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Sinopse: Eles chegaram à Terra há 12 mil anos. Vieram dos céus, envoltos num misto de fumo e fogo, e criaram a humanidade. Precisavam de ouro e construíram as primeiras civilizações humanas, doze linhagens distintas, para o extraírem das entranhas da Terra. Quando já tinham o que queriam, foram-se embora, mas deixaram um aviso: um dia iriam voltar... E quando voltassem, teria início o grande jogo, o Endgame. Ao longo de dez mil anos, as dozes linhagens originais existiram em segredo, mantendo sempre, cada um delas, um jogador preparado para entrar em acção a qualquer momento. Geração após geração foi-lhes ensinada a mestria das armas, das línguas, da estratégia, do disfarce, do assassínio. O Endgame era sempre uma possibilidade, mas agora que eles voltaram , tornou-se uma realidade e os doze jovens jogadores estão a postos para entrarem no grande jogo que decidirá o futuro do planeta e da humanidade. Só um pode vencer. Só a linhagem do vencedor será salva. Vence quem encontrar primeiro as três chaves escondidas algures na Terra. E é sobre a busca da primeira chave que se centra este livro. 

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Opinião: A premissa inicial é que a construção da civilização assenta sobre princípios diferentes daqueles que nos ensinaram. Não há Darwin. Não há evolução. Tudo foi-nos dado pelos Criadores. Criadores esses que, quando o momento chegasse iriam despoletar o Endgame. Um jogo baseado em enigmas onde cada jogador de cada uma das doze linhagens principais deve encontrar três chaves essenciais: a Chave da Terra, a Chave do Ar e a Chave do Sol. O vencedor irá, não só sobreviver ao Acontecimento, ou Apocalipse, por outras palavras, como irá também salvar toda a sua linhagem.
Portanto, Endgame é despoletado por um meteorito. O início é bem conseguido com Marcus e até com Chiyoko, mas com Sarah chega a ser caricato e na minha primeira leitura, na altura do lançamento do livro o ano passado, parei por aí. Não conseguir ler mais. O irmão a ser empalado, a melhor amiga a perder o braço, as pessoas a andarem por ali sem metade do corpo, quase como zombies. Numa onda de Hunger Games, só um pode vencer, a minha aposta foi imediatamente para Sarah. Por algum motivo, os que inicialmente se mostram em desvantagem, já que Sarah não era a jogadora, mas sim o seu irmão Tate, acabam por, de algum modo, dar a volta por cima e surpreender. Foi o que aconteceu. Sarah apanhou a Chave da Terra.
O encontro dos doze no Pagode não me encantou, ainda não estava conectada com o livro, era mais ler por ler, embora tivesse os meus preferidos que, no fundo, são os personagens que acabam por aparecer mais vezes: Sarah, Jago e Chiyoko. Até aí, um dos momentos que realmente me cativou a continuar foi o encontro de Sarah e Jago, mais uma vez, dá uma vibe de Peeta e Katniss, os amantes condenados, embora Sarah tenha um namorado que ame, Christopher que é o décimo terceiro ponto de vista, fora daqueles que são jogadores.
Aqui, em relação aos personagens Christopher é um dos menos favoritos, porque não passa de peso morto. Outros personagens não tiveram tanta relevância como Marcus, o falecido, Aisling que passou o tempo na montanha, Shari, Alice, Hilal. Maccabee, Baitsakhan, Chiyoko, An, Jago, Sarah e Kala, adquirem um maior destaque porque são aqueles que percorrem o mundo e, basicamente, perseguem-se uns aos outros.
Há realmente figuras interessantes, como Chiyoko, que não fala e respeita muito o silêncio e acaba por ter um efeito em An, um gago com tiques nervosos devido à tortura a que foi sujeito durante o treino para o Endgame. A relação deles é terna e rápida. Fiquei realmente triste por vê-los morrer. Hilal aparece quase como missionário. Sarah e Jago foram os meus preferidos, não só pelo pseudo-romance, mas também por serem, para mim, os personagens com maior conteúdo e desenvolvimento.
Há situações que foram desnecessárias e que acabam para servir apenas para despoletar uma relação, como a situação na casa de banho do avião à procura do transmissores. Ele conseguiriam ver-se a si próprios, não era necessário tamanha "erotização" da situação e no final de contas, acabaram por não perceber que o transmissor estava numa cicatriz que Jago tinha no pescoço que Sarah nem verificou. Do mesmo modo, a queda do avião. Fiquei sem perceber se foi despoletada pelo An. A forma como se salvaram, incluindo Christopher, pareceu-me fácil?
Christopher é irritante. Ele fica, teimoso, orgulhoso (?), mas há sempre uma parte dele que nos momentos cruciais pensa: «Devia ter dado ouvidos à Sarah. Eu não devia estar aqui». O final foi realmente chocante - embora a minha aposta tivesse certa. Não pensei que Sarah, a que mais tinha a perder, fosse capaz de assassinar o namorado. Mas todo o fim e o encontro com a Chave da Terra pareceu-me alienado (?). Não consegui entrar no mundo durante essas páginas. Ela voou? Não voou? As pedras andaram ali às voltas?
O enredo às vezes parece-me inconsistente. Muitas das vezes aqueles que têm hipótese de matar e têm esse desejo, não o fazem e aqui refiro-me a Maccabee ou Baitsakhan, em algumas situações. Há a ideia de que o Endgame pode ser evitado. Muitas das vezes perguntei-me: e se todos decidissem não jogar? Isso acaba por ser colocado em questão com Aisling ao gritar para não colocarem o disco em Stonehege, o que iria despoletar o Acontecimento. Não compreendo do mesmo modo como funciona as linhagens. O vencedor escolhe quem vive? Ou é relacionado com o sangue? Mas isso não faria com que, de alguma maneira, fossem todos relacionados uns com os outros ao fim de 12 mil anos?
Não se pode dizer que seja um livro fácil. Para mim o início foi de ajustamento aquela realidade. Há cerca de treze pontos de vista diferentes (12 jogadores e 1 não-jogador), e embora haja uma maior incidência em certos personagens, ao início é difícil a certa altura perceber quem é quem, mas passados algumas páginas, começamos rapidamente a apanhar os traços de cada um dos jogadores. Os nomes complicados não facilitam. Endgame corre o mundo, pelo que também temos essa vertente, acho que posso dizer, cultural. Cada personagem é realmente muito própria e nenhuma é igual, embora possamos dividir os jogadores em dois grupos, citando uma das personagens: aqueles que jogam pela morte e os que jogam pela vida.
Outros títulos da colecção: 
*Endgame - A Chamada
*Endgame - A Chave do Céu
*Endgame #3


Sinopse: Nesta narrativa assombrosa, uma nave extraterrestre fixa-se na órbita da terra, à vista de todos mas sem estabelecer qualquer interação. Até que subitamente, uma gigantesca onda electromagnética desactiva todos os sistemas da Terra, e todas as luzes, comunicações e máquinas deixam de funcionar. A esta primeira vaga seguem-se outras, num crescendo de violência que devasta grande parte da humanidade. Cassie, uma menina de dezasseis anos, é uma das sobreviventes, a quem só resta o irmão mais novo, Sammy, que foi levado para longe dela. Sozinha e desesperada, Cassie tenta a todo o custo encontrar o irmão, mas em quem poderá confiar? Como distinguir entre os seres humanos verdadeiros e aqueles que só o são na aparência? E quem será realmente Evan Walker, o rapaz misterioso por quem começa a ter um sentimento cada vez mais forte? 

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OpiniãoPenso que só em 2015 já li mais livros sobre extraterrestres do que em toda a minha existência. MAS, A 5 ª Vaga é, sem sombra para qualquer tipo de dúvidas, um dos melhores.
A 5 ª Vaga é, na sua essência o quinto momento de um plano extraterrestre para "limpar" a humanidade para poderem, por sua vez, tornar a Terra no seu lar. A 1 ª Vaga deu-se 10 dias depois do aparecimento da nave-mãe, após mensagens falhadas, uma vez que eles se mantinham silenciosos. Uma onda electromagnética desativou todos os aparelhos eléctricos. A 2 ª Vaga foram Tsunamis. A 3 ª Vaga uma doença semelhante ao ébola transmitida através dos pássaros. E, por fim, a 4 ª Vaga são os Silenciadores que vieram para destruir o que restava da humanidade. As quatro vagas mataram cerca de 97% da população.
Cassie, de dezasseis anos, diminutivo de Cassiopeia, sobreviveu às quatro vagas, mas os seus pais não e, pelo caminho, ela perdeu o seu irmão mais novo, Sammy. Não há um, não há dois, não há três, mas sim quatro pontos de vista. É uma leitura super consciente. Entramos completamente no mundo de Rick Yancey que fez um belíssimo trabalho. O leitor vive os momentos com a protagonista (a minha favorita de entre os três pontos de vista). Uma adolescente sarcástica, kickass que é obrigada a safar-se completamente sozinha com a memória de uma promessa. É uma leitura realista, e é fácil - tão fácil - sentir, de algum modo, que somos a Cassie.
De algum modo, Rick Yancey fez-me acreditar que conhecia não só a Cassie, como o seu pai e o Sammy. As reminiscências ao passado e a Ben Parish e a Lizbeth, à forma como a invasão começou, as cenas no ginásio depois da 1 ª Vaga foram de cortar a respiração, porque ela sabia que era, provavelmente a última vez que veria aquelas pessoas, a progressão da doença da mãe que culminou na sua morte, a ida para o campo das cinzas, a chegada do Vosch, a morte do pai, a sua quase-morte. Foi todo um conjunto arrebatador de acontecimentos narrados na perfeição. A minha "voz" favorita era a da Cassie. A sua forma de pensar sarcástica, arrogante, inicialmente quase não-humana, apenas instinto de sobrevivência, quase animal.
Na sua experiência de quase-morte, quando Cassie leva um tiro na perna passamos imediatamente para outro ponto de vista: o de um rapaz com o vírus. Ao início é confuso porque (sinceramente) pensei que ainda estava na "voz" de Cassie, mas rapidamente percebi que não e comecei a questionar-me: seria Evan? "o rapaz misterioso" da sinopse? Mas depois rapidamente percebemos que é Ben Parish, a paixão de Cassie do que ela chama "uma vida anterior".
E começam as voltas e reviravoltas. No campo das cinzas vemos Vosch a assassinar a sangue-frio não só o pai de Cassie como outros refugiados levando as crianças com ele, e imediatamente pensei "EXTRATERRESTRES". No ponto de vista de Ben acontece o mesmo: a base militar tem eletricidade que supostamente teria sido "destruída" na 1 ª Vaga e eles conseguem curar Ben - um vírus criado por extraterrestres. MAS, depois vem o discurso de Vosch sobre lutar com os extraterrestres, blá, blá, e o treino e tudo o que advém, incluindo o ponto de vista de Sammy e a simpatia com que é tratado até aí e que começamos a duvidar das nossas próprias conclusões. Até ao momento em que Ben e uma outra rapariga soldado que dá pelo nome de Ringer (não é o seu nome verdadeiro) conseguem dar a volta à situação e perceber que a 5 ª Vaga são eles, humanos a matar humanos. Deus, como fiquei paranóica.
Mas é-nos dadas pistas, nomeadamente através de um quarto ponto de vista - o de Evan. Evan que foi a mão no gatilho que quase provocou a morte de Cassie. Evan que é doce e querido. Evan que é um não-humano mas humano ao mesmo tempo. Evan que está incrivelmente bem construído, quase, quase ao mesmo nível que Cassie ou Ben.
Sammy aparece quase como o motor que leva Cassie e, surpreentemente Ben a agir, uma vez que se afeiçoou ao rapaz que foi parar ao campo militar e que lhe lembra a irmã morta e a promessa que não pôde cumprir. A mente de Cassie e de Ben têm essa similaridade - são movidas pelas promessas.
A escrita é arrebatadora, as metáforas fantásticas. A forma como Rick Yancey pensa, através de Cassie está no ponto. A minha parte favorita é: «É essa a falha no plano-mestre de Vosch: se não nos matarem a todos de uma só vez, não vão ser os fracos a sobrar no fim. Serão os fortes a sobreviver, os que vergaram mas não quebraram, tal como as barras de ferro que davam firmeza a todo este cimento. Cheias, incêndios, tremores de terra, doença, fome, traição, isolamento, assassínio. O que não nos mata torna-nos mais astutos. Endurece-nos, ensina-nos. Estás a transformar relhas em espadas Vosch. Estás a refazer-nos. Nós somos o barro e tu és o Miguel Ângelo. E nós vamos ser a tua obra-prima»
TÃO MAS TÃO BOM.
A forma como termina num círculo com a lembrança de Cassie da situação dos "bebés" com Ben e como essa acaba por ser a última parte do livro foi ... HUPHM. É um final amargo. Não é um final. Não gosto do final. Quero outro. O que aconteceu a Evan? Eu quero saber.
Para além da capa, belíssima, A 5 ª Vaga tem ação, voltas e mais reviravoltas, o leitor dá por si completamente paranoico. MESMO PARANOICO. A forma como os personagens foram criados está brilhante, o universo é fenomenal, a forma como os acontecimentos formam um círculo é muito, muito, muito bom.
Outros títulos da colecção: 
*A 5ª Vaga - adaptação cinematográfica aqui.
*O Mar Infinito 
*Last Star (24/05/2016)


Sinopse: Zoey Redbird tem 16 anos e vivo num mundo igual ao nosso, com uma única diferença: os vampyros não só existem como são tolerados. Os humanos que os vampyros "marcam" como especiais entram na Casa da Noite, uma escola onde se vão transformar em vampyros ou, se o corpo rejeitar, morrer. 
Para Zoey, apesar do medo inicial, ser marcada é uma verdadeira bênção. Ela nunca se encaixou no mundo normal e sempre sentiu que estava destinada a algo mais. Mas mesmo na nova escola a jovem sente-se diferente dos outros, pois a marca que a Deusa Nyx lhe fez é especial, mostrando que os seus poderes são muito fortes para alguém tão jovem. 
Na Casa da Noite, Zoey acaba por encontrar amizade e amor, mas também mentira e inveja. Afinal, nem tudo está bem no mundo dos vampyros e os problemas que pensava ter deixado para trás não se comparam aos desafios que tem pela frente. 

Opinião: Marcada é um dos muitos livros de vampiros que viram a sua publicação depois do sucesso literário de Crepúsculo de Stephanie Meyer. Uma época em que os vampiros eram a nova moda. Mas Marcada, merece o seu lugar pela originalidade. P.C.Cast e Kristin Cast criaram um mundo onde os vampyros são tolerados pelos humanos e onde os adolescentes que são marcados com uma meia-lua na testa pelos Caças, são enviados para a Casa da Noite de forma a concluírem a sua mudança de iniciados para vampyros a full-time. A Casa da Noite é uma escola de vampyros, onde se aprende os costumes, história, blá, blá. (um pouco como Vampire Academy de Richelle Mead mas sem a diversidade de espécies)
Marcada é um livro dúbio. Fiquei encantada com o universo criado, no entanto, a linguagem ou a tradução (?) não transparece o que é ser adolescente, ou a forma como os adolescentes comunicam entre si, para além de que há esteriótipos a M-A-I-S. Não consegui sentir empatia por nenhum dos personagens secundários e, embora nitidamente a antagonista, Afrodite é a que tem, na minha opinião, uma maior profundidade, uma melhor caracterização, basicamente, com maior conteúdo, para além da protagonista. Stevie Rae, Damien, Erin e Shaunee, os melhores amigos de Zoey, nada acrescentam e aqui realço as duas últimas ou as Gémeas. A sua existência parece não ter propósito a não ser claro, para os rituais. Heath é nada. Zero de conteúdo. O mesmo para Kayla.
Zoey, a protagonista, merece destaque. O início é marcado imediatamente por uma empatia. Fui capaz de "entrar-lhe na cabeça", levar-me pelos seus pensamentos e emoções, até um momento Ao momento em que Zoey, depois de trocar UM olhar com Eric (o rapaz mais giro da escola "clichê") pensa: «O sorriso manhoso e mauzinho dela indicava não haver dúvida absolutamente nenhuma de que percebera o meu interesse em Erik (e o interesse dele em mim)». Portanto, numa série com mais de 6 volumes, o romance com Erik foi, por palavras simples, imposto por pensamentos deste género. Mas não é só.
Regra geral, os melhores heróis são aqueles que lideram mas que nunca quiseram o poder. Em Marcada estamos a falar de uma rapariga adolescente que evoca constantemente que nunca quis ser líder de nada. MAS: «As coisas poderiam ser diferentes se uma iniciada mais poderosa assumisse o lugar de Afrodite enquanto líder das Filhas das Trevas» OU «Sei, que não tenho alternativa agora. Tenho mesmo de a derrubar». Isto para não falar do facto de que cada uma das ações ou decisões mais importantes de Zoey baseiam-se num instinto que se traduz na Deusa Nyx. Zoey é a marioneta da Deusa. Ponto.
Fico frustrada (MUITO) quando vejo um livro com imenso potencial, mas com um núcleo de personagens fraco. A Casa da Noite é interessante, os professores/aulas são interessantes, o ambiente escolar, com a possibilidade da morte em cada esquina (ao rejeitar a mudança) é interessante, os gatos ou a relação dos iniciados /vampyros com os felínos é interessante a não romantização do sexo é interessante, há uma panóplia de interessantes ao longo das 302 páginas. Mas há, do mesmo modo, uma continuidade enorme de sem-sentido.
Outros livros da colecção Casa da Noite: 
*Marcada
*Traída
*Escolhida
*Indomável
*Perseguida
*Seduzida
*Queimada
*Despertada
*Destinada
*Escondida
*Revelada
*Redimida

*O Manual do Iniciado
*Juramento de Dragão
*Lenobia's Vow
*Neferet's Curse
*Kalona's Fall




Sinopse: Cassel Sharpe é um jovem de dezassete anos que deseja ter uma vida normal. Mas quando se nasce numa família com uma forte tradição em manipulação de maldições que agem negativamente sobre o destino, o corpo e a memória, como é o seu caso, a normalidade não é algo fácil de alcançar. Cassel vive ensombrado pela ameaça aterradora de, a qualquer momentos, os poderes maléficos que correm na sua família se manifestarem também em si. Por diversas vezes, a sua vida é posta em risco quando, em sucessivos episódios de sonambulismo, passeia pelos telhados do colégio interno que frequenta. De volta a casa, os seus receios aumentam com o reavivar de memórias passadas e torna-se cada vez mais claro para Cassel que um tenebroso segredo familiar ameaça destruí-lo. Desejoso de perceber quem realmente é, o jovem inicia uma autêntica cruzada de autodescoberta, confrontando-se com traumas dolorosos à medida que estranha e enigmáticas personagens atravessam o seu caminho, levando-o a enfrentar perigo cada vez maiores. 

OpiniãoHolly Black possui vários livros conhecidos, entre os quais As Crónicas de Spiderwick, no entanto, para além da A Prova do Ferro em co-autoria com Cassandra Clare, foi a primeira vez que li um livro seu. É, sem dúvida um livro original na construção do seu universo, com personagens muito bem desenvolvidas, com dilemas reais e com algumas questões, diria eu, morais, pelo meio, uma vez que se trata sobretudo, de uma história sobre vigarices, mas não só. A base da história é construída à base de um mistério, relacionado com o personagem principal, Cassel Sharpe, de dezassete anos de idade, o mais novo de três irmãos e membro de uma família onde todos são manipuladores, excepto ele.
Manipulares. A história ronda um universo alternativo onde há "especialistas" ou "manipuladores", por outras palavras magia. Holly Black desenvolveu uma série de diferentes tipos de manipuladores sendo o seu talento o que dita o poder ou a importância que cada um tem na hierarquia estabelecida.
As maldições podem ser realizadas para o bem ou para o mal com um simples toque de mão, - pelo que a sociedade de manipuladores e não-manipuladores é vista constantemente com luvas - mas cada manipulação encerra uma consequência em si, seja a nível do corpo (alterações temporárias) e ao nível da mente (perdas de memória). Temos os manipuladores da sorte, mais comuns, os manipuladores das emoções, da memória, do sonho, da morte e, os mais raros de todos e por isso mais valiosos, os manipuladores da transformação que, com apenas um toque, podem transformar um humano, numa jarra de vidro, num animal - basicamente em qualquer coisa.
Cassel Sharpe e a sua família possuem não só laços fortes entre si com um sentindo de família inabalável, mas igualmente laços muito fortes com a máfia - a família Zacharov. Cassel é o mais novo de três irmãos e, ao contrário do resto da sua família não é um manipulador.
A Gata Branca começa com a quase morte de Cassel Sharpe depois de uma crise de sonambulismo que quase o levou a saltar do telhado do colégio interno que frequenta. Sendo suspenso é obrigado a passar mais tempo com a sua excêntrica família, nomeadamente os irmãos e o avô. No entanto, os sonhos com uma gata branca começam e tudo parece descambar.
Aqui os irmãos e o avô têm uma importância fundamental para o desenvolver da história e, o background e a forma como é desenvolvido é brilhante. Nas suas remanescências ao passado ficamos a conhecer Lila, a herdeira do Zacharov, melhor amiga de Cassel, assassinada por Cassel. Mas ele não se lembra. As dúvidas estão na mesa e é quando a verdadeira emoção começa.
Apesar da história nos levar a acreditar numa coisa, são nos dadas pistas do óbvio. Cassel é um manipulador da transformação cujas memórias têm vindo a ser alteradas pelo seu irmão Barron, manipulador da memória. Cassel, transformou Lila, cujo primo Anton queria assassinada, numa gata branca, mas quando Barron lhe removeu as memórias, colocou-lhe outras - a do assassinato.
Cassel é uma personagem muito bem retratada: um jovem de dezassete anos, imprevisível, mentiroso e vigarista. Lila é uma das personagens mais fortes, sem contar com o protagonista. É uma rapariga decidida, corajosa, arrogante e, como Cassel, imprevisível. O final é de partir o coração, mas espera-se mais, uma vez que é o primeiro volume do que será uma trilogia. Para os próximos capítulos espero uma história baseada mais ao nível político, uma vez que em A Gata Branca são nos dadas pequenas ideias de uma proposta que visa o registo (?) de todos os manipuladores de forma a que possam ser controlados e, pela mãe de Cassel - uma manipuladora de emoções - bem vemos que precisam.
A narrativa é extremamente lenta ao início e, por algumas vezes, vi-me forçada a continuar quase sem gosto. Mas é o ritmo lento que permite uma total e completa compreensão do mundo dos manipuladores e da relação entre a família Sharpe e a máfia. É um livro repleto de dúvidas e perguntas, quase uma jornada pela verdade, com uma conclusão mais do que brilhante. É uma história rica em detalhes, com novidades em cada página.
Outros títulos da autora: 
*A Gata Branca
*Red Glove
*Black Heart

Outros livros da autora
*A Manopla de Cobre
*Magisterium #3
*Magisterium #4
*Magisterium #5


Sinopse: A maior parte dos miúdos faria qualquer coisa para passar na Prova do Ferro. Mas não Callum Hunt. Callum quer falhar. O pai ensinou-o a desconfiar da magia e explicou-lhe que o Magisterium, a escola onde os aprendizes de Magos são treinados, é uma armadilha fatal. Callum tenta fazer o seu melhor para ser o pior de todos os candidatos - mas não consegue falhar.
Superada a Prova de Ferro, não lhe resta outra opção, senão entrar para o primeiro de cinco anos de aprendizagem no Magisterium - um lugar povoado de memórias e de abismos, onde a herança negra do passado nunca está longe e o futuro é um caminho sinuoso na direção da verdade. A Prova do Ferro foi apenas o início porque o verdadeiro teste está ainda para vir...

Book Trailer: 

OpiniãoAinda antes de A Prova de Ferro ser traduzida para português havia muito burburinho à volta do livro pelas semelhanças com Harry Potter e, embora seja uma fã inegável do último e de ter conseguido ver as parecenças entre os dois - um dos magos que planeia conquistar a própria morte, o exército de reféns do caos, o massacre que adveio, a única criança que sobreviveu, a própria escola, - A Prova de Ferro tem mérito próprio pela sua originalidade. Confesso que, embora tenha um início suave, pelo meio é fácil perdermos-nos nas palavras. Tem o seu próprio ritmo, por vezes lento - ou muito lento. E a frustração - oh a frustração...
O Prólogo é tudo o que se pode esperar. Deixa-nos a desejar por mais. As palavras na parede deixaram-me boquiaberta porque, confesso, comecei um pouco a imaginar Alastair como James Potter e Sarah como Lily Potter mas acreditem, as palavras na parede diluíram essa imagem. Primeiro instalou-se a confusão e depois a revolta e por fim o porquê? Sarah não foi capaz, portanto deixou a tarefa para os outros Magos ou para Alastair?
Durante a jornada de Callum é-nos dada a conhecer a história dos Magos e da sua guerra com aquele que se intitula como o Inimigo da Morte ou, o seu nome humano (?) Constantine. E durante o mesmo percurso aprendemos as regras da magia até mais não: O Fogo quer arder. A água quer fluir. O Ar quer ascender. A Terra quer unir. O Caos quer devorar. Constantine era um Makar, ou seja, alguém que é capaz de controlar o Caos (?). E durante toda a leitura, repito, TODA A LEITURA, somos levados a pensar que Callum é o Makar que tanto esperavam, pois apenas um Makar pode lutar contra outro Makar e ser bem-sucedido. Callum é dado para o Caos, isso é óbvio, mas quando Aaron, o melhor amigo que Callum encontrou no Magisterium é dado como o Makar, o meu queixo caiu. Era uma reviravolta pela qual não esperava - de todo. Mas, não fica por aqui.
Para cada Makar é preciso um contrapeso. Ou seja o contrapeso do Fogo é a Água, pelo que o contrapeso do Caos será a vida. Callum oferece-se para ser o contrapeso de Aaron numa amizade que cresceu ao longo das páginas de forma bastante natural. O que eu não esperava era a revelação no final.
Callum não é um aprendiz qualquer. Aqui, as minhas esperanças de ver um protagonista amigo do herói, uma espécie de Harry Potter narrado por Ron Weasley, dissiparam-se como uma nuvem. Callum é o Inimigo da Morte. Constantine transferiu a sua alma para o corpo da criança moribunda. Durante as 319 páginas as previsões para o futuro de Callum foram diversas: Makar, contrapeso de Aaron, Refém do Caos, Inimigo da Morte. E não quero acreditar, apesar de ser óbvio pelas palavras escritas por Sarah ou a atitude de Alastair face a Callum e pergunto-me se o facto de não ter curado, numa fase posterior, a perna de Callum, fosse para dar uma vantagem aos Magos, caso Callum se revelasse o verdadeiro Inimigo da Morte.
Aqui, a frustração explodiu. Eu queria ver,ainda neste volume, a confrontação com Alastair e até com Rufus com a verdadeira (?) natureza de Callum, queria saber o papel do Mestre Rufus na morte de Sarah, queria, essencialmente, mais pormenores.
Relativamente aos personagens secundários, nomeadamente os outros alunos e até Magos, não passam de nomes e por vezes tinha dificuldades em associar quem-era-quem e quem-estava-atribuído-a-quem. Houve, igualmente, dificuldade em entrar no universo do Magisterium, e gostava de ter visto mais das provas, dos elementais alados, o que aconteceu a Warren? Não sei porquê afeiçoei-me à criatura. A amizade entre Callum, Tamara e Aaron, desenvolveu-se de forma natural com precalços pelo caminho. Para os próximos volumes provavelmente irá haver a morte do Mestre Rufus ou de Alastair, típica nestes género de livros, haverá o desenvolvimento de uma relação amorosa entre os protagonistas e uma guerra, resta saber entre quem.
Outros livros da colecção Magisterium:
*A Manopla de Cobre
*Magisterium #3
*Magisterium #4
*Magisterium #5


OpiniãoPertenço a uma espécie rara de humanos. Pertenço ao pequeno grupo de pessoas que não leram o livro de E.L.James. A maior parte das pessoas dirá que é devido à história subjacente aos protagonistas, ao que eu digo que não. O que não me cativou de todo foi a escrita da autora - ou a tradução (?) - pelo que parei ao fim de algumas páginas. Não posso dizer que o filme é melhor que o livro embora a minha resposta penda para o sim.
Primeira coisa que me surpreendeu: dá para rir - não apenas esboçar um sorriso, mas rir a bom rir, o que é um ponto positivo porque de algum modo alivia uma pouco da tensão que paira no ar. E. L. James criou as Cinquenta Sombras de Grey como uma Fan Fiction para Crepúsculo de Stephanie Meyer e aqueles que o leram VÊEM exatamente onde é que estão as semelhanças, não só no ambiente, mas nos personagens e nas famílias - e até inclusive nalgumas cenas (na floresta, por exemplo). Mas são duas histórias completamente distintas.
Relativamente aos protagonista, Christian é interessante, atraente, arrogante e manipulador - ninguém me tira da cabeça que aquele homem é manipulador. Ao passo que Anastasia é o oposto, doce, inocente, uma flor. Tirando algumas cenas mais "assanhadas", não gostei da sua natureza.
As cenas de sexo não são romantizadas de maneira nenhuma. Não há panos pela frente ou um jarro de flores para tapar os olhos mais sensíveis. É sexo. Algumas cenas, obviamente "violentas" sob o tema do "dominador" e da "submissa" que é a sustentação da história. Apreciei o facto de que Christian fora submisso por uma mulher, o que tira a ideia de que apenas os homens podem ser os dominadores, deitando por terra uma ideia sexista/machista. Mas não deixa de ser doloroso (?) de ver. Uma cena, em particular, não me chocou, mas andou lá perto. Não pela ação em si, mas pela reação da protagonista uma vez que foi ela que se colocou propositadamente naquela situação.
Há a ideia de que pudemos mudar o homem que amamos. Há a ideia de posse. Há a ideia de submissão. Há a ideia de que as mulheres (?) podem ser persuadidas com presentes caros.
Dakota Johnson e Jamie Dornan têm uma performance credível, com muita química. Houve espaço para o desenvolvimento emocional dos protagonistas. Esse desenvolvimento acabou por culminar num final, que não é final. Não sei se acaba da mesma maneira no livro, mas se sim, é bastante inteligente. Há espaço para os volumes seguintes. E deixa a curiosidade sobre Christian, sem dúvida.
Outros títulos da colecção
*As Cinquenta Sombras de Grey - adaptação cinematográfica aqui.
*As Cinquenta Sombras Mais Negras
*As Cinquenta Sombras Livre



OpiniãoNão se pode dizer que a vida de Chris Kyle tenha sido de algum modo inspiradora, pelo contrário, mas não podemos negar o papel fundamental que ele acaba por ter na 2ª Guerra do Golfo, na proteção dos seus colegas em missões de assalto, reconhecimento ou de procura. Contudo, durante o filme, somos igualmente levados para o outro lado de Kyle desde, literalmente, o primeiro minuto de filme - o gosto pelo gatilho, a ideia de que tem de ser o protetor dos fracos e oprimidos, que tem de ser o cão-pastor.
Não acho que Sniper Americano glorifique a guerra, acho que, de certo modo, acaba sim, por glorificar os americanos e o que significa ser americano e patriota, embora, nalguns sentidos, com valores morais completamente trocados, com ideias de ódio que acabam por ser justificadas com o atentado do 11 de Setembro.
O filme peca, por outro lado, ao não mostrar ou a relativizar a situação da população iraquiana porque, mesmo nos momentos em que há mostras de simpatia por parte da população, esses sentimentos são rapidamente esquecidos, havendo no ar a suspeita constante de segundas intenções. E, mesmo nos momentos em que a empatia pelo povo iraquiano aparece na forma de crianças, este é rapidamente esquecido quando as vemos a lançar granadas ou a pegar em armas.
Sniper Americano vende-nos a vida de Kyle como uma vida inspiradora e comovente, e do mesmo modo o espírito patriótico americano e de uma situação preto-no-branco, da ideia de quem são os bons e os maus da fita. Não há uma área cinzenta.
Não considero uma biografia, uma vez que retrata somente a área militar da vida de Chris Kyle, onde a vinda para casa resulta de uma epifania no momento em que viu os olhos da morte e não de um momento de reflexão ou de sacrifício pela família e onde o trauma é rapidamente ultrapassável. Considero que é mais uma propaganda do que um retrato de vida.


Sinopse
- Deixem passar a condenada à morte - dizem os rapazes. 
- Conta-nos o teu segredo - sussurram as raparigas.
Eu sou aquela rapariga. 
Eu sou o espaço entre as minhas coxas, a luz do sol a derramar-se entre elas. 
Eu sou a auxiliar de biblioteca que se esconde na "Fantasia". 
Eu sou a aberração de circo enclausurada em cera. 
Eu sou os ossos que eles querem, ligados num molde de porcelana.   

OpiniãoDemorei pouco mais de um dia a terminar a leitura. Não é uma leitura de todo fácil, especialmente porque é (pelo menos para mim) difícil de sentir algum tipo de empatia para com a protagonista. Não simpatizei minimamente com o tipo de escrita da autora. É uma experiência sensitiva, sem dúvida. Tudo possui um cheiro, uma cor, alguma coisa relacionada. Mas é uma narrativa repetitiva, própria da doença, aceito, mas é uma narrativa pobre, não há outra palavra para descrever. Percebo que haja a necessidade de dar um determinado "conceito" ao livro pela temática que aborda: anoréxia e bulimia, mas não há qualquer tipo de desenvolvimento, não há uma história em si, pelo menos no contexto da palavra.
Aqui, as personagens secundárias não evoluem. E mesmo as que existem são tristes na sua existência, até Emma, a "irmã emprestada", uma criança. Para além disso, há o sentimento de revolta não só para com a protagonista, mas pela família em si, pelo quase "fechar os olhos" ou "ignorância" e questiono-me de quantas raparigas como Lia há por aí com famílias que não vêem, só olham.
Do mesmo modo, há situações irreais, não percebo a existência de Elijah. Não percebo a mentalidade por detrás das passagens dos "fóruns". Percebo que isso deve-se ao facto de eu não sofrer desta doença mas, parece-me doentio. É um retrato doentio de uma realidade doentia. E isso é de louvar. Não houve um romanticismo pela parte da autora. Isto é a realidade.
Mas não sou capaz de dizer que gostei da narrativa, porque não gostei. Não há um crescimento. Há um decorrer de acontecimentos que culminam no que todos prevíamos e que em parte levou-me a ler o livro tão depressa. Queria ver a família a reagir. Queria vê-la perceber a doença. Queria que o livro terminasse.
Outros títulos da autora: 
*Speak
*Fever 1793
*The Impossible Knife of Memory
*Twisted
*Catalyist
*Prom


Sinopse: Percy Jackson está prestes a ser expulso do colégio interno...novamente. E esse é o menor dos seus problemas. Ultimamente, criaturas fantásticas e os deuses do Olimpo parecem estar a sair das páginas do seu livro de mitologia para entrarem na sua vida. E o pior de tudo é que ele parece ter enfurecido alguns deles. O raio-mestre de Zeus foi roubado e Percy é o principal suspeito. 
Agora, Percy e os seus amigos têm apenas dez dias para encontrar e devolver o símbolo do poder de Zeus e restabelecer a paz no Olimpo. Para o conseguir terá de fazer bem mais do que descobrir o ladrão: terá de enfrentar o pai que o abandonou, resolver o enigma do Oráculo e desvendar uma traição mais ameaçadora e poderosa do que os próprios deuses. 

OpiniãoPeguei, finalmente, em Percy Jackson. Nunca o tinha lido, embora tivesse visto o filme e não tivesse ficado minimamente impressionada, mas como os pormenores e as ideias já não estavam frescas, acabei por ganhar coragem e procurar não julgar o livro pelo seu filme e, como estava enganada! Percy Jackson é uma história de heróis. Não de heróis enquanto protagonistas principais de um livro, mas heróis gregos, filhos de humanos e deuses do Olimpo - chamados de Mestiços. Um deles é Percy Jackson um rapaz de 12 anos, problemático.
É difícil, muito difícil, não comparar Percy Jackson a Harry Potter. Penso que, com o avançar dos volumes, as semelhanças vão-se dissipando, no entanto, para o "estabelecer" de uma história, os pormenores iniciais, temos de admitir: as parecenças são mais do que muitas. Desde o trio inicial, Gabe, o seu padrasto muito desagradável, a aparência de Percy, o medo de aranhas de Annabeth, a Colónia dos Mestiços, entre outros. PORÉM, Percy Jackson acaba por se destacar com as suas diferenças que, são muitas.
Percy Jackson é uma criança com dislexia e défice de atenção (adorei este facto), característico dos Mestiços e, embora problemático, acabamos por nos afeiçoar a ele com facilidade. Ao conhecermos a família de Percy, em especial a mãe, há um sentimento de ternura, embora com os acontecimentos futuros seja difícil não perceber que falta uma profundidade emocional, nomeadamente quando o rapaz pensava que a mãe podia estar morta ou até desaparecida. Faltava ali qualquer coisa - emoção.
Grover, um sátiro, incumbido de proteger os semideuses até eles alcançarem a Colónia dos Mestiços, parece-me um tanto ou quanto mau. Este mau é no sentido de ser o pior guardião de sempre. Não só pelo que aconteceu a Tália, a filha de Zeus transformada num pinheiro (?), mas pelo facto de Percy se desenrascar sozinho e, mesmo a forma como Grover interfere como salvador do dia, é quase forçada, embora tenha de reconhecer que a sua voz enquanto personagem é doce e comovente, especialmente pelo amor à natureza e animais e até a Pã.
Por outro lado, Annabeth surge como uma perfeita rapariga de 12 anos que, sendo filha de Atena, é inteligente, mas não ao ponto de sermos constantemente surpreendidos com os seus pensamentos ou lógica, pelo contrário. As suas ações são quase sempre seguidas de perto pelas ideias de Percy. A única diferença é que ela tem mais anos como Mestiça na Colónia do que Percy. A relação entre os dois e o próprio passado de Atena e de Poseídon, evidência a possível relação que pode vir a estabelecer entre os dois, embora, neste momento, enquanto crianças de 12 anos de idade, há somente uma amizade e uma embirrância especial entre os dois.
Relativamente à história em si, por vezes, achei-a forçada, constantemente apressada, embora as descrições fossem boas e houvesse uma quantidade massiva de informação a dar, algumas situações não pareceram ponderadas, entre elas, o aparecimento de Ares como motoqueiro, o favor na Aqualândia, e a entrega da mala, aquela que continha o raio-mestre de Zeus, porque ele precisava de ter o raio antes de entrar no Mundo dos Mortos para que Hades acreditasse que ele o tinha roubado. E depois, há o Oráculo e a sua profecia e o facto de Percy, tendo apenas três amigos, Annabeth, Grover e Luke, não se ter apercebido de que talvez o último, não fosse de confiança. Pistas foram dadas durante toda a narrativa, pelo que não foi surpreendente (por exemplo os sapatos que tentaram arrastar Grover para o Tártaro, mas ninguém pensou que a pessoa que podia ter dado os sapatos estava por detrás daquilo, isso não). MAS, há que dar crédito às coisas boas: ao acampamento e à forma das casas que representam cada um dos deuses, à mitologia em si, muito bem explorada, em especial ao Mundos dos Mortos de Hades, e à forma como foi construído, ao background dos personagens principais, incluindo o Quíron e o Senhor D.
E depois há as perguntas que ficaram por fazer. O túmulo no museu grego para o qual Quíron olhou com pena ou ternura como se tivesse assistido ao funeral dela. Podia ser Tália? A ascensão de Cronos até que ponto iria beneficiar Luke? Poseídon amava Sally? Ama Percy?
Percy Jackson e os Ladrões do Olimpo é um bom começo, sem dúvida, Percy é um personagem com uma voz pessoal forte, engraçado, sem dúvida e não nos podemos esquecer que se trata, de momento, de um protagonista com 12 anos de idade, pelo que a profundeza emocional não está, ainda , no ponto certo. A mitologia foi um dos pontos altos, sem dúvida, e a forma como está retratada roça o credível, embora com pequenas falhas, na minha opinião, é uma série a seguir, pelo que irei comprar os segundos, terceiros (e por aí) volumes porque quero, com certeza, saber qual é o percurso de Percy, Annabeth, Grover e Luke.
Outros títulos da colecção Percy Jackson
*Percy Jackson e o Ladrão do Olimpo 
*Percy Jackson e o Mar de Monstros
*Percy Jackson e a Maldição do Titã
*Percy Jackson e a Batalha do Labirinto
*Percy Jacson e o Último Olimpiano

Outros títulos da colecção Heróis do Olimpo:
*O Herói Perdido
*O Filho de Neptuno
*A Marca de Atena
*A Casa de Hades
*O Sangue do Olimpo

 Outros títulos da colecção Magnus Chase
*Magnus Chase and the Gods of Asgard: The Sword of Summer