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Sinopse: Eles chegaram à Terra há 12 mil anos. Vieram dos céus, envoltos num misto de fumo e fogo, e criaram a humanidade. Precisavam de ouro e construíram as primeiras civilizações humanas, doze linhagens distintas, para o extraírem das entranhas da Terra. Quando já tinham o que queriam, foram-se embora, mas deixaram um aviso: um dia iriam voltar... E quando voltassem, teria início o grande jogo, o Endgame. Ao longo de dez mil anos, as dozes linhagens originais existiram em segredo, mantendo sempre, cada um delas, um jogador preparado para entrar em acção a qualquer momento. Geração após geração foi-lhes ensinada a mestria das armas, das línguas, da estratégia, do disfarce, do assassínio. O Endgame era sempre uma possibilidade, mas agora que eles voltaram , tornou-se uma realidade e os doze jovens jogadores estão a postos para entrarem no grande jogo que decidirá o futuro do planeta e da humanidade. Só um pode vencer. Só a linhagem do vencedor será salva. Vence quem encontrar primeiro as três chaves escondidas algures na Terra. E é sobre a busca da primeira chave que se centra este livro. 

Book Trailer

Opinião: A premissa inicial é que a construção da civilização assenta sobre princípios diferentes daqueles que nos ensinaram. Não há Darwin. Não há evolução. Tudo foi-nos dado pelos Criadores. Criadores esses que, quando o momento chegasse iriam despoletar o Endgame. Um jogo baseado em enigmas onde cada jogador de cada uma das doze linhagens principais deve encontrar três chaves essenciais: a Chave da Terra, a Chave do Ar e a Chave do Sol. O vencedor irá, não só sobreviver ao Acontecimento, ou Apocalipse, por outras palavras, como irá também salvar toda a sua linhagem.
Portanto, Endgame é despoletado por um meteorito. O início é bem conseguido com Marcus e até com Chiyoko, mas com Sarah chega a ser caricato e na minha primeira leitura, na altura do lançamento do livro o ano passado, parei por aí. Não conseguir ler mais. O irmão a ser empalado, a melhor amiga a perder o braço, as pessoas a andarem por ali sem metade do corpo, quase como zombies. Numa onda de Hunger Games, só um pode vencer, a minha aposta foi imediatamente para Sarah. Por algum motivo, os que inicialmente se mostram em desvantagem, já que Sarah não era a jogadora, mas sim o seu irmão Tate, acabam por, de algum modo, dar a volta por cima e surpreender. Foi o que aconteceu. Sarah apanhou a Chave da Terra.
O encontro dos doze no Pagode não me encantou, ainda não estava conectada com o livro, era mais ler por ler, embora tivesse os meus preferidos que, no fundo, são os personagens que acabam por aparecer mais vezes: Sarah, Jago e Chiyoko. Até aí, um dos momentos que realmente me cativou a continuar foi o encontro de Sarah e Jago, mais uma vez, dá uma vibe de Peeta e Katniss, os amantes condenados, embora Sarah tenha um namorado que ame, Christopher que é o décimo terceiro ponto de vista, fora daqueles que são jogadores.
Aqui, em relação aos personagens Christopher é um dos menos favoritos, porque não passa de peso morto. Outros personagens não tiveram tanta relevância como Marcus, o falecido, Aisling que passou o tempo na montanha, Shari, Alice, Hilal. Maccabee, Baitsakhan, Chiyoko, An, Jago, Sarah e Kala, adquirem um maior destaque porque são aqueles que percorrem o mundo e, basicamente, perseguem-se uns aos outros.
Há realmente figuras interessantes, como Chiyoko, que não fala e respeita muito o silêncio e acaba por ter um efeito em An, um gago com tiques nervosos devido à tortura a que foi sujeito durante o treino para o Endgame. A relação deles é terna e rápida. Fiquei realmente triste por vê-los morrer. Hilal aparece quase como missionário. Sarah e Jago foram os meus preferidos, não só pelo pseudo-romance, mas também por serem, para mim, os personagens com maior conteúdo e desenvolvimento.
Há situações que foram desnecessárias e que acabam para servir apenas para despoletar uma relação, como a situação na casa de banho do avião à procura do transmissores. Ele conseguiriam ver-se a si próprios, não era necessário tamanha "erotização" da situação e no final de contas, acabaram por não perceber que o transmissor estava numa cicatriz que Jago tinha no pescoço que Sarah nem verificou. Do mesmo modo, a queda do avião. Fiquei sem perceber se foi despoletada pelo An. A forma como se salvaram, incluindo Christopher, pareceu-me fácil?
Christopher é irritante. Ele fica, teimoso, orgulhoso (?), mas há sempre uma parte dele que nos momentos cruciais pensa: «Devia ter dado ouvidos à Sarah. Eu não devia estar aqui». O final foi realmente chocante - embora a minha aposta tivesse certa. Não pensei que Sarah, a que mais tinha a perder, fosse capaz de assassinar o namorado. Mas todo o fim e o encontro com a Chave da Terra pareceu-me alienado (?). Não consegui entrar no mundo durante essas páginas. Ela voou? Não voou? As pedras andaram ali às voltas?
O enredo às vezes parece-me inconsistente. Muitas das vezes aqueles que têm hipótese de matar e têm esse desejo, não o fazem e aqui refiro-me a Maccabee ou Baitsakhan, em algumas situações. Há a ideia de que o Endgame pode ser evitado. Muitas das vezes perguntei-me: e se todos decidissem não jogar? Isso acaba por ser colocado em questão com Aisling ao gritar para não colocarem o disco em Stonehege, o que iria despoletar o Acontecimento. Não compreendo do mesmo modo como funciona as linhagens. O vencedor escolhe quem vive? Ou é relacionado com o sangue? Mas isso não faria com que, de alguma maneira, fossem todos relacionados uns com os outros ao fim de 12 mil anos?
Não se pode dizer que seja um livro fácil. Para mim o início foi de ajustamento aquela realidade. Há cerca de treze pontos de vista diferentes (12 jogadores e 1 não-jogador), e embora haja uma maior incidência em certos personagens, ao início é difícil a certa altura perceber quem é quem, mas passados algumas páginas, começamos rapidamente a apanhar os traços de cada um dos jogadores. Os nomes complicados não facilitam. Endgame corre o mundo, pelo que também temos essa vertente, acho que posso dizer, cultural. Cada personagem é realmente muito própria e nenhuma é igual, embora possamos dividir os jogadores em dois grupos, citando uma das personagens: aqueles que jogam pela morte e os que jogam pela vida.
Outros títulos da colecção: 
*Endgame - A Chamada
*Endgame - A Chave do Céu
*Endgame #3


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