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OpiniãoNão se pode dizer que a vida de Chris Kyle tenha sido de algum modo inspiradora, pelo contrário, mas não podemos negar o papel fundamental que ele acaba por ter na 2ª Guerra do Golfo, na proteção dos seus colegas em missões de assalto, reconhecimento ou de procura. Contudo, durante o filme, somos igualmente levados para o outro lado de Kyle desde, literalmente, o primeiro minuto de filme - o gosto pelo gatilho, a ideia de que tem de ser o protetor dos fracos e oprimidos, que tem de ser o cão-pastor.
Não acho que Sniper Americano glorifique a guerra, acho que, de certo modo, acaba sim, por glorificar os americanos e o que significa ser americano e patriota, embora, nalguns sentidos, com valores morais completamente trocados, com ideias de ódio que acabam por ser justificadas com o atentado do 11 de Setembro.
O filme peca, por outro lado, ao não mostrar ou a relativizar a situação da população iraquiana porque, mesmo nos momentos em que há mostras de simpatia por parte da população, esses sentimentos são rapidamente esquecidos, havendo no ar a suspeita constante de segundas intenções. E, mesmo nos momentos em que a empatia pelo povo iraquiano aparece na forma de crianças, este é rapidamente esquecido quando as vemos a lançar granadas ou a pegar em armas.
Sniper Americano vende-nos a vida de Kyle como uma vida inspiradora e comovente, e do mesmo modo o espírito patriótico americano e de uma situação preto-no-branco, da ideia de quem são os bons e os maus da fita. Não há uma área cinzenta.
Não considero uma biografia, uma vez que retrata somente a área militar da vida de Chris Kyle, onde a vinda para casa resulta de uma epifania no momento em que viu os olhos da morte e não de um momento de reflexão ou de sacrifício pela família e onde o trauma é rapidamente ultrapassável. Considero que é mais uma propaganda do que um retrato de vida.


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