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Sinopse: Para trinta e cinco raparigas, A Seleção é a oportunidade de uma vida. É a possibilidade de escaparem de um destino que lhes está traçado desde o nascimento, de se perderem num mundo de vestidos cintilantes e joias de valor inestimável e de viverem num palácio e competirem pelo coração do belo Príncipe Maxon. 
No entanto, para America Singer, ser selecionada é um pesadelo. Terá de viver as costas ao seu amor secreto por Aspen, que pertence a uma casta abaixo da sua, deixar a sua família para entrar numa competição feroz por uma coroa que não deseja, e viver num palácio constantemente ameaçado pelos ataques violentos dos rebeldes. Mas é então que America conhece o Príncipe Maxon. Pouco a pouco, começa a questionar todos os planos que definiu para si mesma e percebe que a vida que sempre sonhou pode não ter comparação com o futuro que nunca imaginou. 

Book Trailer: 

Opinião35 Candidatas, apenas uma Coroa. É esta a premissa por detrás do livro. Uma premissa que facilmente percebemos, não só pela sua simplicidade mas também por ser algo inerente na nossa sociedade. Isto porque um conjunto de mulheres a competir pelo coração de um homem, num programa televisivo não é nada de escandaloso ou de novo, temos o exemplo do The Bachelor. A diferença aqui é que a vencedora, ao invés de se tornar apenas esposa de alguém, torna-se rainha de Íllea. Neste livro, os Estados Unidos da América como os conhecemos, não existe. No passado, foi conquistado pela China tornando-se no Estado Americano da China. Houve uma troca de "garlhadetes" entre a China e a Rússia porque a última queria apoderar-se do que outrora fora os USA e, aproveitando esse tempo, um homem chamado George Íllea conseguiu libertar o país e, como não havia o desejo de retomar o antigo nome por representar tempos negros, surgiu Íllea.
Uma das falhas que me surgiu mas que não chega a ser relevante, é o facto de não termos informações exactas sobre a forma como um homem foi capaz de se opor a dois países poderosos como a China e a Rússia. Um facto que pode ser propositado, uma vez que há a menção à ausência de conhecimento por parte da população.
Outro facto interessante é que Íllea é dividida em castas de 1 a 8, cada uma com as suas próprias características, condições e formas de vida, um pouco como Os Jogos da Fome, onde cada distrito tinha a sua função. Aqui a casta mais baixa é a 8, para os mendigos e semelhantes e, a medida que se aproxima da casta 1 que representa a família real e líderes religiosos, as castas tornam-se mais poderosas. A protagonista, América Singer e pertence à casta 5, a dos artistas.
O Príncipe Maxon, não tem muitas oportunidades para sair do castelo devido à sua condição de reinante ou pelos ataques rebeldes e, consequentemente, a sua experiência ou contacto com mulheres é bastante limitado. A Seleção surgiu por isso, como uma oportunidade para as candidatas subirem de casta e para melhorarem as condições de vida da sua própria família. América surge como uma candidata forçada, não só pela sua família, mas também pelo namorado de 2 anos, Aspen.
A forma como começa é bastante refrescante, uma vez que há muito que não lia um livro em que a personagem principal já tivesse um interesse amoroso concreto. É através da relação entre os dois que nos é dada a discrepância ou as diferenças entre as castas, uma vez que Aspen pertence à casta 6, a dos trabalhadores, empregados domésticos (...) e, apesar de não ser impossível, é raro o casamento ou união entre uma mulher de uma casta acima com um homem de uma casta mais baixa. Um pouco como Romeu e Julieta de Íllea.
Aspen é um personagem que me intrigou desde o início. Ele foi uma das principais razões pelas quais América se inscreveu para a Seleção e aparece como uma personagem dúbia entre aquilo que diz e aquilo que faz, principalmente pelo facto de não me parecer, ou ter-me sido quase forçada a ideia de que Aspen é altruísta. A forma como a autora escolheu terminar a relação entre os dois personagens pouco antes de se saber os resultados da Seleção foi, não há outra palavra, fácil. A escolha da autora para que América fosse para o castelo furiosa com Aspen, incentivando-a a ficar, não foi a melhor porque não existiu um desenvolvimento natural, mas sim forçado.
América pode muito bem ser a personagem mais exasperante que já li. Desde o início que a história é previsível, principalmente quando se apresenta imediatamente a Maxon como sua amiga, como aquela que a pode ajudar a escolher a esposa certa e, não é difícil juntar 1 + 1.
Ao contrário do que acontece com outros livros do mesmo género, aqui as histórias secundárias são nos dadas de forma quase "cuspida" ou é ausente. As únicas que existem dizem respeito a Kota, o irmão mais velho de América e mesmo assim é-nos dada em forma de diálogo, ou de Lucy, uma das aias da protagonista que serve igualmente como modo de introdução à maldade dos rebeldes.
Aqui, não temos quase nenhumas informações sobre o que eles querem, quem são, a única informação que nos é dada é que há dois tipos de rebeldes, os do norte e os do sul. Não há sequer grandes revelações sobre o porquê dos seus ataques. O que os move. Uma condição que espero que seja desenvolvida nos próximos livros. Na minha opinião, talvez sejam americanos que querem os Estados Unidos de volta ou que desejem o fim das castas porque, ao contrário do que acontece com, dando um exemplo, Os Jogos da Fome, ninguém compreende na sua plenitude a maldade que as castas proporcionam e América só pensa no assunto devido à sua relação com Aspen ou à situação do irmão mais novo que quer ser jogador de futebol, mas como pertence à casta dos artistas, tem de descobrir rapidamente um talento para ajudar no sustento da família.
América mostra apenas uma vez a compreensão da maldade das castas quando expõem Maxon à situação de fome. A revolta da protagonista, para além da conversa com Maxon, é quase mimada. Não há uma atitude de revolta pelo bem maior, o que é estranho, já que as medidas são muito rígidas. Há todo um conjunto de situações que podiam - e talvez vão - culminar numa rebelião. O facto de não o fazerem, ou não sentirem que devem ou podem fazer, pode dever-se ao facto de haver regalias - como a Seleção - ou a possibilidade de aumentar de casta, com o casamento.
Apesar dos seus defeitos é um livro fácil de ler e principalmente de mergulhar no seu ambiente e universo e depressa nos afeiçoamos à protagonista. Embora a temática envolvente não seja muito explorada a parte romântica e emocional é maravilhosamente desenvolvida ao longo das páginas.
Outros títulos da colecção
*A Selecção
*A Elite
*A Escolha
*A Herdeira
*The Crown (05/2016)

*Happily Ever After 

Outros livros da autora
*The Siren (26/01/2016)


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