Tia Prue. Não esperava pela quebra do elo entre as Manas ou as Raparigas. Queria que elas vivessem tanto ou mais anos quanto um Íncubo ou Encantador. Queria que elas vivessem para contar aos filhos de Ethan as histórias de quando ele era novo, com o Harlon James XVI ao colo. Mas não gostei da versão de paraíso que nos foi mostrada por detrás de um cofre no Exílio. O que era aquilo?
E finalmente, o fim. Eu esperava-o e pensei, sinceramente que não me importava porque falta um livro, Redenção Maravilhosa e porque sabia o que ai vinha mas não esperei que fosse tão intenso. Talvez fosse essa a intenção das autoras desde o início, dar-nos a informação mas espetar-nos com ela de uma forma crua e dolorosa, especialmente no que toca a Amma e a Lena e às palavras na parede e às palavras que ficaram por dizer e todas as coisas que ficaram por fazer porque, no final, Aquele que é Dois tem de ser sacrificado e no final, a Roda do Destino esmaga-nos a todos.
Melhor do que Trevas Maravilhosas, não só em termos de conflito como de desenlace das situações. Não há tantas questões a serem colocadas mas mais a serem respondidas. Há mudanças, umas bruscas e outras nem tanto. Há momentos em que, como Ethan, só quero voltar à Gatlin normal onde nada acontecia e onde o pior que apareceu foi uma rapariga de cabelos pretos e olhos verdes. Mas Caos Maravilhoso não nos apresenta outra coisa senão Caos e foi uma surpresa maravilhosa quando comparada com o segundo volume.
Outros títulos da colecção Crónicas Encantadoras
*Criaturas Maravilhosas - adaptação cinematográfica aqui.
*Trevas Maravilhosas
*Caos Maravilhoso
*Redenção Maravilhosa
*Beautiful Creatures: The Untold Stories #1 #2 #3 #4

*Dangerous Creatures
*Dangerous Deception

*Dangerous Dream
*Dream Dark


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