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Sinopse: Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que subitamente, uma gigantesca onda electromagnética desactiva todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar. A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade. Cassie, uma menina de dezasseis anos, é uma das sobreviventes, a quem só resta o irmão mais novo, Sammy, que foi levado para longe dela. Sozinha e desesperada, Cassie tenta a todo o custo encontrar o irmão, mas em quem poderá confiar? Como distinguir entre os seres humanos verdadeiros e aqueles que só o são na aparência? E quem será realmente Evan Walker, o rapaz misterioso por quem começa a ter um sentimento cada vez mais forte? 

Book Trailer: 

OpiniãoPenso que só em 2015 já li mais livros sobre extraterrestres do que em toda a minha existência. MAS, A 5 ª Vaga é, sem sombra para qualquer tipo de dúvidas, um dos melhores.
A 5 ª Vaga é, na sua essência o quinto momento de um plano extraterrestre para "limpar" a humanidade para poderem, por sua vez, tornar a Terra no seu lar. A 1 ª Vaga deu-se 10 dias depois do aparecimento da nave-mãe, após mensagens falhadas, uma vez que eles se mantinham silenciosos. Uma onda electromagnética desativou todos os aparelhos eléctricos. A 2 ª Vaga foram Tsunamis. A 3 ª Vaga uma doença semelhante ao ébola transmitida através dos pássaros. E, por fim, a 4 ª Vaga são os Silenciadores que vieram para destruir o que restava da humanidade. As quatro vagas mataram cerca de 97% da população.
Cassie, de dezasseis anos, diminutivo de Cassiopeia, sobreviveu às quatro vagas, mas os seus pais não e, pelo caminho, ela perdeu o seu irmão mais novo, Sammy. Não há um, não há dois, não há três, mas sim quatro pontos de vista. É uma leitura super consciente. Entramos completamente no mundo de Rick Yancey que fez um belíssimo trabalho. O leitor vive os momentos com a protagonista (a minha favorita de entre os três pontos de vista). Uma adolescente sarcástica, kickass que é obrigada a safar-se completamente sozinha com a memória de uma promessa. É uma leitura realista, e é fácil - tão fácil - sentir, de algum modo, que somos a Cassie.
De algum modo, Rick Yancey fez-me acreditar que conhecia não só a Cassie, como o seu pai e o Sammy. As reminiscências ao passado e a Ben Parish e a Lizbeth, à forma como a invasão começou, as cenas no ginásio depois da 1 ª Vaga foram de cortar a respiração, porque ela sabia que era, provavelmente a última vez que veria aquelas pessoas, a progressão da doença da mãe que culminou na sua morte, a ida para o campo das cinzas, a chegada do Vosch, a morte do pai, a sua quase-morte. Foi todo um conjunto arrebatador de acontecimentos narrados na perfeição. A minha "voz" favorita era a da Cassie. A sua forma de pensar sarcástica, arrogante, inicialmente quase não-humana, apenas instinto de sobrevivência, quase animal.
Na sua experiência de quase-morte, quando Cassie leva um tiro na perna passamos imediatamente para outro ponto de vista: o de um rapaz com o vírus. Ao início é confuso porque (sinceramente) pensei que ainda estava na "voz" de Cassie, mas rapidamente percebi que não e comecei a questionar-me: seria Evan? "o rapaz misterioso" da sinopse? Mas depois rapidamente percebemos que é Ben Parish, a paixão de Cassie do que ela chama "uma vida anterior".
E começam as voltas e reviravoltas. No campo das cinzas vemos Vosch a assassinar a sangue-frio não só o pai de Cassie como outros refugiados levando as crianças com ele, e imediatamente pensei "EXTRATERRESTRES". No ponto de vista de Ben acontece o mesmo: a base militar tem eletricidade que supostamente teria sido "destruída" na 1 ª Vaga e eles conseguem curar Ben - um vírus criado por extraterrestres. MAS, depois vem o discurso de Vosch sobre lutar com os extraterrestres, blá, blá, e o treino e tudo o que advém, incluindo o ponto de vista de Sammy e a simpatia com que é tratado até aí e que começamos a duvidar das nossas próprias conclusões. Até ao momento em que Ben e uma outra rapariga soldado que dá pelo nome de Ringer (não é o seu nome verdadeiro) conseguem dar a volta à situação e perceber que a 5 ª Vaga são eles, humanos a matar humanos. Deus, como fiquei paranóica.
Mas é-nos dadas pistas, nomeadamente através de um quarto ponto de vista - o de Evan. Evan que foi a mão no gatilho que quase provocou a morte de Cassie. Evan que é doce e querido. Evan que é um não-humano mas humano ao mesmo tempo. Evan que está incrivelmente bem construído, quase, quase ao mesmo nível que Cassie ou Ben.
Sammy aparece quase como o motor que leva Cassie e, surpreentemente Ben a agir, uma vez que se afeiçoou ao rapaz que foi parar ao campo militar e que lhe lembra a irmã morta e a promessa que não pôde cumprir. A mente de Cassie e de Ben têm essa similaridade - são movidas pelas promessas.
A escrita é arrebatadora, as metáforas fantásticas. A forma como Rick Yancey pensa, através de Cassie está no ponto. A minha parte favorita é: «É essa a falha no plano-mestre de Vosch: se não nos matarem a todos de uma só vez, não vão ser os fracos a sobrar no fim. Serão os fortes a sobreviver, os que vergaram mas não quebraram, tal como as barras de ferro que davam firmeza a todo este cimento. Cheias, incêndios, tremores de terra, doença, fome, traição, isolamento, assassínio. O que não nos mata torna-nos mais astutos. Endurece-nos, ensina-nos. Estás a transformar relhas em espadas Vosch. Estás a refazer-nos. Nós somos o barro e tu és o Miguel Ângelo. E nós vamos ser a tua obra-prima»
TÃO MAS TÃO BOM.
A forma como termina num círculo com a lembrança de Cassie da situação dos "bebés" com Ben e como essa acaba por ser a última parte do livro foi ... HUPHM. É um final amargo. Não é um final. Não gosto do final. Quero outro. O que aconteceu a Evan? Eu quero saber.
Para além da capa, belíssima, A 5 ª Vaga tem ação, voltas e mais reviravoltas, o leitor dá por si completamente paranoico. MESMO PARANOICO. A forma como os personagens foram criados está brilhante, o universo é fenomenal, a forma como os acontecimentos formam um círculo é muito, muito, muito bom.
Outros títulos da colecção: 
*A 5ª Vaga - adaptação cinematográfica aqui.
*O Mar Infinito 
*Last Star (24/05/2016)


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